Vaccari na Itália: reportagem aponta mudança, mas fuga não está provada
Reportagem de 16/10 diz que o ex-tesoureiro do PT vive na Itália há cerca de três meses, sem confirmação oficial; as acusações de Vorcaro são negadas por PGR, PF e Instituto Lula.

Um vídeo que circula nas redes diz que o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto “fugiu para a Itália” depois de uma denúncia feita pelo comentarista Jeffrey Chiquini. A Folha reuniu o que existe de apuração sobre Vaccari na Itália: uma reportagem publicada em 16 de outubro afirma que ele obteve cidadania italiana e se mudou para o país, mas não há confirmação oficial, e a palavra “fuga” é uma leitura, não um fato comprovado.
O que o vídeo afirma
Na gravação, de pouco mais de dois minutos, Jeffrey Chiquini diz que “membros da organização criminosa do Lula” estão deixando o Brasil e que Vaccari “vazou” para a Itália no dia seguinte à denúncia que ele mesmo teria feito. O comentarista fala ainda em desvio de recursos de fundos de pensão, em dinheiro destinado ao Banco Master e em R$ 30 milhões pagos “em espécie” a Lula. O vídeo termina com um pedido de voto em Flávio Bolsonaro. A Folha publicou apenas o trecho anterior a esse pedido, com crédito ao autor, e as afirmações são dele, não do jornal.
O que se sabe sobre a mudança para a Itália
A informação sobre a mudança partiu de uma reportagem exclusiva do jornalista Cláudio Dantas, publicada em 16 de outubro. Segundo o texto, Vaccari teria obtido cidadania italiana e se mudado para a Itália havia cerca de três meses, com transferência de endereço registrada. A reportagem diz que investigadores, que não são identificados, enxergam nisso uma tentativa de fuga.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Convém ler isso com cuidado. É uma única reportagem, sem documento nem declaração oficial na parte aberta ao público, e mudar de país, por si só, não é crime. Além disso, o calendário não bate com o vídeo: se a mudança ocorreu há cerca de três meses, como diz a própria reportagem, ela veio antes da denúncia que o comentarista afirma ter feito e não pode ter sido uma reação a ela. Vaccari não se manifestou nas fontes consultadas pela Folha.
A origem da acusação: a delação de Vorcaro
O pano de fundo é a reportagem da revista Veja de 9 de outubro, que o Poder360 resumiu. Segundo a revista, o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, afirmou numa proposta de delação ter pago cerca de R$ 30 milhões ligados a um documentário sobre Lula e a repasses ao Instituto Lula, em troca de acesso a fundos de pensão. Vaccari teria intermediado e cobrado 10% do que o Master captasse, o que renderia R$ 1 bilhão numa captação de R$ 10 bilhões. A própria reportagem não informa se a operação chegou a acontecer. A Folha já tratou do assunto em Vorcaro cita R$ 30 milhões ao filme de Lula; PT e Lula negam.

O que dizem os citados e as autoridades
A Procuradoria-Geral da República afirmou que as conversas sobre a proposta foram sempre mediadas pelos advogados de Vorcaro, que não houve depoimento oral e que a proposta foi rejeitada. A Polícia Federal disse que Vorcaro não prestou depoimento com o conteúdo relatado, que não entregou documentos desse teor e que as propostas de colaboração não foram aceitas por não cumprirem requisitos legais. A PF também recebeu uma notícia-crime sobre a publicação.
Paulo Okamotto, do Instituto Lula, disse não conhecer Vorcaro e negou qualquer envolvimento do instituto com a produção ou o financiamento do filme. A campanha de Lula chamou a reportagem de irresponsável e disse que o depoimento descrito não existe. A defesa de Augusto Lima, citado numa gravação divulgada pela revista, falou em “narrativa falsa”, e a defesa de Vorcaro disse não confirmar o conteúdo publicado.
Alpha for MenO que ainda não está provado
Até agora, não há decisão judicial nem denúncia formal que sustente a existência de um esquema com Vaccari, o Instituto Lula e o Banco Master. A mudança de Vaccari para a Itália, se confirmada, é um fato de endereço e não prova de crime. Chamar o caso de fuga exige um elemento que ninguém apresentou: uma ordem de prisão, uma convocação ignorada ou uma investigação formal em que ele fosse alvo e tivesse deixado de comparecer.
Vaccari foi preso em 2015, na Lava Jato, acusado de arrecadar dinheiro de empresas para o PT. O histórico judicial dele é longo e não é o tema desta matéria. O que importa aqui é separar o que consta de fonte oficial do que é afirmação de quem faz campanha: o segundo turno é em 25 de outubro, e a Folha acompanha as pesquisas e a apuração nas páginas sobre a pesquisa Veritá do segundo turno e na apuração em tempo real.
A matéria será atualizada se Vaccari, o Instituto Lula, a PGR ou a PF se manifestarem.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






