Boicote a eleitores de Lula: PT aciona PF e cita Nikolas; em 2023, Haddad disse não comprar “nem um palito” de empresa
Cinco deputados do PT pedem investigação nacional de listas em ao menos oito estados; a fala de Haddad em Davos, sobre deixar de consumir de empresas, voltou a circular.

Deputados federais do PT pediram à Polícia Federal, à Procuradoria-Geral da República e ao Ministério Público do Trabalho uma investigação nacional sobre o boicote a eleitores de Lula, com listas que expõem comerciantes, profissionais e trabalhadores apontados como apoiadores do presidente. A representação, protocolada na quinta-feira (29), também pede que se apure a autoria de uma postagem atribuída ao deputado Nikolas Ferreira (PL-MG). O pedido reacendeu nas redes uma fala de Fernando Haddad (PT) de janeiro de 2023, quando ele, então ministro da Fazenda, disse no Fórum Econômico Mundial, em Davos, que não comprava “nem um palito de fósforo” de empresa sem compromisso com as questões dele.
Haddad não é citado no pedido dos deputados, e os dois casos não são iguais: um trata de consumidores que deixam de comprar de empresas, o outro de listas com nomes de pessoas e de incentivo a demissões. Mesmo assim, a comparação entre os dois tomou conta da discussão nas redes desde a quinta-feira.

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A representação tem 22 páginas e é assinada por cinco deputados federais do PT: Paulo Pimenta (RS), líder do governo na Câmara, Erika Kokay (DF), Maria do Rosário (RS), Bohn Gass (RS) e Alencar Santana (SP). Segundo o documento, listas com nomes de comerciantes, profissionais liberais e trabalhadores identificados como eleitores de Lula circularam depois do segundo turno em municípios de pelo menos oito unidades da Federação.
Os deputados afirmam que as listas têm formato e linguagem parecidos em estados diferentes. Por isso, pedem que a Polícia Federal verifique se houve atuação coordenada e identifique quem elaborou e quem espalhou o material. Ao Ministério Público do Trabalho, a representação leva os relatos de incentivo à demissão de funcionários por causa do voto.
O que o pedido diz sobre Nikolas Ferreira
O documento cita uma imagem com o identificador do perfil de Nikolas Ferreira no Instagram e a frase “Desafio lançado: coloque a bandeira do PT no seu estabelecimento”. Os deputados pedem que a autoria dessa publicação seja apurada, mas o próprio texto diz que não apresenta como comprovada a participação de Nikolas na organização ou na divulgação das listas.
Até a publicação desta reportagem, a Folha não encontrou manifestação pública de Nikolas sobre a representação, nem resposta da PF ou da PGR ao pedido. Sobre o boicote em si, o deputado já tinha falado na mesma quinta-feira, em vídeo nas redes: disse que quem foi chamado de “extremista” e “nazista” por votar na direita tem o direito de escolher onde gasta o próprio dinheiro, mas que deixar de ajudar alguém por causa do voto “não é atitude cristã”, como a Folha mostrou em Nikolas sobre o boicote.
Alpha for MenA fala de Haddad em Davos, em 2023
A declaração de Haddad é de 17 de janeiro de 2023, no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, nas primeiras semanas do governo Lula. Ao falar sobre o país depois da eleição de 2022, ele disse que, “em função do engajamento de algumas empresas com o governo extremista que foi derrotado, muita gente deixou de consumir os produtos dessas empresas”.
Na sequência, falou de si mesmo: disse que não comprava “nem um palito de fósforo” de uma empresa que não tivesse compromisso com as questões dele. O vídeo circulou na época e foi criticado como defesa do boicote a empresas por motivo político. Agora, com o PT pedindo investigação de boicote a eleitores do presidente, o trecho voltou a circular nas redes.
Onde está a diferença entre os dois casos
Deixar de comprar de uma empresa é uma escolha do consumidor e não é crime. O que os deputados do PT pedem que se investigue é outra coisa: listas com nomes de pessoas físicas, que podem expor alguém a constrangimento, e incentivo para que patrões demitam funcionários pelo voto. O Código Eleitoral pune quem usa ameaça ou coação para influenciar o voto, e a Justiça do Trabalho tem tratado a demissão por motivo político como discriminatória. Se houve crime em algum caso concreto, é o que a polícia e o Ministério Público vão ter de dizer.
A comparação que circula nas redes vai pelo outro lado: se um ministro do PT disse em público, em 2023, que deixava de comprar de empresas por causa das posições delas, o partido estaria agora pedindo investigação de uma escolha parecida feita pelo eleitor do adversário. A representação não cita a fala de Haddad. O foco do pedido são as listas com nomes de pessoas e a pressão por demissões.
Listas também apareceram em Patrocínio e na região
O tema chegou a Patrocínio (MG) na mesma semana. Listas pedindo boicote a comércios e profissionais apontados como eleitores do PT circularam em grupos de WhatsApp da cidade, de Patos de Minas e de Serra do Salitre, e dirigentes do PT local disseram ter levado denúncias ao Ministério Público e à Justiça Eleitoral, como a Folha mostrou em boicote a comerciantes em Patrocínio. Não há autor identificado das listas, e a Folha não divulga os nomes citados nelas.
Em Patos de Minas, a Polícia Civil orientou quem foi citado a registrar boletim de ocorrência com prints e mensagens, e a OAB local falou em possível calúnia, injúria ou difamação. O passo a passo está em lista de boicote em Patrocínio: o que a Polícia Civil e a OAB orientam.
O que acontece agora
A representação é um pedido. Cabe à PGR e à Polícia Federal decidir se abrem investigação e em que linha, e ao Ministério Público do Trabalho avaliar os casos de demissão. A Câmara dos Deputados mantém a lista dos parlamentares e os contatos dos gabinetes no site oficial da Câmara.
A imagem de abertura desta reportagem é uma montagem: as fotos de Haddad e de Nikolas são reais, e o fundo, com a rua de comércio e a lista colada na porta, é uma ilustração gerada por IA (Gemini). Não mostra um local real.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






