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Preço do café dispara e saca sobe R$ 90 em um dia em Patrocínio

Bolsa de Nova York sobe mais de 3% com recompra de fundos. Patrocínio empata com Campos Gerais no maior valor entre sete praças de arábica.

Cerejas maduras de café arábica no pé, fruto que define o preço do café no Cerrado Mineiro
Cerejas maduras de café arábica no pé, fruto que define o preço do café no Cerrado Mineiro

O preço do café arábica deu um salto nesta segunda-feira (28) em Patrocínio. Na tabela da Expocacer, a saca de 60 quilos do tipo 6/7 bebida dura fechou a R$ 1.680, R$ 90 a mais do que na sexta-feira (25). A alta de 5,66% num único pregão veio da Bolsa de Nova York, onde os contratos do arábica subiram mais de 3%.

Com o avanço, a saca na cooperativa volta a ficar acima dos R$ 1.660 registrados em 15 de setembro, quando a Folha mostrou que o preço do café em Patrocínio tinha perdido R$ 140 em duas semanas. Na sexta, a mesma referência estava em R$ 1.590.

Preço do café em Patrocínio sobe mais que na maioria das praças

A cotação de Patrocínio teve a segunda maior alta do dia entre as sete praças de arábica acompanhadas pelo levantamento de mercado físico do Notícias Agrícolas, e empatou com Campos Gerais (MG) no maior valor da lista. Só Franca (SP), na Cocapec, subiu mais em percentual: 6,45%, para R$ 1.650.

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No Sul de Minas, o ganho foi menor. Poços de Caldas avançou 3,42%, para R$ 1.510. Machado, na Coopama, foi a R$ 1.610 (mais 3,21%), Campos Gerais a R$ 1.680 (mais 3,07%) e Varginha, na Minasul, a R$ 1.630 (mais 1,88%). Guaxupé andou no sentido contrário. A Cooxupé baixou a saca em 3,29%, para R$ 1.558.

A diferença entre as praças mostra que o físico brasileiro ainda não copiou Nova York por inteiro. Segundo o Notícias Agrícolas, o ritmo de negócios também ficou abaixo do que a bolsa sugeria.

O que fez Nova York disparar

Os contratos de arábica na ICE, a bolsa de Nova York, fecharam o dia com ganhos entre 2,95% e 3,52%. O vencimento de dezembro terminou a 288,40 centavos de dólar por libra-peso e o de março a 280,65. Durante o pregão, dezembro chegou a passar de 291 centavos.

Na sexta-feira, dezembro tinha fechado a 278,60, depois de bater durante a semana o nível mais baixo em três meses. A explicação que circula entre analistas é técnica. Fundos que apostavam na queda, com posição vendida, recompraram contratos para encerrar essas apostas, e essa recompra empurra o preço para cima por alguns pregões sem que a oferta ou a demanda tenham mudado.

Os estoques certificados de arábica nos armazéns da bolsa ajudam a explicar a força da reação. Eles tiveram leve recuperação nas últimas semanas, mas continuam baixos para o padrão histórico, o que deixa o mercado mais sensível a esse tipo de recompra.

O câmbio também contou. O dólar começou a semana acima de R$ 5,20, e cada centavo a mais na moeda americana engorda o valor da saca em reais para quem vende no mercado interno. Na sexta, a moeda tinha fechado perto de R$ 5,19, como a Folha registrou na matéria sobre os três dias seguidos de alta do café arábica.

Entrelinha de lavoura com plantas de cobertura, cenário que acompanha o preço do café no Cerrado Mineiro
Lavoura de café do Cerrado Mineiro com cobertura verde na entrelinha. Foto: Divulgação/Expocacer

Safra recorde segura o otimismo

Nem todo mundo acredita que a alta dura. Na quinta-feira (24), a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estimou a safra brasileira de 2026 em 67,6 milhões de sacas, 19,6% acima de 2025 e a maior da série histórica. No Cerrado Mineiro, a estimativa é de 8,9 milhões de sacas de arábica, alta de 86,5%, como detalhou a reportagem da Folha sobre a safra de café recorde.

As exportações brasileiras ganharam ritmo em setembro, e o clima das últimas semanas vinha favorecendo o começo da safra 2027. Foram esses fatores que derrubaram o preço do café na primeira metade do mês. Como nada disso mudou de sexta para segunda, os analistas tratam o salto como correção técnica, que pode perder força tão rápido quanto chegou.

No campo, a preocupação é outra. O calor forte e o ar seco previstos para Patrocínio até quarta-feira (30) preocupam na florada, que define o tamanho da próxima colheita. A Folha mostrou no domingo (27) que calor de 34°C e ar seco ameaçam a florada do café na região. Se o clima castigar as flores, aí sim a oferta da próxima safra muda, e o preço teria motivo concreto para subir.

O que o preço do café muda para o produtor do Cerrado

Para quem ainda tem café da safra 2026 no armazém, a segunda-feira abriu uma janela de preço melhor que a das últimas duas semanas. Muitos cafeicultores da região seguraram a venda em setembro, à espera de recuperação, e agora encontram a saca R$ 90 mais cara em Patrocínio do que na sexta.

O sobe e desce do preço do café neste mês pede cuidado. A saca perdeu R$ 140 na primeira quinzena de setembro e recuperou R$ 90 num dia só, enquanto a bolsa foi da mínima de três meses a uma alta de 3% em menos de uma semana. O indicador do Cepea/Esalq, que fecha no fim da tarde com os negócios do dia, é a referência que o mercado usa para conferir se o físico acompanhou.

Patrocínio é o município que mais fatura com café no Brasil e o maior produtor de arábica, segundo a Produção Agrícola Municipal do IBGE. Numa safra de volume recorde no Cerrado Mineiro, R$ 90 a mais por saca chega rápido ao comércio da cidade, que vive do dinheiro do café.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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