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Café parado no porto tira 602 mil sacas por mês do embarque

Balanço do Cecafé mostra 55% dos navios com atraso ou troca de escala em 2025 e um prejuízo de R$ 66,1 milhões. A conta chega ao produtor do Cerrado.

Navio cargueiro no canal do Porto de Santos, saída do café parado no porto rumo ao exterior
Navio cargueiro no canal do Porto de Santos, saída do café parado no porto rumo ao exterior

Em 2025, 602 mil sacas de café deixaram de embarcar todo mês porque o navio atrasou, mudou de escala ou não tinha onde encostar. É café já colhido e já beneficiado, parado esperando vaga. O café parado no porto custou R$ 66,1 milhões aos exportadores associados ao Cecafé no acumulado do ano, em armazenagem extra, pré-stacking e detention. Patrocínio, que é o município que mais produz café no Brasil, paga parte dessa conta sem nunca ver o porto.

Os números estão no balanço que o Conselho dos Exportadores de Café do Brasil levou na quinta-feira (3) a uma reunião no Ministério de Portos e Aeroportos, em Brasília. O encontro juntou entidades do setor privado e a Agência Nacional de Transportes Aquaviários para montar o Monitoramento da Saturação Portuária, ferramenta que vai comparar a demanda projetada com a capacidade que os portos de fato têm.

Quanto custa o café parado no porto

A taxa de falha é o número que explica o resto. Na média mensal de 2025, 55% dos navios enfrentaram atraso ou alteração de escala nos principais portos brasileiros. Cada mudança dessas vira rolagem de carga, pátio lotado e fila de caminhão, e no fim o exportador paga por dia de armazém que não estava no orçamento.

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O Cecafé só conseguiu medir isso porque criou uma régua própria. Em 2023, junto com a ElloX Digital, a entidade montou o boletim Detention Zero, que rastreia atraso de embarque contêiner a contêiner. Segundo o diretor técnico Eduardo Heron, foi por esse levantamento que o governo federal passou a enxergar um problema que os próprios recordes de exportação escondiam: o país embarcava muito e, ainda assim, deixava carga para trás todo mês.

Na escala de quem produz aqui, as 602 mil sacas mensais ficam mais concretas. Patrocínio colheu 64.225 toneladas de café em 2024, pelo levantamento do IBGE, o equivalente a cerca de 1,07 milhão de sacas de 60 quilos. Em dois meses, portanto, o café parado no porto do país inteiro supera uma safra completa do maior município cafeeiro do Brasil. No acumulado de um ano, passa de sete safras de Patrocínio.

Guindastes e pilhas de contêineres no terminal do Porto de Santos, onde se acumula o café parado no porto
Terminal de contêineres do Porto de Santos, principal saída do café do Cerrado Mineiro. Foto: Mike Peel/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

O que a nova ferramenta pretende fazer

O Monitoramento da Saturação Portuária nasce sob condução da Secretaria Nacional de Portos e vai olhar três frentes ao mesmo tempo: previsão de demanda, cálculo de capacidade e indicadores de nível de serviço. O escopo cobre o acesso aquaviário, os terminais e as estradas que chegam ao porto, incluindo os terminais de uso privado.

André de Seixas, que preside a associação Logística Brasil e também esteve na reunião, disse que a entrega prevista é um painel de indicadores mais um balanço entre demanda e capacidade de cada complexo portuário. As publicações anuais devem começar em 2027 e ir até 2030, com a metodologia sendo ajustada a cada rodada.

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É um horizonte longo para quem tem carga esperando embarque agora. Heron avalia que a iniciativa responde ao que o Cecafé vem pedindo há anos aos órgãos públicos, que é mapear o gargalo antes que ele estoure, em vez de reagir depois que a fila já se formou.

Por que isso chega a Patrocínio

A safra brasileira 2026/27 é recorde e o país deve exportar perto de 49 milhões de sacas nesta temporada, contra algo em torno de 38 milhões no ciclo anterior. São 11 milhões de sacas a mais competindo pelo mesmo cais, pelos mesmos contêineres e pelos mesmos navios que já falhavam em mais da metade das escalas.

No Cerrado Mineiro a colheita praticamente acabou. O levantamento mais recente da Expocacer, a cooperativa sediada em Patrocínio, mostrava 93% da lavoura colhida e 77% do volume beneficiado até o fim de agosto. O café está pronto, e o que decide quando ele vira dinheiro na conta do produtor deixou de ser a fazenda. Passou a ser o calendário de embarque, a mais de 700 quilômetros dali.

Isso muda o cálculo de quem vende. Quando a fila é longa, o preço do lote embute o custo de esperar, e quem tem estrutura para segurar café aguenta melhor que quem precisa vender para pagar a colheita. Os armazéns lotados da região já vinham empurrando produtor a vender antes da hora, num mês em que o arábica caía na bolsa de Nova York. O café parado no porto é a etapa seguinte da mesma fila.

O que se sabe até agora

A reunião do grupo de trabalho foi técnica e não produziu decisão de investimento. Existe um cronograma de implantação e o compromisso de ouvir as entidades privadas que usam os portos. Nenhuma obra foi anunciada, e nenhum prazo de melhora foi dado para a safra que está sendo embarcada agora nem para o café parado no porto que já se acumulou.

Para o produtor de Patrocínio, o efeito prático de curto prazo é o de sempre nos anos de safra grande: negociar prazo de entrega com atenção, conferir a capacidade real do armazém antes de fechar e acompanhar o calendário de embarque do comprador. A projeção de 49 milhões de sacas para 2026 continua valendo, mas ela só se cumpre se o navio sair.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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