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“A gente só te deu um banho”: o que suspeitos de estupro coletivo em Goiás disseram à vítima

Jovem de 21 anos não lembrava de nada e procurou os homens; parte negou, parte admitiu e apagou a mensagem. Três adultos estão presos e um adolescente de 14 anos foi apreendido.

Estupro coletivo em Goiás: três suspeitos presos, de costas e algemados, diante do brasão da Polícia Civil
Estupro coletivo em Goiás: três suspeitos presos, de costas e algemados, diante do brasão da Polícia Civil

“Não aconteceu nada, não. A gente só te deu um banho.” Foi essa a resposta que parte dos suspeitos de um estupro coletivo em Goiás deu à vítima, uma jovem de 21 anos, quando ela os procurou para saber o que tinha acontecido. Segundo a Polícia Civil, a mulher não se lembrava de nada do período que passou numa quitinete em Bela Vista de Goiás, na Região Metropolitana de Goiânia.

As mensagens foram trocadas depois do crime, que aconteceu na segunda-feira (26). De acordo com a delegada Magda D’Ávila, responsável pelo caso, as respostas variaram. “Uns mentiram, outros falaram que teve relação, depois apagaram a mensagem”, disse ela em entrevista. A polícia analisa o que ficou no celular da jovem, inclusive o rastro das mensagens apagadas.

Estupro coletivo em Goiás: o que dizem as mensagens

A jovem só procurou os suspeitos porque uma testemunha contou a ela o que tinha visto. Até ali, a última lembrança dela era de ter bebido na quitinete. Ela começou a recobrar a consciência quando já estava no Centro da cidade. “Ela não sabe nem como saiu da quitinete”, afirmou a delegada.

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Sem acreditar no relato da testemunha, a vítima mandou mensagens aos homens que estavam no local. Alguns negaram tudo e disseram que só tinham dado banho nela. Outros admitiram ter mantido relações sexuais com a jovem e, depois, apagaram o que tinham escrito. Em depoimento à polícia, os investigados alegaram que houve consentimento.

Para a delegada, essa versão não se sustenta. “O fato de ela não ter capacidade de se expressar e de consentir com o ato é estupro de vulnerável”, explicou Magda. O Código Penal, no artigo 217-A, enquadra como estupro de vulnerável o ato sexual com quem, por qualquer causa, não pode oferecer resistência. A pena vai de 8 a 15 anos de prisão.

Lote com quitinetes em Bela Vista de Goiás onde, segundo a polícia, aconteceu o estupro coletivo
Lote em Bela Vista de Goiás onde fica a quitinete em que o crime aconteceu, segundo a Polícia Civil. Foto: Reprodução

Quem são os suspeitos

Três homens, de 21, 25 e 30 anos, foram presos em flagrante na terça-feira (27), dia em que a jovem foi à delegacia de Bela Vista de Goiás. Na quinta-feira (29), a Justiça converteu as prisões em preventivas. No mesmo dia, um adolescente de 14 anos, também apontado como participante, foi apreendido.

Segundo a investigação, os três adultos trabalham na mesma obra que o pai da vítima. O adolescente mora perto do lote e conhece os outros suspeitos. A polícia não divulgou o nome de nenhum dos investigados, e por isso as defesas não foram localizadas.

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Moradores do mesmo lote perceberam o que estava acontecendo. Uma mulher tentou intervir, mas, segundo o relato à polícia, a jovem estava tão desorientada que não conseguiu se afastar do grupo. Testemunhas disseram ainda que os suspeitos se revezaram nos abusos.

Corrupção de menores e a suspeita de que ela foi dopada

Além de estupro de vulnerável, os três adultos devem ser indiciados por corrupção de menores, porque, segundo a delegada, incentivaram o adolescente a participar. “Vou indiciar eles, além de estupro de vulnerável, por corrupção de menores, justamente porque eles fizeram isso e incentivaram o menor a fazer”, afirmou Magda. O adolescente vai responder por ato infracional análogo ao estupro de vulnerável, pelas regras do Estatuto da Criança e do Adolescente.

A polícia também apura se a bebida servida à jovem tinha alguma substância. Ela foi convidada à quitinete por um dos suspeitos. Essa hipótese ainda não foi confirmada e depende de laudo. A delegada disse que, por enquanto, são quatro suspeitos, e não descartou que haja outros envolvidos.

A participação de adolescentes em crimes graves voltou ao debate nacional nesta semana, depois que o presidente Lula defendeu reduzir a maioridade penal para 16 anos em crimes hediondos, como a Folha mostrou na reportagem sobre a maioridade penal. O estupro de vulnerável está na lista dos crimes hediondos.

Como está a vítima

A jovem recebe acompanhamento da Secretaria Municipal da Mulher de Bela Vista de Goiás. Segundo a delegada, ela segue muito abalada, quase não come e teve medo e vergonha de denunciar o crime. A investigação continua, e a polícia não informou prazo para concluir o inquérito.

Onde denunciar violência sexual

Casos de violência contra a mulher podem ser denunciados pelo Ligue 180, a Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas, de graça e com sigilo. Em emergência, o número é o 190, da Polícia Militar. A vítima de estupro tem direito a atendimento imediato no SUS, inclusive à profilaxia contra infecções sexualmente transmissíveis e à contracepção de emergência, de preferência nas primeiras 72 horas.

Em Patrocínio, a Folha noticiou nos últimos dias a prisão de um homem condenado por estupro de vulnerável em Patrocínio e o flagrante de importunação sexual no Centro da cidade. Outras ocorrências estão na editoria Policial.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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