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Audiência das bets no STF: Fux ouve 34 expositores e termina sem decisão, enquanto Lula pede que o país acompanhe

A audiência sobre a proibição das bets terminou por volta das 13h sem decisão. Houve embate sobre a MP 1.394/2026, o prejuízo dos clubes e o peso dos convidados.

Lula sobre fundo de fichas e caça-níquel, em arte sobre a audiência das bets no STF
Lula sobre fundo de fichas e caça-níquel, em arte sobre a audiência das bets no STF

A audiência das bets no STF terminou por volta das 13h desta terça-feira (3) sem decisão sobre a proibição das apostas de cota fixa. Convocada pelo ministro Luiz Fux, relator da ADI 8027, ela começou às 10h com 34 expositores, entre representantes do governo, de clubes de futebol e de empresas do setor, e estava prevista para ir até as 17h30.

Horas antes, em vídeo divulgado nas redes sociais, o presidente Lula pediu que a sociedade acompanhasse a audiência e questionou a composição dos convidados. A queixa se soma a outras que já circulavam sobre quem o Supremo escolheu ouvir.

O que o Supremo discute: a MP 1.394/2026 e a ADI 8027

A medida provisória 1.394/2026, editada em setembro, proibiu as apostas de cota fixa em todo o país. A ação que levou o caso ao plenário foi apresentada pela Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL), que pede ao STF que declare a MP inconstitucional e a Lei das Bets válida. Depois da edição da MP, a Advocacia-Geral da União (AGU) pediu a Fux que avaliasse a necessidade de uma nova audiência. Outras três ações, as ADIs 8024, 8028 e 8035, questionam a mesma norma.

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É a segunda audiência pública do tema. A primeira, em novembro de 2024, ouviu mais de 50 especialistas e representantes sobre a Lei 14.790/2023, a Lei das Bets. Na ocasião, falaram entidades como a Associação Brasileira de Psiquiatria, o Instituto Alana e a Educafro, que trataram de jogo patológico e de endividamento de famílias de baixa renda. Cada entidade teve dez minutos nesta terça, e a sessão foi transmitida pela TV Justiça e pelo canal do STF no YouTube, como informou o próprio portal de notícias do STF.

A Folha já acompanhava o caso. Quando a proibição foi anunciada, mostramos que a MP previa tirar os sites do ar em 6 de outubro, e depois que Fux avaliava adiar a decisão para depois do segundo turno.

Lula posa com participantes de reunião sobre bets no Planalto, antes da audiência das bets no STF
Lula em reunião sobre as bets no Palácio do Planalto, em 1º de setembro. Foto: Lula Oficial

Quem falou e o que disse

Na abertura, Fux respondeu às críticas de que teria chamado só empresas e clubes: “Não procede a alegação de que eu só convoquei empresas e times de futebol”. O ministro lembrou que entidades contrárias às bets já tiveram amplo espaço de fala na audiência de 2024 e disse que agora precisa ouvir argumentos que a MP trouxe, como confiança legítima, segurança jurídica e reflexos econômicos e de segurança pública.

O advogado-geral da União, Jorge Messias, defendeu a constitucionalidade da medida. Ele afirmou que a regulamentação não bastou para conter os efeitos das apostas na saúde pública e nas famílias, e citou R$ 620 bilhões apostados em plataformas autorizadas em 2025, com receita de R$ 36,9 bilhões para as operadoras. O ministro da Justiça, Wellington César Lima e Silva, disse que 10,9 milhões de brasileiros apostam de forma arriscada e que 1,4 milhão mostram sinais de transtorno do jogo. A primeira-dama Janja Lula da Silva entregou a Fux um relatório sobre o peso das apostas no orçamento das famílias.

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Do outro lado, os clubes falaram em dinheiro. O Flamengo estimou uma perda de cerca de R$ 430 milhões por ano em receitas do futebol e dos esportes olímpicos e disse que tem mais de 1.200 empregados que podem ser afetados. O São Paulo informou ter recebido cerca de R$ 101 milhões em patrocínios ligados ao setor entre janeiro e setembro, em torno de 30% da receita do período. A federação dos atletas profissionais, a Fenapaf, falou em mais de 88 mil jogadores e disse que repasses a que eles teriam direito não saíram por entraves burocráticos. Botafogo e Fluminense criticaram o prazo de transição de dez dias. Como a Folha mostrou, os clubes já tinham se mobilizado, com o manifesto de Atlético, Cruzeiro e América sobre as bets.

A polêmica sobre a lista de convidados

A lista de expositores cresceu de 26 para 28 e, por fim, para 34 nomes. Um levantamento divulgado antes da audiência apontou que ao menos 22 dos 34 se posicionaram contra a proibição. A AGU pediu a revisão da lista, com o argumento de que ela concentrava representantes de clubes e de empresas de apostas. Oito entidades de defesa do consumidor assinaram uma nota reclamando da ausência de representantes dos apostadores, e o Idec, que pediu um lugar, não foi incluído. Outras 39 organizações, entre elas o Instituto Alana, a Sociedade Brasileira de Pediatria e a Oxfam Brasil, pediram uma composição mais plural ou uma sessão complementar. A deputada Erika Hilton (PSOL-SP) também chamou a atenção para o peso dos convidados favoráveis às apostas.

O que muda para o consumidor

Por enquanto, nada na prática: a audiência serve para o relator colher argumentos, e a Folha não encontrou decisão do STF que suspenda ou mantenha a MP. Quem tem reclamação contra uma plataforma de apostas, como cobrança indevida ou dificuldade para sacar um valor, pode registrá-la no Procon Municipal de Patrocínio, que atende os consumidores da cidade.

O que falta para o STF decidir

Os ministros ainda precisam julgar as ações. A Folha não encontrou data marcada para o julgamento nem manifestação de Fux sobre o que fará com o material colhido. A Folha atualiza esta reportagem quando houver decisão ou nova data.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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