Efeito Lula? Itaú corta o PIB de 2027 para 0,5%, e pesquisa com o mercado já vê inflação de 5,3%
O banco também subiu a inflação de 2027 para 6,1% e a Selic para 13,75%. O texto dele aponta combustíveis, reforma tributária, dívida e juros, e não o resultado da eleição.

Atualização 02/11, 2h: circula nas redes um vídeo em que uma comentarista de economia, num programa de TV, diz estar preocupada porque “os grandes bancos estão fazendo revisões dramáticas” sobre 2027. A montagem que acompanha o vídeo afirma que os bancos disseram que 2027 “será catastrófico”, palavra que não aparece na fala. O que existe de concreto, além da revisão do Itaú descrita abaixo, é uma pesquisa da corretora BGC Liquidez com cerca de 30 participantes do mercado, entre gestores e tesourarias de bancos: a mediana para a inflação de 2027 subiu para 5,3%, acima do teto da meta (4,5%) e dos 4,34% do Boletim Focus de 26 de outubro, que reunia projeções feitas até 23 de outubro, antes do segundo turno. Nesse Focus, o PIB de 2027 estava em 1,31%. O economista da BGC atribui a alta à falta de âncora fiscal e ao dólar, que fechou a sexta-feira (30) a R$ 5,447, o maior valor desde dezembro de 2025. O próximo Focus será o primeiro com projeções feitas depois da eleição.
O Itaú BBA cortou a projeção do PIB brasileiro de 2027 de 1,2% para 0,5% e subiu a da inflação de 4,6% para 6,1%, em revisão de cenário divulgada na sexta-feira (30), cinco dias depois da reeleição de Lula. A coincidência de datas virou o rótulo “efeito Lula” nas redes. Os números do banco são estes, mas o texto do próprio Itaú não liga a revisão à eleição: ele aponta fiscal, câmbio, combustíveis, reforma tributária, jornada de trabalho e juros. A Folha separou o que o banco projeta, o que ele diz e o que fica em aberto.
O que o Itaú mudou na projeção para o PIB de 2027
Para 2027, o crescimento projetado caiu de 1,2% para 0,5%, a inflação medida pelo IPCA subiu de 4,6% para 6,1%, o desemprego passou de 6,2% para 6,5% e o dólar médio, de R$ 5,50 para R$ 5,60. A Selic, que o banco previa em 12,50% no fim de 2027, agora fica em 13,75%: o Itaú espera que o Banco Central interrompa os cortes na reunião de 4 de novembro e mantenha o juro nesse patamar. Para 2026, o PIB foi de 1,7% para 1,6%, e a inflação, de 5,1% para 5,2%.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Crescer 0,5% não é crescimento zero nem recessão: é uma desaceleração forte em relação ao ritmo de 2026. O banco também registra que o PIB do terceiro trimestre de 2026 deve ter recuado 0,1% sobre o trimestre anterior, segundo o acompanhamento que faz dos indicadores.
O que o banco diz que explica a revisão
Na inflação, a mudança de 2027 vem principalmente das medidas sobre combustíveis, de um câmbio mais depreciado e dos efeitos estimados da reforma tributária e da mudança na jornada de trabalho, e o banco vê riscos para cima. Sobre o câmbio, cita o prêmio de risco maior, ligado à dúvida sobre as contas públicas. No fiscal, fala em um ajuste de cerca de 4 pontos percentuais do PIB, concentrado no controle de despesas. Pesam ainda o petróleo alto por mais tempo, o aperto monetário nos países ricos, o endividamento alto de famílias e empresas e o fim dos estímulos fiscais.
Alguns desses pontos já apareceram nas reportagens da Folha, como o ICMS que sobe em 2027, o efeito do dólar na Selic de 2027 e a queda do Ibovespa depois da reeleição. A queda dos preços de ativos e a alta do dólar, na semana seguinte à votação, foram registradas na reportagem sobre a semana da reeleição na Bolsa.
Por que “efeito Lula” não é o que o Itaú escreve
O texto do Itaú situa a revisão depois da vitória de Lula, mas não escreve que a eleição causou o corte, e não culpa o governo. O que existe é uma sequência: a reeleição foi em 25 de outubro, o mercado reagiu forte nos dias seguintes, e o banco atualizou o cenário na sexta. É possível que o resultado eleitoral tenha pesado na percepção de risco e no câmbio, mas isso seria uma leitura da Folha, não uma afirmação do banco, e por isso fica como hipótese. O que o banco condiciona é a trajetória da dívida pública e o ajuste fiscal que o próximo governo vai apresentar.
Vale lembrar também que projeção não é resultado. Bancos revisam cenário várias vezes por ano, e o próprio Itaú trabalha com incertezas: a trajetória da dívida, a possível piora das expectativas de inflação e um cenário externo mais difícil. A Folha não encontrou, até agora, resposta do governo à revisão.
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O que isso muda para quem vive de crédito e de café
Juro alto por mais tempo pesa em quem financia. Em Patrocínio, o custeio do café já caiu 31% no crédito rural, como mostra a reportagem sobre o crédito rural em Patrocínio, e a situação das pequenas indústrias, a pior em cinco anos, mostra o mesmo aperto em outro setor. Uma Selic de 13,75% em 2027 prolonga esse custo, e uma inflação de 6,1% corrói o orçamento das famílias.
O que acompanhar
O próximo teste é a reunião do Banco Central, em 4 de novembro, para ver se a Selic segue como o Itaú espera, e depois o projeto de ajuste fiscal do governo. A Folha atualiza esta reportagem quando houver decisão do Copom ou manifestação do governo sobre a revisão. Os relatórios do banco ficam no site do Itaú.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.




