Crédito rural em Patrocínio: custeio do café cai 31%, R$ 64 milhões a menos, e BB libera R$ 25 bilhões a menos ao agro no país
Dados do Banco Central mostram queda no custeio de café, soja e pecuária. O investimento subiu, e o Pronaf foi a única linha do BB que cresceu no país.

O crédito rural em Patrocínio (MG) encolheu no começo da safra 2026/27, e a maior parte da queda veio do café. De julho a setembro, bancos e cooperativas liberaram R$ 141,3 milhões em crédito de custeio para a lavoura de café no município, contra R$ 205,1 milhões no mesmo período de 2025. São R$ 63,8 milhões a menos, uma queda de 31%, segundo a matriz de dados do crédito rural do Banco Central, consultada pela Folha nesta quarta-feira (28).
No país, o tombo é maior no Banco do Brasil, o principal financiador do agro. O banco liberou R$ 31,6 bilhões entre 1º de julho e 19 de outubro, contra R$ 56,5 bilhões no mesmo período da safra passada: R$ 24,9 bilhões a menos, queda de 44,1%. E a conta não pesou igual para todo mundo. A agricultura familiar teve alta, enquanto o médio produtor perdeu quase metade do dinheiro.
O crédito rural em Patrocínio, número a número
Somadas todas as atividades, o crédito de custeio, que paga adubo, defensivo, mão de obra e combustível da safra, caiu de R$ 266,2 milhões para R$ 179 milhões entre julho e setembro, uma redução de 33%. Além do café, a pecuária de corte e leite teve queda de R$ 27,8 milhões para R$ 15,4 milhões, e a soja, de R$ 24,3 milhões para R$ 12,5 milhões.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O crédito de investimento, usado para comprar máquinas, irrigação e fazer obras na propriedade, foi na direção contrária e subiu de R$ 22,3 milhões para R$ 37,8 milhões no período. Somando custeio e investimento, o dinheiro novo que chegou ao campo em Patrocínio caiu 25%, de R$ 288,5 milhões para R$ 216,8 milhões. Os dados reúnem todas as instituições financeiras, não só o Banco do Brasil, e os meses mais recentes ainda podem ser atualizados pelo BC. Os números estão na matriz de dados do crédito rural do Banco Central.
Patrocínio é o maior produtor de café do Brasil, segundo o IBGE. No período, o custeio respondeu por R$ 179 milhões dos R$ 216,8 milhões liberados no município, e o café, por R$ 141,3 milhões desse custeio. A cotação do grão no dia está na página do preço do café hoje em Patrocínio, e o retrato das propriedades do município está no levantamento sobre o censo agropecuário em Patrocínio.

Médio produtor perde, agricultura familiar ganha
No Banco do Brasil, o Pronaf, linha da agricultura familiar, foi o único a crescer: R$ 8,4 bilhões, alta de 1,7% sobre a safra passada. Já o Pronamp, voltado ao médio produtor, caiu 44,2%, para R$ 4,4 bilhões. O banco afirma que parte da diferença se explica porque, nesta temporada, liberou R$ 3,9 bilhões a mais em pré-custeio entre março e junho, antes do início oficial da safra. A emissão de títulos do agronegócio também caiu, de R$ 6,7 bilhões para cerca de R$ 3,7 bilhões.
O que o Banco do Brasil diz
O vice-presidente de Agronegócios e Agricultura Familiar do BB, Gilson Bittencourt, atribui a queda principalmente ao aumento da inadimplência, que deixou os bancos mais cautelosos até com quem está em dia. “Cooperativas e demais bancos também reduziram”, disse ele a jornalistas. Sobre os investimentos, avaliou que, para produtor endividado ou com o caixa apertado, “se é momento de segurar investimento, é bom para o setor neste momento”. Sobre a agricultura familiar, afirmou que ela “está adimplente e pagando crédito”.
Alpha for MenA inadimplência do agro no banco, com atraso acima de 90 dias, chegou a 6,27% no segundo trimestre de 2026, segundo o balanço do BB. Mesmo assim, o banco mantém a meta de liberar R$ 210 bilhões ao agronegócio até junho de 2027, 0,5% acima da safra anterior.
O custo do dinheiro para quem planta também depende dos juros, como mostra a reportagem sobre o que esperar da Selic em 2027. A reforma tributária, que começa a valer no ano que vem, já foi tema de painel sobre o agro em Patrocínio.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.




