Cerrado Mineiro na Itália: delegação do café da região fecha semana de negócios em Trieste e Roma
A Federação dos Cafeicultores do Cerrado levou o selo de Denominação de Origem à feira de Trieste e à embaixada em Roma, de olho em 600 mil sacas certificadas na próxima safra.

O Cerrado Mineiro na Itália foi o assunto da semana para quem vive de café em Patrocínio (MG). Uma delegação do setor cafeeiro da região participou da Triestespresso 2026, feira de café realizada em Trieste, no nordeste da Itália, e encerrou a presença na sexta-feira (23) com rodadas de negócios com torrefadores italianos e reuniões em Roma. A meta, segundo a Federação dos Cafeicultores do Cerrado, é vender mais diretamente e agregar valor às sacas de municípios como Patrocínio, por meio do selo de Denominação de Origem (DO).
O que a delegação levou a Trieste
A comitiva institucional foi representada na Itália por Thiago Furlaneto, coordenador da DO na Federação. Na feira, a delegação apresentou os critérios de rastreabilidade, qualidade e sustentabilidade socioambiental dos grãos da região e participou de encontros comerciais com torrefadores italianos. A Triestespresso é descrita como uma das feiras de café mais influentes da Europa.
O convite veio da Qahwa, importadora europeia que compra café certificado diretamente de cooperativas do Cerrado Mineiro, inclusive as que recebem a produção de cafeicultores de Patrocínio, e revende a torrefadores da Itália e de outros países europeus. A parceria nasceu depois de rodadas de negociação em Roma e de uma visita técnica a fazendas da região, em julho de 2025.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Para Furlaneto, a experiência mostra que “a promoção da Denominação de Origem pode contribuir para aproximar as cooperativas” dos torrefadores europeus. O diretor executivo da Federação, Juliano Tarabal, disse que ligar produtores, cooperativas locais, como a Expocacer e a Cooxupé, e compradores finais leva a mais rentabilidade e a um posicionamento estratégico melhor nos mercados internacionais.
Reuniões em Roma para abrir a porta da União Europeia
Na sexta-feira, a agenda saiu da feira e foi para a diplomacia. A delegação esteve na Embaixada do Brasil em Roma e conversou com representantes do Ministério das Relações Exteriores da Itália. O objetivo, segundo a Federação, é abrir canais institucionais que facilitem a entrada de café rastreável e certificado no mercado da União Europeia, hoje o principal destino do café com selo da região.

Quanto o selo já vale: os números da última safra
Os dados mais recentes da Federação, divulgados em julho, mostram o peso da Europa. Na safra 2025/2026, o Cerrado Mineiro certificou 419,9 mil sacas de 60 quilos com DO. Do volume exportado, a Europa ficou com 132,2 mil sacas, ou 68,5%, e a América do Norte, com 22%. Itália, Estados Unidos, Polônia, Reino Unido e Espanha, juntos, responderam por 61,3% do café certificado enviado ao exterior.
A base de rastreabilidade da Federação registra 279 compradores, e os 20 maiores concentram 68,5% do volume. Cerca de 10 milhões de selos de DO já foram aplicados em embalagens de café, o que leva a origem da região a consumidores de mais de 50 países. Quem produz são cerca de 4.500 cafeicultores em 55 municípios.
Alpha for MenA Federação projeta certificar pelo menos 600 mil sacas na safra 2026/2027, uma alta de 42,9% sobre o ciclo encerrado em junho. “Há poucos anos, certificávamos cerca de 150 mil sacas por safra”, disse Tarabal na divulgação dos números. Em outubro de 2024, a entidade já tinha levado ao país um roteiro de promoção por Milão, Florença e Roma, e a Itália segue no topo da lista de compradores.
O que ainda não se sabe
A Federação não divulgou, até agora, volumes, valores nem contratos fechados na viagem a Trieste. Também não informou quantos produtores de Patrocínio estiveram na comitiva. O que se tem de concreto é a parceria com a Qahwa, que já compra café das cooperativas que recebem a produção da cidade, e a agenda em Roma para facilitar a entrada do grão certificado no bloco europeu.
Para o produtor de Patrocínio, a notícia mostra um caminho de venda que passa menos por intermediários. A Expocacer, cooperativa sediada na cidade, é uma das que abastecem esse circuito, e os cafés premiados da região aparecem na reportagem sobre os campeões Expocacer 2026. A cotação do dia está na página preço do café hoje em Patrocínio, e o reflexo do dólar sobre o grão é tema da reportagem do dia sobre o circuit breaker na B3 e o dólar a R$ 5,60. Outro destaque do café da cidade nesta semana é a cafeteria Dulcerrado, entre as melhores do Brasil.
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