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Selic em 2027: dólar 8,21% mais caro pode somar 0,8 ponto à inflação

Maior alta diária desde 1999 levou o dólar a R$ 5,403; antes da eleição, o Focus via juros de 11,75% no fim de 2027, e o Copom volta a decidir em 4 de novembro.

Edifício-sede do Banco Central em Brasília, que decide a Selic em 2027
Edifício-sede do Banco Central em Brasília, que decide a Selic em 2027

O dólar fechou a segunda-feira (26) a R$ 5,403, uma alta de 8,21% em um único pregão, a maior desde 13 de janeiro de 1999. Pela regra de bolso que o Banco Central usa para medir o efeito do câmbio nos preços, se esse nível se mantiver, a alta pode somar cerca de 0,8 ponto percentual à inflação em 12 meses. A conta pesa sobre a Selic em 2027, ano para o qual o mercado esperava juros bem mais baixos que os de hoje.

A disparada veio no primeiro dia de negócios depois da reeleição do presidente Lula (PT), quando investidores desmontaram posições que tinham apostado na vitória de Flávio Bolsonaro (PL). Durante a manhã, a moeda chegou a R$ 5,6049, e a Bolsa acionou o circuit breaker. O Ibovespa fechou em queda de 13,88%, aos 176.608 pontos. A Folha contou como foi esse dia em o primeiro dia de mercado depois da reeleição.

O que o mercado esperava antes da eleição

O Boletim Focus divulgado na própria segunda-feira, com respostas coletadas até a sexta-feira (23), ainda mostrava o cenário anterior ao resultado. Nele, a mediana dos economistas projetava a Selic em 13,25% no fim de 2026 e em 11,75% no fim de 2027, depois de semanas parada em 12%. Para a inflação, as apostas eram de 5,19% neste ano, acima do teto da meta, e de 4,34% em 2027. O dólar esperado para o fim de 2027 era de R$ 5,15.

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Hoje a taxa básica está em 13,75% ao ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) cortou 0,25 ponto em setembro, no quinto corte seguido do ciclo, e volta a se reunir em 4 de novembro. Será a primeira decisão depois da eleição e da alta do câmbio.

Fachada do Banco Central do Brasil, onde o Copom define a Selic em 2027
Sede do Banco Central, em Brasília. O Copom volta a se reunir em 4 de novembro. Foto: Paulo Rená da Silva Santarém (CC BY-SA 2.0)

A conta do repasse do dólar para os preços

No Relatório de Política Monetária de março, o Banco Central estimou que o repasse do câmbio para o IPCA fica em torno de 0,10 em quatro trimestres. Na prática, uma desvalorização de 10% do real acrescenta cerca de 1 ponto à inflação acumulada em um ano. Aplicada aos 8,21% da segunda-feira, a regra dá algo perto de 0,8 ponto, desde que o dólar não volte ao patamar anterior, de cerca de R$ 4,99.

Essa conta é uma aproximação. O repasse depende de quanto tempo o câmbio fica alto, de como estão a demanda e as margens das empresas e de quanto os importados pesam em cada setor. Se o dólar recuar nas próximas semanas, o efeito diminui. Se subir mais, aumenta.

Pressão que já vinha da indústria

Antes mesmo da eleição, os preços na porta da fábrica já tinham acelerado. Segundo o IBGE, o Índice de Preços ao Produtor (IPP) subiu 1,54% em setembro, depois de 0,34% em agosto, e acumula 4,34% em 12 meses. A alta foi puxada pelos alimentos, com o clima desfavorável encarecendo commodities como a soja. Esse número não tem relação com o dólar de segunda-feira, mas mostra que a inflação de custos já estava subindo quando o câmbio disparou.

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Selic em 2027: o que pode mudar

Com inflação acima da meta e um choque de câmbio, o espaço para cortar juros diminui. O próximo Boletim Focus, o primeiro com projeções coletadas depois da eleição, vai mostrar se os economistas revisaram para cima a Selic de 2027. A Folha já registrou outros sinais da reação do mercado, como o risco-país em 151,7 pontos, o maior desde junho de 2025, e a perda de R$ 249 bilhões em valor de mercado dos bancos.

Juros mais altos por mais tempo encarecem o crediário, o financiamento de carro e de casa e o capital de giro das empresas. Também sustentam o rendimento de quem aplica em renda fixa atrelada à Selic.

O efeito em Patrocínio

Para o produtor de café, o dólar alto ajuda na hora de vender, porque o grão é negociado em moeda americana. A Folha fez a conta da saca de café em Patrocínio com o dólar a R$ 5,60, o pico daquele dia. O outro lado é o custo: boa parte dos fertilizantes usados no país é importada e cotada em dólar, e o crédito rural também fica mais caro se a Selic demorar a cair.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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