PF investiga Paulo Guedes em inquérito sobre crime financeiro ligado à OnilX, empresa de cripto com 108 ações de investidores
O ex-ministro é um dos 12 investigados num inquérito sob sigilo em Curitiba. Não há acusação formal, a OnilX nega irregularidades e a defesa não se manifestou.

A PF investiga Paulo Guedes, ex-ministro da Economia do governo Jair Bolsonaro, por suspeita de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional. Ele é um dos 12 investigados num inquérito aberto em 10 de fevereiro deste ano, que corre sob sigilo na 9ª Vara Federal de Curitiba, com acompanhamento do Ministério Público Federal. A informação aparece em documentos do processo divulgados nesta quinta-feira (29). O caso envolve a OnilX, empresa de criptoativos que é alvo de mais de cem ações de investidores que dizem não conseguir resgatar o dinheiro aplicado.
Não há acusação formal contra Guedes. Estar na lista de investigados não significa culpa, e os documentos não detalham o que a polícia atribui a cada um dos 12 nomes.
O que se sabe do inquérito em que a PF investiga Paulo Guedes
Além de Guedes, a lista inclui o dono da OnilX, Fábio Lino de Almeida, e outras dez pessoas. A base é a Lei 7.492, de 1986, que trata dos crimes contra o sistema financeiro. Em setembro, a Justiça mandou intimar Fábio Lino, a PF e o MPF, e em outubro o processo recebeu novas petições e diligências. Ao fim da investigação, cabe ao MPF decidir se denuncia algum dos investigados ou se pede o arquivamento.
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Qual é a ligação de Guedes com a OnilX
Guedes não é dono nem sócio da empresa. Segundo os documentos e as ações que correm na Justiça, a ligação passa por palestras, consultoria e uso da imagem dele na divulgação. Num desses eventos, ele falou para cerca de 500 pessoas, entre assessores e investidores, e elogiou a empresa. Em dezembro de 2025, a OnilX publicou uma foto dele com Fábio Lino e executivos da Visa, numa reunião que a empresa chamou de estratégica. A investigação apura também um suposto contrato de marketing entre o ex-ministro e a empresa.
Em mensagens anexadas a um processo, uma assessora da OnilX diz a um possível cliente que Guedes “tá dentro da empresa” e oferece uma reunião com ele a quem tivesse de R$ 3 milhões a R$ 5 milhões para investir.
O que dizem os investidores
Entre 12 de junho e 10 de setembro, foram identificadas 108 ações judiciais contra o grupo, em pelo menos sete estados. Os investidores relatam aplicações em produtos ligados a criptomoedas e stablecoins, com promessa de rendimento de até 2,8% ao mês, e dificuldade para sacar o dinheiro. Alguns falam em suspeita de pirâmide financeira.
Um casal cobra R$ 876,5 mil e diz que aumentou os aportes depois de uma reunião com Guedes na sede da OnilX, em abril. Quatro meses depois, segundo o processo, o pedido de resgate não foi atendido. Uma empresa tenta recuperar outros R$ 632,1 mil.
Alpha for MenO que a CVM já decidiu
Em janeiro, a Comissão de Valores Mobiliários mandou o grupo suspender a oferta de serviços de intermediação de valores mobiliários, sob multa diária de R$ 1 mil, por indícios de captação de clientes no Brasil sem autorização. Em abril, o colegiado manteve a suspensão por 2 votos a 1. A CVM esclareceu que a compra e a venda comuns de criptomoedas ficam fora da proibição.
O que dizem os citados
A OnilX nega as acusações. Afirma que atua de forma regular no mercado de ativos virtuais, que não é gestora de recursos e que não promete rentabilidade fixa. Os advogados de Guedes e de Fábio Lino, Ticiano Figueiredo e Pedro Ivo Velloso, não se manifestaram até a publicação desta reportagem.
Não é a primeira vez que o ex-ministro entra numa investigação da PF. Em 2018, a polícia abriu inquérito sobre fundos ligados à BR Educacional, dentro da Operação Greenfield. Já ministro, em 2019, Guedes disse na Câmara que as acusações tinham aparecido “na hora que começou a campanha política”. O Tribunal Regional Federal da 1ª Região arquivou essa investigação em 2020.
Como se proteger de promessa de rendimento fixo
Promessa de ganho fixo e alto em criptomoeda é um dos sinais de alerta mais comuns em esquemas que depois travam os saques. Antes de aplicar, vale conferir no site da CVM se a empresa tem autorização para oferecer investimentos no país. Em Patrocínio, quem tiver problema com empresa de investimento ou com contrato de serviço financeiro pode procurar o Procon Municipal de Patrocínio, além da Justiça.
A PF também concluiu nesta semana outro caso do sistema financeiro, com o indiciamento de Daniel Vorcaro no caso do Banco Master. No mercado, a semana foi de queda da Bolsa depois da reeleição de Lula, e a Folha detalhou o que esperar da Selic em 2027.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






