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Nacional

Oruam e Marcinho VP: polícia acha no celular da mãe do rapper a ordem para “fechar a política”

A conversa é de março de 2025, depois de uma visita ao presídio federal de Campo Grande (MS). O relatório da DRE não cita político, partido nem campanha.

Oruam e Marcinho VP: o rapper Oruam, filho do chefe do CV, se apresenta em show com tranças e contas no cabelo
Oruam e Marcinho VP: o rapper Oruam, filho do chefe do CV, se apresenta em show com tranças e contas no cabelo

“Meu pai mandou fechar a política.” A frase está numa mensagem que, segundo a Polícia Civil do Rio de Janeiro, o rapper Oruam mandou à mãe depois de visitar o pai, Marcinho VP, no presídio federal de Campo Grande (MS), em março de 2025. A conversa entre Oruam e Marcinho VP só veio a público agora, num relatório da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) que apura o dinheiro do Comando Vermelho (CV).

O texto foi achado no celular de Márcia Gama dos Santos Nepomuceno, mãe do cantor, apreendido em abril de 2026 numa operação contra as finanças da facção. Oruam se chama Mauro Davi dos Santos Nepomuceno. O pai, Márcio dos Santos Nepomuceno, está preso há mais de duas décadas e é apontado pela polícia e pelo Ministério Público como uma das lideranças históricas do CV.

O que a polícia diz sobre Oruam e Marcinho VP

Para os investigadores da DRE, a mensagem pode indicar que Marcinho VP ainda consegue interferir em atividades políticas nas áreas sob influência do Comando Vermelho, mesmo atrás das grades. A leitura é da polícia e consta do relatório da investigação, que continua em andamento.

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Mas o relatório não explica o que “fechar a política” quer dizer naquele contexto, não diz quais atividades seriam afetadas e não aponta nenhum político, partido ou campanha eleitoral que tenha sido alvo da suposta ordem. A mensagem é de março de 2025, ano em que o Brasil não teve eleição.

A “caixinha” do pai e a briga entre irmãos

As outras conversas analisadas pela DRE tratam de dinheiro. Em uma delas, segundo a polícia, Oruam conta à mãe que foi a um ponto da facção no Complexo do Alemão buscar valores da chamada “caixinha” do pai.

Márcia também aparece pedindo dinheiro. Segundo os investigadores, ela pediu R$ 10 mil a um integrante do CV conhecido como Doca para pagar a fatura do cartão de crédito. Em outra troca de mensagens, pediu R$ 28 mil, sendo R$ 8 mil para um chá de bebê e R$ 20 mil para móveis, com a orientação de que o valor fosse descontado de “Nego”, apelido atribuído a Marcinho VP.

Os diálogos ainda mostram, na leitura da polícia, uma disputa entre Oruam e o irmão, Lucas, pelo acesso aos recursos e à influência do pai. Numa das conversas, Márcia diz que Lucas estaria correndo atrás dos próprios interesses, e o rapper pergunta como poderia fazer o mesmo.

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A denúncia do Ministério Público

As mensagens se somam a uma acusação que já está na Justiça. No início de maio, o Ministério Público do Rio de Janeiro, por meio da 3ª Promotoria de Investigação Penal Especializada, denunciou Marcinho VP, Márcia, Oruam e outras pessoas por organização criminosa e lavagem de dinheiro do tráfico, como informou a Agência Brasil.

Segundo a denúncia, Márcia fazia a gestão financeira do grupo. Ela recebia dinheiro em espécie de outros traficantes e comprava e administrava comércios, imóveis e fazendas para esconder a origem do patrimônio. Oruam é descrito pelo MP como beneficiário direto, que recebia dinheiro ilícito e usava a carreira musical para disfarçar a origem dos valores. A acusação divide o grupo em quatro núcleos: a liderança presa, o núcleo familiar, o apoio operacional à lavagem e a liderança nas comunidades.

Oruam e Marcinho VP: o rapper Oruam fala ao microfone em entrevista ao Multishow, em 2024
Oruam em entrevista ao Multishow, em março de 2024. Foto: Multishow (CC BY 3.0, via Wikimedia Commons)

O histórico do rapper na Justiça

Oruam já tinha sido preso em julho de 2025, depois de uma confusão com policiais civis que cumpriam um mandado na casa dele, no Rio. Foi acusado de tentativa de homicídio contra os agentes e ficou cerca de dois meses detido, até uma liminar do Superior Tribunal de Justiça (STJ) trocar a prisão por medidas cautelares, entre elas a tornozeleira eletrônica.

Em fevereiro de 2026, o STJ derrubou o benefício depois de registros de que a tornozeleira descarregou 28 vezes em 43 dias, e o cantor passou a ser considerado foragido. A defesa atribuiu as falhas à bateria do equipamento. Em 1º de agosto, a mãe dele divulgou nas redes um documento que, segundo ela, é a decisão do Tribunal de Justiça do Rio que revogou a prisão preventiva do filho, mantendo medidas cautelares.

O que dizem os citados

A Folha não encontrou manifestação das defesas de Oruam, de Márcia ou de Marcinho VP sobre as mensagens até a publicação desta reportagem. Em episódios anteriores, o rapper negou fazer parte de facção, e a defesa dele já alegou perseguição. O espaço segue aberto.

O voto no Brasil é secreto, e Oruam não declarou publicamente em quem votou no segundo turno de 25 de outubro. Nada no relatório liga a mensagem de 2025 a uma eleição específica.

Facções, política e a disputa eleitoral

A suspeita de influência do crime organizado na política foi um dos temas da campanha deste ano. O Comando Vermelho é a mesma facção que foi alvo da Operação Contenção, nos complexos do Alemão e da Penha, que completou um ano nesta semana. Em Brasília, a nova lei antifacção mudou até o auxílio-reclusão pago a famílias de presos ligados a esses grupos.

Associar candidato a facção sem prova já rendeu punição na Justiça Eleitoral. Na reta final do segundo turno, o Tribunal Superior Eleitoral mandou retirar publicações que associavam o senador Flávio Bolsonaro (PL) ao Comando Vermelho sem respaldo nos fatos, segundo a relatora do caso.

No caso de Oruam e Marcinho VP, o que existe até aqui é uma frase de março de 2025 e a leitura que a polícia faz dela. A investigação ainda não diz quais políticos ou quais áreas a ordem teria atingido, nem se chegou a atingir alguma.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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