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Zanin advogado de Lula: o impedimento vale só para os processos em que atuou

Lula saiu da prisão em 2019 por decisão do plenário do STF, sem Zanin. A lei barra o juiz só no processo em que atuou como advogado; amizade vira suspeição.

Lula, Cristiano Zanin e Arthur Lira lado a lado na posse do ministro no STF, em 2023
Lula, Cristiano Zanin e Arthur Lira lado a lado na posse do ministro no STF, em 2023

Zanin advogado de Lula é um dado de currículo que voltou ao debate depois da votação prorrogada do segundo turno. Uma imagem dos dois, da época em que o hoje ministro do Supremo defendia o petista na Lava Jato, circulou neste fim de semana e trouxe de volta uma pergunta: um juiz que já foi advogado do presidente pode julgar casos em que o presidente aparece? A lei tem uma regra clara, e ela vale só para o processo em que o juiz atuou.

Quem era o advogado de Lula na Lava Jato

Cristiano Zanin defendeu Lula nos processos da Lava Jato, em Curitiba. O ex-presidente estava preso na sede da Polícia Federal desde 7 de abril de 2018, condenado a 8 anos e 10 meses no caso do triplex do Guarujá. Foram 580 dias de prisão, e ele saiu na tarde de 8 de novembro de 2019, depois de uma ordem do juiz Danilo Pereira Junior.

A soltura veio de uma decisão do plenário do Supremo. Na véspera, 7 de novembro, o tribunal decidiu por 6 votos a 5 que a prisão só pode começar depois de esgotados todos os recursos, ao julgar as ações declaratórias de constitucionalidade 43, 44 e 54. O voto que desempatou foi do presidente da Corte na época, Dias Toffoli. Zanin não era ministro, não votou e não decidiu nada naquele julgamento: atuava como advogado, fora do plenário.

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Como o advogado chegou ao STF

Zanin foi indicado por Lula à vaga de Ricardo Lewandowski, que se aposentou em abril de 2023. Na sabatina, em 21 de junho de 2023, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou o nome por 21 votos a 5. No mesmo dia, o plenário do Senado confirmou a indicação por 58 votos a 18. A posse no Supremo foi em 3 de agosto de 2023.

Na sabatina, Zanin disse que não julgaria processos em que tivesse atuado como advogado, qualquer que fosse a parte defendida, e que analisaria os demais casos de impedimento e suspeição um a um. Ele também afirmou que, a princípio, a etiqueta “Lava Jato” não leva a impedimento. Em fevereiro de 2025, disse não ver impedimento para julgar a denúncia da Procuradoria-Geral da República contra Jair Bolsonaro e outros 33 acusados de tentativa de golpe.

Zanin advogado de Lula, já ministro do Supremo, sorri na própria posse
Cristiano Zanin na própria posse no STF, em 3 de agosto de 2023. Foto: Vice-Presidência da República (CC BY 2.0).

O que diz a lei sobre juiz que já foi advogado

O Código de Processo Civil, no artigo 144, lista os casos de impedimento. O primeiro é o do juiz que interveio no processo como mandatário da parte, ou seja, como advogado dela. O impedimento também alcança o processo em que o cônjuge ou um parente próximo do juiz advogue para uma das partes. Nesses casos, a lei veda ao juiz exercer a função, e ele precisa se afastar.

O Código de Processo Penal, no artigo 252, traz regra parecida para os processos criminais: o juiz não pode atuar naquele em que ele próprio já tenha sido defensor ou advogado, promotor, perito ou testemunha. A palavra que importa nos dois textos é “processo”. O impedimento é ligado ao caso concreto em que o juiz trabalhou, e não à pessoa que ele defendeu.

SituaçãoO que a lei prevê
Juiz foi advogado da parte no mesmo processoImpedimento: ele não pode julgar (CPC, art. 144, I)
Cônjuge ou parente do juiz advoga para uma das partes no processoImpedimento (CPC, art. 144, III)
Juiz foi advogado da parte em outro processoNão há impedimento automático; cada caso é analisado
Juiz é amigo íntimo ou inimigo de uma das partesSuspeição (CPC, art. 145, I), que a parte precisa alegar

Onde Zanin entra no segundo turno

No domingo (25), Zanin mandou estender a votação até as 19h em uma reclamação apresentada pela coligação de Lula contra três prefeituras da Bahia, por causa do transporte público no dia da eleição, como a Folha mostrou na reportagem sobre Dino e Zanin. Aquela ação não é a da Lava Jato, e o impedimento do artigo 144 depende de o juiz ter atuado no mesmo processo. A suspeição, que cobre amizade íntima ou interesse no resultado, é outra discussão, e o Código de Processo Civil, no artigo 146, diz que a parte deve alegá-la em petição própria, em até 15 dias depois de saber do fato.

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A crítica política seguiu por outro caminho. O deputado Marcel van Hattem (Novo-RS) protocolou no Senado um pedido de impeachment de Zanin e citou “claro indício de suspeição”, como mostra a reportagem sobre o impeachment de Zanin. O desembargador aposentado Sebastião Coelho chamou a votação estendida de “grande fraude”, como a Folha registrou em Sebastião Coelho e Zanin. O Supremo não se manifestou sobre as acusações até a publicação, e a Folha não encontrou registro público de pedido formal de impedimento ou suspeição contra Zanin nessa reclamação.

O que a foto não prova

Uma fotografia de Lula ao lado de Zanin mostra que os dois trabalharam juntos antes de 2023, fato que nunca foi segredo e que consta da própria biografia do ministro. Ela não prova quem decidiu a soltura de Lula, que veio do plenário, nem mostra que o ministro tenha julgado causa própria. A Folha não conseguiu verificar a data nem a origem da imagem que circulou. Sobre quem vai compor o tribunal nos próximos anos, a Folha mostrou as quatro vagas que Lula pode preencher no STF até 2030.

A Folha atualiza esta reportagem se o Supremo se manifestar sobre o pedido de impeachment ou se houver pedido formal de impedimento ou suspeição de Zanin.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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