Tinder do Exército do Lula reúne solteiros em grupos de WhatsApp por DDD: o que se sabe e o que não
Criado em 27 de outubro, o canal passou de 58 mil seguidores em cinco dias, mas os organizadores não se identificam e a Folha não achou resposta de Janones.

O “Tinder do Exército do Lula” é um canal de WhatsApp aberto no meio-dia de terça-feira (27) por militantes de esquerda para reunir solteiros em grupos de conversa organizados por DDD. Em cinco dias, o canal passou de 58 mil seguidores, segundo o que foi divulgado, e já tinha pelo menos 15 grupos. Quem organiza não se identifica, e a Folha não encontrou manifestação do deputado André Janones, citado como inspiração, nem do PT ou do governo.
Como funciona o Tinder do Exército do Lula
Só os administradores publicam no canal, e os seguidores recebem avisos e convites. O namoro acontece nos grupos, divididos por DDD, com limite de 1.024 pessoas em cada um. Quem entra preenche uma ficha padronizada, com nome, idade, orientação sexual, pronomes, o que procura, se aceita mensagens privadas e o perfil no Instagram. A entrada é só para maiores de 18 anos, e os organizadores publicaram em 30 de outubro orientações para tentar barrar invasores.
Os primeiros grupos foram abertos na noite do dia 27, para Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal, e depois para Salvador, Belo Horizonte e Porto Alegre. Segundo os relatos, os grupos dessas três últimas cidades já estavam cheios antes das 20h. No dia 28 vieram Recife, Curitiba, Belém, Fortaleza, Campinas e Ribeirão Preto. A ordem das cidades é decidida por votação de seguidores nos comentários, e a meta é abrir pelo menos três grupos por dia. Um organizador explicou a lógica: a cada 10 mil seguidores no canal, são liberados três grupos. As conversas só ficam abertas em horários marcados, para que os administradores consigam acompanhar.
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De onde veio a ideia
O nome brinca com o “Ministério do Namoro”, uma piada da campanha de 2022. Lula nunca criou um ministério assim: a história nasceu como meme, o presidente comentou o assunto em tom de brincadeira e, em 2023, pediu desculpas por não ter cumprido a “promessa”. Existe também uma página no Instagram com esse nome, no ar desde 2023, que se apresenta como não oficial e tinha cerca de 75 mil seguidores nos relatos mais recentes. Os grupos de WhatsApp surgiram depois do segundo turno, que terminou em 25 de outubro com a reeleição de Lula.
A ligação com Janones e o Exército do Lula
Os organizadores dizem que se inspiraram no Exército do Lula, o canal de WhatsApp criado pelo deputado André Janones (Rede-MG) para a campanha de Lula. O canal de Janones passou de 10 milhões de inscritos antes da eleição, e a Folha já mostrou o fenômeno em Lula diz que vai falar pelo canal do Janones, sem a interpretação da imprensa e em live de Janones passa de 300 mil pessoas ao vivo. O novo canal copia o vocabulário dele, com palavras como “missão” e “urgente”, e brinca com “soldadinhes do amor”. Isso é inspiração de estilo. Nenhum relato indica que Janones tenha criado ou administre os grupos, e a Folha não achou nenhuma declaração dele sobre o assunto, como já havia acontecido em Rony Gabriel e o Fantástico: o que é fato no vídeo contra o perfil de Janones.
O que os números mostram e o que não dá para confirmar
Os números mudam conforme a fonte e o dia. Uma contagem fala em cerca de 5 mil seguidores nas primeiras quatro horas, perto de 30 mil na manhã seguinte e mais de 58 mil até domingo (1º), com ao menos 15 grupos. Outra fala em mais de 18 grupos e mais de 18 mil participantes. A diferença pode vir de datas diferentes ou da forma de contar, já que seguidores do canal e participantes dos grupos são coisas distintas. A Folha não conseguiu conferir a contagem atual, e os organizadores não são identificados por nome.
Também não há como confirmar que todos os integrantes sejam, de fato, eleitores de Lula, nem que todos tenham mais de 18 anos, regra que depende da palavra de quem entra. O rótulo de “petistas” que aparece em algumas publicações não tem base nos relatos, que falam em militantes, sem ligação partidária demonstrada.
Alpha for MenCuidados ao entrar em grupo de desconhecidos
Como em qualquer grupo grande de mensagens, vale pensar no que se expõe. A ficha pede orientação sexual e Instagram, informações pessoais que ficam visíveis para até mais de mil estranhos. O melhor é não passar endereço, local de trabalho ou documentos, e combinar o primeiro encontro em lugar público. A Autoridade Nacional de Proteção de Dados explica os direitos de quem tem dados pessoais tratados no site da ANPD. A Folha atualiza esta reportagem se os organizadores se identificarem ou se Janones, o PT ou o governo se manifestarem.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






