Lincoln Gakiya, promotor jurado de morte pelo PCC, é cotado para o Ministério da Segurança de Lula e diz que aceitaria
A pasta depende da PEC da Segurança, que o Senado vota nesta terça (3). Sob escolta desde 2005, Gakiya diz que ninguém do governo o procurou até agora.

O promotor Lincoln Gakiya, do Ministério Público de São Paulo (MPSP), é o nome mais citado nos bastidores para comandar o Ministério da Segurança Pública que Lula (PT) promete criar no quarto mandato. Jurado de morte pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) e sob escolta policial desde 2005, ele disse na semana passada que aceitaria o cargo se o convite chegar de forma oficial. Até agora, segundo o próprio promotor, ninguém do governo falou com ele diretamente.
O ministério ainda não existe e depende do Congresso. A criação da pasta está amarrada à PEC da Segurança Pública, que o Senado pôs em votação nesta terça-feira (3), a partir das 16h, com os dois turnos marcados para o mesmo dia.
O que Lincoln Gakiya disse sobre o convite
“Se vier formalmente, será uma honra e certamente vou aceitar”, afirmou Gakiya em entrevista publicada na quarta-feira (28). Ele contou que soube pela imprensa que o nome dele estava em discussão.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Segundo relatos de bastidor publicados nesta terça, Lula já fez sondagens e tem Gakiya como preferido. Se o promotor não topar, a alternativa seria Chico Lucas, atual secretário nacional de Segurança Pública. O Palácio do Planalto não anunciou nenhum nome e não comentou as conversas. Nas especulações aparecem ainda dois ex-governadores próximos do presidente: Rui Costa, da Bahia, e Camilo Santana, do Ceará.
A resposta de agora é diferente da que Gakiya deu durante a campanha, quando Ronaldo Caiado (PSD) disse que o chamaria para cuidar da segurança pública se fosse eleito. Na época, o promotor disse que se sentia lisonjeado, mas que não aceitaria, porque o cargo era incompatível com a função no Ministério Público e ele não queria perder a aposentadoria.
Quem é o promotor jurado de morte pelo PCC
Gakiya entrou no Ministério Público em dezembro de 1991 e passou cerca de 20 anos nas promotorias de Presidente Bernardes e Presidente Venceslau, no oeste paulista, região de presídios de segurança máxima onde ficaram os chefes do PCC. Desde 2008, integra o Gaeco, o grupo do MPSP que combate o crime organizado. É apontado como o maior especialista do país na facção.
Em 2019, foi dele o pedido para transferir Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, e outros 21 líderes do PCC para presídios federais. O próprio promotor chamou o pedido de “decreto irreversível de morte” contra si. A primeira ordem da facção para matá-lo é de 2005, ano em que ele passou a andar escoltado. Desde então, investigações descobriram mais de uma dúzia de planos para assassiná-lo, e a ameaça cresceu a partir de 2018.
Alpha for MenGakiya tem segurança todos os dias, anda em carro blindado e já fez curso de tiro. Ele já disse que pretende deixar o Brasil depois de se aposentar, porque a lei não garante a proteção de quem sai da carreira.
A PEC da Segurança no Senado nesta terça
A proposta, já aprovada pela Câmara dos Deputados, põe o Sistema Único de Segurança Pública (Susp) na Constituição e endurece as regras para integrantes de facções, milícias e grupos paramilitares. O texto também permite que os municípios criem polícias municipais civis, com controle externo do Ministério Público, e transforma a Polícia Rodoviária Federal em Polícia Viária Federal, com atuação também em ferrovias e hidrovias. O relator, senador Rogério Carvalho (PT-SE), tirou do texto a destinação de dinheiro das apostas on-line para os fundos de segurança e manteve 10% do superávit do Fundo Social do pré-sal.
Para passar, a PEC precisa de pelo menos 49 dos 81 votos do Senado em cada turno. Se os senadores mudarem o mérito do texto, ele volta para a Câmara. O governo quer a promulgação ainda em 2026.
O que mais trava a votação é a maioridade penal. O senador Rogério Marinho (PL-RN) quer reduzir a idade para 16 anos em todos os crimes e para 14 nos hediondos. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), condicionou a votação a um acordo para deixar o tema fora da PEC, e aliados de Marinho podem tentar votar a redução mesmo assim. Lula já disse ser a favor de reduzir para 16 anos em crime hediondo, mas não dentro desta proposta, como a Folha mostrou na reportagem sobre a posição de Lula sobre a maioridade penal.
Polícia e PCC na conta do governo
No debate do 2º turno, Lula prometeu fortalecer as polícias. Dias depois, uma portaria cancelou R$ 119 milhões em verba da PRF. Em São Paulo, as operações contra o braço do PCC no transporte público levaram de novo à prisão o vereador Senival Moura, do PT.
Até a publicação desta reportagem, o governo não tinha confirmado convite a Gakiya nem a qualquer outro nome. O Ministério Público de São Paulo também não se manifestou sobre uma eventual saída do promotor.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






