Quem segurou o café na tulha esperando preço melhor viu a saca valer R$ 20 a menos nesta terça-feira (15). O preço do café em Patrocínio, na referência da Expocaccer, fechou a R$ 1.660 por saca do arábica tipo 6 bebida dura da nova safra, queda de 1,19% em 24 horas. O recuo acompanha a Bolsa de Nova York, que devolveu mais de 2% no mesmo pregão, e fecha uma quinzena difícil para o maior município produtor de café do Brasil.

A saca de 60 quilos abriu setembro em R$ 1.800 na cidade. Duas semanas depois, são R$ 140 a menos no bolso de quem vende, cerca de 7,8% do valor da saca, justamente no intervalo em que a colheita do Cerrado Mineiro chegou ao fim.

O recorde de exportação virou peso contra o produtor

Boa parte do motivo está no próprio tamanho da safra. O Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé) registrou em agosto o melhor mês de agosto da história nos embarques: 4,155 milhões de sacas, alta de 31% sobre o mesmo mês de 2025. O arábica avançou 26%, para 2,87 milhões de sacas, e o robusta disparou 54%.

Esse volume todo chegou de uma vez ao mercado internacional. Com o café brasileiro entrando em peso, o comprador lá fora perdeu a pressa. Comprador sem pressa não paga prêmio, e foi isso que o preço mostrou nesta quinzena.

Grãos de café torrados, produto que define o preço do café em Patrocínio e no Cerrado Mineiro
Grãos de café. Foto: lageandre/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Nova York no menor nível em dez semanas

No pregão desta terça, o contrato de dezembro do arábica fechou a 285,35 centavos de dólar por libra-peso e o de março de 2027, a 275,25 centavos, os dois com perdas acima de 2%. O robusta negociado em Londres também caiu: o vencimento de novembro foi a US$ 3.481 por tonelada e o de março, a US$ 3.430. O dólar fechou a R$ 5,15.

“O mercado de café começa a semana pressionado pela perspectiva de maior disponibilidade de arábica brasileiro e pela possibilidade de recomposição dos estoques certificados da ICE em Nova York. As cotações do arábica atingiram o menor nível em cerca de dez semanas”, afirmou o corretor Fabiano Odebrecht ao portal Notícias Agrícolas.

Pesou também a previsão do tempo. Os mapas climáticos confirmaram mais chuva nas regiões produtoras do Brasil e do Vietnã, os dois maiores fornecedores do mundo, o que afasta por ora o risco de quebra na próxima safra.

A conta de duas semanas para o cafeicultor do Cerrado

A série de fechamentos do preço do café em Patrocínio mostra o tamanho do tombo. Em 1º de setembro, a saca estava em R$ 1.800. Caiu para R$ 1.735 no dia 2, R$ 1.690 no dia 3, R$ 1.670 no dia 10 e R$ 1.635 no dia 11. Na segunda-feira (14) houve um respiro de 2,75%, com a saca voltando a R$ 1.680, mas a alta durou um pregão.

O indicador nacional do arábica calculado pelo Cepea/Esalq seguiu o mesmo caminho: fechou 31 de agosto em R$ 1.748,44 e chegou ao dia 14 de setembro em R$ 1.594,86.

Patrocínio colheu 64.225 toneladas de café em 2024, segundo o IBGE, e é o município que mais produz o grão no país. São pouco mais de 1,07 milhão de sacas. Cada R$ 100 a menos na saca significa perto de R$ 107 milhões a menos circulando na economia da cidade ao longo de uma safra inteira.

O que ainda sustenta o preço do café em Patrocínio

Nem todo indicador aponta para baixo. Odebrecht pondera que os estoques certificados em Nova York seguem historicamente baixos, e que a oferta física restrita continua dando sustentação às cotações. Na prática, isso significa que o mercado segue vulnerável a oscilações fortes se aparecer um gargalo logístico novo ou um susto climático.

Analistas também leem parte da queda desta terça como correção técnica, não como mudança de rumo. Depois de uma segunda-feira de alta superior a 1%, o movimento de hoje devolveu quase tudo. É uma volatilidade que vem se repetindo há semanas.

Colheita encerrada e florada em andamento

A pressão vendedora está concentrada agora por causa do calendário. A colheita do arábica no Cerrado Mineiro chegou a 99%, segundo o relatório semanal da Expocacer, e a florada para a safra de 2027 já avançou. Em Patrocínio, choveu 43,1 milímetros até 11 de setembro, acima dos 35,9 milímetros do mesmo período do ano passado. É esse calendário, e não apenas a bolsa, que costuma definir o preço do café em Patrocínio nesta época do ano.

Com o campo fechado e o produto pronto, quem precisa de caixa vende. Quem consegue esperar guarda o café e aposta que os estoques baixos em Nova York vão cobrar o preço de volta mais adiante. É a decisão que está na mesa dos cafeicultores da região nesta semana.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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