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Cancelar débito automático de empréstimo é direito do correntista: banco tem 2 dias úteis para confirmar, mas a dívida continua

A Resolução CMN 4.790/2020 garante o cancelamento da autorização de desconto na conta; o consignado em folha fica de fora, e a Justiça diverge quando a autorização está no contrato.

Mãos segurando celular com app de banco sobre mesa com extrato e cartões, com logos de bancos, para cancelar débito automático de empréstimo
Mãos segurando celular com app de banco sobre mesa com extrato e cartões, com logos de bancos, para cancelar débito automático de empréstimo

Quem paga parcelas de empréstimo com desconto direto na conta pode pedir ao banco que pare de debitar. Cancelar débito automático de empréstimo é um direito previsto na Resolução nº 4.790 do Conselho Monetário Nacional (CMN), de março de 2020, e o banco tem até dois dias úteis para confirmar o pedido. O cancelamento, porém, não apaga a dívida: as parcelas continuam vencendo e passam a ser cobradas de outro jeito.

A regra voltou a circular nas redes nos últimos dias com o selo de “urgente”, como se fosse novidade. Não é. A resolução está em vigor há mais de seis anos e teve a redação atualizada pela Resolução CMN nº 5.251, que passou a valer em 13 de outubro de 2025.

O que diz a regra para cancelar débito automático de empréstimo

O texto, publicado pelo Banco Central, diz que nenhum débito pode ser feito na conta sem autorização prévia do titular. Quando o desconto é de parcela de empréstimo ou de outra operação de crédito, a autorização precisa ser individual, ligada a cada contrato, e o cliente tem de dizer de forma clara se aceita que o banco use o limite da conta ou desconte parcelas atrasadas, inclusive em pedaços.

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O artigo 6º é o que interessa a quem quer parar os descontos: “É assegurado ao titular da conta o direito de cancelar a autorização de débitos”. Nos empréstimos, o pedido deve ser feito à instituição que recebe o pagamento, em geral o próprio banco que emprestou o dinheiro. Se o cliente disser que não reconhece a autorização, pode pedir o cancelamento direto ao banco onde tem a conta. Depois de receber o pedido, o banco tem até dois dias úteis para avisar que o aceitou. Encerrar a conta sem indicar outra para os débitos também equivale a cancelar a autorização.

Ilustração de pessoa conferindo débitos no celular, sobre como cancelar débito automático de empréstimo
Ilustração gerada por IA (Gemini), com os logotipos de Caixa, Banco do Brasil, Itaú, Bradesco, Santander e Nubank aplicados pela Folha; não é foto de um caso real. Logotipos: Wikimedia Commons

A dívida continua

Suspender o desconto automático não suspende o contrato. As parcelas seguem com as mesmas datas, e quem deixar de pagar por outro meio entra em atraso, com juros, multa e risco de ter o nome negativado. Muitos contratos também preveem que o atraso permite ao banco cobrar o saldo inteiro de uma vez. Por isso, o pedido costuma fazer sentido para quem quer reorganizar o orçamento, escolher a data e a forma de pagar ou parar de ver o salário consumido assim que cai na conta, e não para quem pretende simplesmente deixar de pagar.

A regra também não vale para o consignado. No crédito consignado de aposentados do INSS e de servidores públicos, a parcela sai direto da folha de pagamento ou do benefício, antes de o dinheiro chegar à conta, e segue outra lei, com limite de comprometimento da renda. As regras do consignado para servidores mineiros foram tratadas na reportagem sobre o consignado para servidor de MG.

O que a Justiça tem decidido

Em 2022, ao julgar o Tema 1.085, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) decidiu que o banco pode descontar parcelas de empréstimo comum na conta-corrente, mesmo quando ela recebe salário, desde que o cliente tenha autorizado e enquanto essa autorização durar. O limite de 30% da renda, próprio do consignado, não se aplica a esses descontos.

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Os tribunais estaduais divergem sobre o que acontece quando a autorização está escrita no próprio contrato. Há decisões que tratam o cancelamento como direito do correntista a qualquer tempo, com base no artigo 6º, e mandam o banco parar os descontos. Outras só aceitam o cancelamento quando o cliente não reconhece a autorização, quando a dívida foi quitada ou quando houve renegociação. Na prática, a recusa do banco pode ser contestada, mas sem garantia de vitória.

Como pedir o cancelamento

O primeiro passo é procurar o banco, pela agência, pelo aplicativo ou pelo SAC, e pedir por escrito o cancelamento da autorização de débito daquele contrato. Vale anotar o número do protocolo, guardar o comprovante e pedir o extrato com os valores já descontados. Se o banco recusar ou continuar descontando depois do prazo, o cliente pode recorrer à ouvidoria da instituição, registrar reclamação no Banco Central e abrir queixa na plataforma federal consumidor.gov.br.

Em Patrocínio (MG), o Procon Municipal recebe reclamações contra bancos e financeiras, inclusive sobre descontos não autorizados e cobranças indevidas. Quem está com várias dívidas ao mesmo tempo pode pedir ao Procon a renegociação prevista na Lei do Superendividamento, que reúne os credores numa audiência de conciliação. Casos de abuso no crédito já renderam multa a instituições em Minas, como mostrou a reportagem sobre a multa ao Agibank. Quem trocar o débito automático por Pix ou boleto deve acompanhar as mudanças nesses meios de pagamento previstas para 2027, contadas na matéria sobre o split payment em 2027.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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