Renan Santos e Lula: fundador do MBL chama o petista de “político mais importante dos últimos 50 anos”, mas segue neutro no 2º turno
Na live desta quinta (22), Renan disse que liberou os eleitores e espera voto nulo; na Quaest de 21/10, 51% de quem votou nele diz Flávio, e 25%, Lula.

Renan Santos e Lula apareceram juntos na mesma frase nesta quinta-feira (22), a três dias do 2º turno. Em live no próprio canal no YouTube, o fundador do MBL e candidato do Missão à Presidência no 1º turno disse que o petista “foi o político mais importante dos últimos 50 anos no Brasil”. Na sequência, emendou: “O Lula é um inimigo natural nosso”. E repetiu que não apoia nem Lula nem Flávio Bolsonaro (PL) no domingo (25).
A posição de Renan pesa na conta porque os votos dele, sozinhos, passam da distância que separou os dois finalistas no 1º turno. Segundo o TSE, ele teve 2.675.887 votos (2,24% dos válidos) e ficou em quarto lugar. Flávio terminou à frente de Lula por 2.224.965 votos. Em Patrocínio (MG), Renan teve 902 votos, 1,78% dos válidos, e ficou em quinto.
Renan Santos e Lula: o que foi dito na live
A frase saiu nos primeiros cinco minutos da transmissão “Análises Renais” desta quinta, que passou de duas horas. Renan respondia ao deputado federal eleito Jeffrey Chiquini (Novo-PR), o mais votado do Paraná, que na quarta-feira (21) publicou um vídeo em que o chama de “Lula da geração Z”. Na live, Renan ironizou o apelido e disse que Lula “venceu três eleições” e foi “o político mais importante dos últimos 50 anos no Brasil”.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Um dos participantes da live alertou que a frase poderia soar como defesa do presidente. Renan repetiu a avaliação e citou os números: Lula foi presidente três vezes, disputa o quarto mandato com chance de vencer e elegeu Dilma Rousseff duas vezes. Em seguida, fez a ressalva: “Estamos num país de pessoas realmente muito ignorantes e maldosas. Você não pode atestar o óbvio. O Lula é um inimigo natural nosso. Nós surgimos destruindo e atacando ele”.
A briga entre Renan Santos e Lula vem de longe. O MBL nasceu em 2014 e ganhou projeção nas manifestações pelo impeachment de Dilma, em 2015 e 2016. O Missão é o partido criado pelo grupo, e Renan foi o candidato da legenda à Presidência neste ano.

Neutralidade no 2º turno e torcida pelo voto nulo
Perto da metade da live, Renan voltou ao 2º turno. “Eu liberei a galera para votar em quem quiser. Espero que votem nulo”, disse. Ele também comparou as duas opções: “Eu acho um absurdo um eleitor nosso votar no PT, e eu acho humilhante, que é diferente de absurdo, votar no Bolsonaro”.
Alpha for MenRenan já tinha dito isso antes. Em transmissão no dia 5 de outubro, depois da apuração do 1º turno, ele já tinha dito que não apoiaria nenhum dos dois finalistas, resumiu a disputa com “Flávio é bandido. Lula é bandido” e disse aos eleitores: “Façam o que quiserem”. Entre os candidatos que passaram de 1 milhão de votos no 1º turno, Renan é o único que não declarou apoio a Lula nem a Flávio. Ronaldo Caiado (PSD) anunciou apoio a Flávio no dia 6, e Augusto Cury (Avante) fez o mesmo no dia 8.
Na mesma live desta quinta, Renan disse ver Flávio como “o grande favorito” no domingo e pediu filiações ao Missão, com o argumento de que o grupo precisa se organizar para a eleição de 2028.
Reações à direita e nos comitês
A crítica mais dura à neutralidade veio da direita. No vídeo de quarta, Chiquini atacou Renan e pediu voto em Flávio, o 22. Na live, Renan respondeu que “o deputado mais votado do Paraná só fez um vídeo me xingando”. Chiquini teve 425.399 votos, 6,81% dos válidos no estado, segundo o TSE.
Até a publicação desta matéria, a Folha não encontrou manifestação de Lula, do PT, de Flávio ou do PL, em perfis oficiais, sobre a fala de Renan nesta quinta. O Missão também não divulgou nota oficial sobre o 2º turno além do que Renan disse nas transmissões.
Para onde vão os votos de Renan Santos
Mesmo com o líder neutro, a maior parte de quem votou em Renan diz que vai escolher Flávio. Na pesquisa Genial/Quaest divulgada na quarta (21), com entrevistas de 17 a 20 de outubro, 51% dos eleitores de Renan no 1º turno disseram que votam em Flávio, 25% em Lula e 24% em branco, nulo ou não vão votar. Na rodada anterior, divulgada em 14 de outubro, eram 40% para Flávio, 14% para Lula e 43% em branco, nulo ou fora da urna. Os dois candidatos cresceram nesse grupo, e o voto nulo, que Renan defende, caiu quase pela metade.

Os eleitores de Renan, de Caiado e de Augusto Cury (Avante) são cerca de 2% de cada amostra. Por isso a margem de erro nesses recortes é bem maior que a da pesquisa inteira, e os percentuais indicam uma tendência, com pouca precisão. Na mesma Quaest de 21/10, quem votou em Caiado se divide em 57% para Flávio e 21% para Lula, e quem votou em Cury, em 48% para Lula e 33% para Flávio. A Folha já mostrou como os votos da terceira via se dividiam antes do 1º turno e reúne os levantamentos na página de pesquisas do segundo turno.
Renan Santos e Lula nas urnas de Patrocínio e de Minas
Em Minas Gerais, Renan teve 247.209 votos, 2,06% dos válidos, também em quarto lugar. Em Patrocínio, os 902 votos dele ficaram atrás dos de Cury (1.827) e de Caiado (1.161). Flávio venceu na cidade com 31.008 votos (61,18%), contra 15.427 de Lula (30,44%), como a Folha detalhou em Voto de Flávio em Patrocínio foi de 61,2% no 1º turno. Ou seja, mesmo que todos os eleitores de Renan na cidade mudassem de lado, a diferença local entre os dois finalistas, de 15.581 votos, não mudaria de dono.
No país, a conta é outra. A soma de quem ficou fora do 2º turno, os brancos, os nulos e quem faltou à urna está em Quantos são os votos em jogo no 2º turno. A votação de domingo vai das 8h às 17h, e a Folha acompanha o resultado na apuração em tempo real.
De onde vêm as informações
As falas de Renan Santos foram conferidas na gravação da live desta quinta-feira no canal dele no YouTube. Os votos são do resultado oficial do TSE para o 1º turno de 4 de outubro.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






