Carcereiro de Lula conta em livro que o presidente chamou Fux de “canalha” e Cármen Lúcia de “falsa humilde”
Agente da PF diz no livro "Banho de Sol" que Lula xingava ministros do STF na prisão e elogiava Gilmar e Celso de Mello.

O carcereiro de Lula na Polícia Federal em Curitiba, o agente Jorge Chastalo Filho, conta em livro que o presidente chamou a ministra Cármen Lúcia de “falsa humilde” e “miserável” e o ministro Luiz Fux de “canalha” durante os 580 dias em que ficou preso. “Banho de Sol: os 580 dias de Lula na prisão” foi lançado na terça-feira (3) pela editora WMF Martins Fontes, tem 592 páginas e prefácio do jornalista Juca Kfouri.
Chastalo chefiava a equipe da carceragem da Superintendência da PF no Paraná e anotou o dia a dia num diário. O livro reproduz conversas atribuídas a Lula. As frases vêm da memória e das anotações do autor e não foram confirmadas de forma independente. Até a publicação desta matéria, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal não tinham respondido aos pedidos de comentário sobre o livro, e nem o PT nem os ministros citados tinham se manifestado.
O que o livro diz sobre Cármen Lúcia
Segundo o relato, foi em julho de 2018 que Lula falou da ministra. “A Cármen é uma falsa humilde, Chastalo”, teria dito. Ele lembrou que ela foi indicada ao STF por ele em 2006 e que, ao pedir a vaga, prometeu nunca esquecer o gesto. Lula contou que acreditou na conversa sobre gratidão.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Em outro momento, de acordo com o autor, Lula disse ter passado um dia inteiro com raiva da ministra e a chamou de “miserável”. Também a descreveu como “insegura”. Cármen Lúcia presidia o Supremo em abril de 2018, quando a Corte negou o habeas corpus que tentava evitar a prisão.
Fux, Barroso e os outros ministros
Sobre Fux, o livro relata que Lula afirmou nunca ter confiado nele e o chamou de “canalha”. Fux foi indicado por Dilma Rousseff em 2011, e Lula teria atribuído a escolha a pedidos de Antonio Palocci e Sérgio Cabral. A irritação, segundo o autor, veio depois que Fux derrubou a autorização dada por Ricardo Lewandowski para que Lula desse entrevistas a jornais de dentro da prisão, em 2018.
Luís Roberto Barroso, que se aposentou do STF em outubro de 2025, aparece numa frase curta: para Lula, ele “era advogado da Rede Globo”, referência ao trabalho do ministro como advogado antes de chegar ao tribunal. O agente conta que comentou certa vez que Barroso e Alexandre de Moraes eram os ministros “mais inteligentes” da Corte, e que Lula concordou.
O livro traz ainda ataques de Lula a Edson Fachin, hoje presidente do STF, com palavrões que a Folha não reproduz. Sobre a maioria dos ministros, Lula teria usado uma expressão de baixo calão para dizer que eles fugiam de qualquer decisão capaz de gerar repercussão negativa na imprensa. A Folha já mostrou outras disputas recentes envolvendo o tribunal, como o pedido contra Moraes que Fachin arquivou.
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Os elogios a Gilmar e Celso de Mello
Nem todos os ministros saem mal no relato. Segundo Chastalo, Lula via Gilmar Mendes e Celso de Mello como exceções e os citava como juízes com coragem para decidir. Celso de Mello se aposentou em 2020. Gilmar segue no tribunal e é o ministro mais antigo da Corte.
O relato não fica só na política. Inclui a chegada de helicóptero a Curitiba, a cela com cama de solteiro e o pátio que Lula comparou a uma jaula, episódios contados na primeira reportagem da Folha sobre o livro.
Como a prisão terminou
Lula se entregou à PF em 7 de abril de 2018 e saiu em 8 de novembro de 2019, um dia depois de o Supremo Tribunal Federal decidir, por 6 votos a 5, que a pena só pode ser cumprida depois de esgotados todos os recursos, o fim da prisão após condenação em segunda instância.
Em 8 de março de 2021, o próprio Fachin anulou as condenações de Lula na Lava Jato, nos casos do triplex do Guarujá e do sítio de Atibaia, por entender que a 13ª Vara Federal de Curitiba não era competente para julgá-los. Em 15 de abril daquele ano, o plenário manteve a decisão por 8 votos a 3. Hoje a pressão sobre a Corte vem de outros lados: uma senadora eleita do PT já defende o impeachment de ministros do STF se o tribunal não agir no caso Master.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






