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Deputadas trans na Câmara: são 3, e em Patrocínio Duda Salabert teve 198 votos contra 16.152 de Nikolas

Erika Hilton teve 1,6 milhão de votos, recorde entre mulheres na Câmara; no TSE, só 49 dos 7.803 candidatos a deputado federal com o dado se declararam trans.

Deputadas trans na Câmara: Duda Salabert, deputada federal reeleita por Minas, em comissão da Câmara
Deputadas trans na Câmara: Duda Salabert, deputada federal reeleita por Minas, em comissão da Câmara

A Câmara dos Deputados terá três deputadas trans a partir de fevereiro de 2027, o maior número de uma vez só. Erika Hilton (PSOL-SP) e Duda Salabert (PSOL-MG) foram reeleitas, e Thabatta Pimenta (PV-RN) chega ao cargo pela primeira vez. Em Patrocínio (MG), Duda teve 198 votos. Nikolas Ferreira (PL), o deputado mais votado de Minas, teve 16.152.

Com as três, as deputadas trans na Câmara passam a ocupar 3 das 513 cadeiras. A conta é parecida com a das candidaturas: segundo os dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reunidos pela Agência Câmara, 0,63% dos candidatos a deputado federal se declararam pessoas trans, e 0,58% dos eleitos são trans.

Deputadas trans na Câmara: quem são as três eleitas

Erika Hilton teve 1.596.472 votos em São Paulo, pela totalização do TSE. Ficou em segundo lugar no estado, atrás de Lucas Pavanato (PL), que passou de 3 milhões. Com esse número, ela se tornou a mulher mais votada da história da Câmara, à frente de Joice Hasselmann, que tinha feito 1.078.666 votos em 2018. Em 2022, Erika tinha recebido 256.903 votos.

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Duda Salabert teve 229.535 votos e foi a terceira mais votada de Minas Gerais. Ficou atrás de Nikolas Ferreira, que somou 3.119.318 votos, o maior número já registrado por um candidato a deputado federal no país, e de Ana Elisa (PT), com 524.219. A diferença entre Nikolas e Duda no estado é de cerca de 13,6 vezes.

Thabatta Pimenta, de 34 anos, teve 92.743 votos no Rio Grande do Norte, pela Federação Brasil da Esperança (PT, PCdoB e PV). Ela é vereadora de Natal, eleita em 2024 com 7.085 votos, e passa a ser a primeira deputada federal trans do Nordeste. Em 2022, tinha disputado uma vaga na Câmara por outro partido e não se elegeu.

Deputadas trans na Câmara: Erika Hilton discursa no plenário com microfone
Erika Hilton (PSOL-SP), a mulher mais votada da história da Câmara. Foto: Zeca Ribeiro/Câmara dos Deputados (CC BY 3.0)

O que dizem os números do TSE

O TSE passou a registrar a identidade de gênero dos candidatos no painel de candidaturas. Entre os 7.803 candidatos a deputado federal com essa informação, 49 se declararam pessoas trans, o equivalente a 0,63%. Outros 4.372, ou 56,03%, se identificaram como cisgêneros. A maior fatia ficou sem resposta: 3.380 candidatos (43,32%) não informaram a identidade de gênero, e dois escolheram a opção “prefere não informar”.

Entre os eleitos, 327 deputados (63,74%) se declararam cisgêneros, e as três deputadas trans somam 0,58% da Câmara. A Associação Nacional de Travestis e Transexuais (Antra), que acompanha essas candidaturas, contou 116 candidaturas de pessoas trans e travestis em 2026, somando todos os cargos. Além das três deputadas federais, a entidade lista quatro deputadas estaduais eleitas, no Rio Grande do Sul, em São Paulo, no Rio de Janeiro e em Sergipe. Em Sergipe, a posse de Linda Brasil (PSOL) depende de uma decisão da Justiça Eleitoral sobre a federação PSOL/Rede.

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Thabatta Pimenta, vereadora de Natal eleita deputada federal pelo Rio Grande do Norte
Thabatta Pimenta (PV-RN), primeira deputada federal trans do Nordeste. Foto: Kascyo/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Em Patrocínio, 198 votos para Duda e 16.152 para Nikolas

Na votação para deputado federal em Patrocínio, Duda Salabert ficou em 24º lugar, com 198 votos, 0,41% dos válidos. Nikolas Ferreira liderou com 16.152 votos, 33,08% do total, como a Folha mostrou na reportagem sobre o deputado federal em Patrocínio. Na cidade, Nikolas teve cerca de 82 votos para cada voto de Duda, uma proporção seis vezes maior que a do estado inteiro.

Nikolas e Duda estão em lados opostos desde o primeiro mandato dos dois, em 2023. Em 8 de março de 2023, Dia Internacional da Mulher, Nikolas subiu à tribuna da Câmara com uma peruca loira e disse: “Hoje me sinto mulher, deputada Nikole”. PSOL, PDT, PT e PSB pediram a cassação dele por transfobia. Em agosto daquele ano, o Conselho de Ética arquivou o caso por 12 votos a 5, segundo a própria Câmara.

A troca de farpas continuou na campanha. Em outubro, Duda resumiu em uma palavra o ato de Nikolas em Belo Horizonte, como mostrou a reportagem sobre o que Duda Salabert disse do ato de Nikolas. Nas urnas, Nikolas bateu o recorde nacional, detalhado na reportagem sobre o recorde de Nikolas em Minas.

Erika Hilton também passou pelo Conselho de Ética

A mais votada das três também esteve na mira do Conselho de Ética neste ano. Em agosto, o Conselho de Ética decidiu por 10 votos a 5 dar seguimento a uma representação que pede a perda do mandato de Erika Hilton, como a Folha detalhou na reportagem sobre o processo contra Erika Hilton. A votação tratou só da abertura do processo, que tem outras etapas antes de qualquer decisão sobre o mandato.

As três eleitas tomam posse em 1º de fevereiro de 2027, junto com os outros 510 deputados. Na mesma data, o Senado escolhe o novo presidente da Casa.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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