Crime organizado no Brasil: Nikolas fala em 50 milhões, e pesquisa mostra de 31,9 a 68,7 milhões
O número do deputado fica entre as duas medidas do Datafolha/Fórum de Segurança: 42,2 milhões dizem que o crime dita regras no bairro.

O crime organizado no Brasil está presente no bairro de 68,7 milhões de pessoas, segundo a pesquisa mais recente do Datafolha encomendada pelo Fórum Brasileiro de Segurança Pública. O número entrou de novo no debate nesta semana, quando circulou nas redes um card com uma frase atribuída ao deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), que fala em “50 milhões de pessoas” sob a lei do crime.
A Folha não encontrou registro de quando nem onde essa frase do card foi dita, e por isso não a trata como declaração confirmada. O que tem registro oficial é outra fala do deputado, de 16 de setembro de 2025, no plenário da Câmara dos Deputados: “50 milhões de pessoas vivem sob o jugo das regras do crime organizado no Brasil”. A Folha comparou esse número com a pesquisa mais recente sobre o tema.
O que a pesquisa mede
O número do deputado fica dentro da faixa medida pela pesquisa, mas o resultado depende do que se chama de “viver sob o crime”. O relatório “Medo do crime e eleições 2026”, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, traz três recortes diferentes da mesma pesquisa:
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OnNet TelecomMuito mais opções para viver cada história do seu jeito.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O primeiro é a presença. Segundo o relatório, 41,2% dos brasileiros com 16 anos ou mais reconhecem, no próprio bairro, a presença de grupos criminosos ligados ao tráfico ou a milícias. Isso equivale a 68,7 milhões de pessoas.
O segundo é a influência. Entre quem percebe esses grupos no bairro, 34,9% dizem que eles influenciam muito as regras de convivência local, e 26,5% dizem que influenciam moderadamente. Somados, são 61,4%, o que o Fórum calcula em cerca de 42,2 milhões de pessoas vivendo em lugares onde o crime organizado é visto como força que regula a vida do bairro.
O terceiro é a visibilidade. Ainda entre os que percebem a presença, 21,1% dizem que a atuação desses grupos é visível e 25,3% que é muito visível. Juntos, são 46,4%, ou cerca de 31,9 milhões de pessoas.

Crime organizado no Brasil: o número de Nikolas resiste à checagem?
Pela medida mais próxima da frase dele, a de quem diz que o crime dita as regras do bairro, o total é de 42,2 milhões, abaixo dos 50 milhões. Pela medida mais ampla, a de quem convive com facção ou milícia no bairro, o total é de 68,7 milhões, acima. O número citado pelo deputado é uma estimativa arredondada que cabe entre as duas medidas da pesquisa, e não um dado oficial com esse valor exato.
Alpha for MenHá ainda uma diferença de calendário. Quando Nikolas falou em 50 milhões, em setembro de 2025, o levantamento de 2026 ainda não existia. A pesquisa atual foi a campo em março e saiu em maio, e por isso serve para conferir o número hoje, mas não era a base que o deputado tinha à mão naquele discurso.
A pesquisa trabalha com a percepção dos moradores. Ela não é um mapa de território dominado e não diz que todas essas pessoas estão sob controle armado. Mede o que o morador vê e sente no próprio bairro, e o próprio Fórum escreve que a atuação desses grupos não é percebida como algo excepcional ou restrito a áreas muito específicas.

O debate da PEC da Segurança
O tema voltou ao centro da política nesta semana. O Senado aprovou na terça-feira (3) a PEC da Segurança Pública, que põe o Sistema Único de Segurança Pública na Constituição e endurece o combate a facções e milícias. O presidente Lula comemorou a aprovação nas redes e confirmou a criação de um Ministério da Segurança Pública.
A oposição criticou a retirada da redução da maioridade penal do texto. Como a Folha mostrou, a maioridade penal ficou fora da PEC da Segurança por 38 votos a 36, e o assunto voltou à pauta com a proposta de votar a redução na Câmara. Nikolas, que defende a redução, também tem trocado críticas com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre, e o voto à distância de senadores na PEC virou disputa, como no pedido de anulação feito por Randolfe Rodrigues.
Como a Folha checou
A Folha conferiu os três números no resumo executivo do relatório do Fórum Brasileiro de Segurança Pública e a fala de setembro de 2025 nas notas taquigráficas da Câmara dos Deputados. O relatório completo está disponível no site do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. A frase do card que circula nas redes não foi usada como declaração do deputado porque não foi localizada em discurso, entrevista ou publicação dele.
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