Livro sobre a prisão de Lula: agente da PF relata os 580 dias em Curitiba, o voo de helicóptero e a cela
Jorge Chastalo Filho, que chefiava a carceragem da PF no Paraná, lançou um diário de 592 páginas. É o relato do autor, e a Folha não confirmou os episódios de forma independente.

O livro sobre a prisão de Lula, “Banho de Sol: os 580 dias da prisão de Lula”, foi lançado nesta terça-feira (3) pelo agente da Polícia Federal Jorge Chastalo Filho, que relata, em formato de diário, a rotina do presidente na carceragem da PF em Curitiba, entre abril de 2018 e novembro de 2019. Chastalo era o responsável pela carceragem da superintendência no Paraná. A obra tem 592 páginas, é publicada pela WMF Martins Fontes e traz prefácio do jornalista Juca Kfouri.
Tudo o que está no livro é o relato do próprio autor, e a Folha não conseguiu confirmar os episódios de forma independente. Até a publicação desta reportagem, não havia posição do presidente nem da Polícia Federal sobre o conteúdo. Abaixo, o que o livro conta, atribuído ao autor.
O voo de helicóptero até Curitiba
Segundo o livro, o helicóptero que levou Lula do aeroporto de São José dos Pinhais à sede da PF, em 6 de abril de 2018, fez um voo de cerca de 15 minutos. Chastalo conta que, durante o trajeto, pessoas em outras aeronaves invadiram a frequência de rádio com frases como “Joguem esse lixo pela janela” e “Não o soltem nunca mais”.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O comandante da PF teria pedido respeito ao trabalho da equipe e que só o essencial fosse dito pelo rádio. Uma controladora de voo ainda alertou que toda a comunicação era gravada. Depois do pouso, o agente descreve manifestações de apoio e de repúdio do lado de fora, com fogos de artifício e gritos de ódio.
A chegada e a cela, segundo o agente
Chastalo relata que a preparação para a chegada de Lula começou três dias antes, com quatro planos de segurança diferentes, e que a própria equipe duvidava de que a prisão ocorreria. O livro não revela qual plano foi usado. O agente diz ter dormido menos de quatro horas por noite nesse período.
No relato, Lula foi levado rapidamente ao gabinete da superintendência, de fisionomia abatida e em silêncio. Já no segundo dia, o autor conta que optou por marmitas de um restaurante de fora, por temer envenenamento. O primeiro banho de sol, que dá nome ao livro, aconteceu no quarto dia, em um pátio que o presidente teria comparado a uma jaula.
A cela, segundo a descrição, tinha uma cama de solteiro, uma mesa de alumínio, uma cadeira e um armário antigo. As duas janelas eram gradeadas, com abertura máxima de dez centímetros, e itens como barbeador e cortador de unhas só eram entregues sob pedido.
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O que o livro diz sobre as conversas
O diário traz centenas de conversas entre o agente e o presidente, além de visitas e reflexões sobre política. Em um dos trechos divulgados, Chastalo conta que Lula, durante um almoço entregue na cela a pedido de um assessor, disse que “um dia o país ainda vai ver quem é realmente o bandido nesta história”. Como todo o livro, a frase é o registro do autor, e não há gravação ou outra testemunha citada.
Como a prisão terminou
Lula ficou preso por 580 dias e foi solto em novembro de 2019, depois que o Supremo Tribunal Federal proibiu a execução da pena antes do fim dos recursos. Em 2021, o STF anulou as condenações do Paraná. A Polícia Federal mantém os comunicados oficiais em sua página de notícias, onde uma eventual manifestação sobre o livro pode ser conferida.
O lançamento acontece em um momento em que a agenda do presidente está cheia. A Folha mostrou, em as viagens previstas de Lula até dezembro, o roteiro de compromissos, e em o dólar desde a eleição, como o mercado reage às movimentações do governo. Outro tema que cruza a política nacional é a foto de Bolsonaro mostrada na tribuna do Senado.
O que a Folha ainda não sabe
Faltam a confirmação independente dos episódios, a resposta de Lula e da Polícia Federal e a data e o local da imagem usada nas divulgações do livro. A Folha atualiza esta reportagem quando houver posição oficial de alguma das partes.
Reprodução. Lula ao lado de agentes da Polícia Federal; a data e o local da imagem não foram informados.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






