PF prende dois com 40 frascos de tirzepatida no Galeão, vindos de Foz do Iguaçu
Só na primeira quinzena de setembro, a Anvisa já tinha retido 347 unidades no aeroporto. Importar remédio sem registro dá 1 a 3 anos de reclusão, pela tese do STF.

Cada um carregava 20 frascos na mala despachada. A Polícia Federal prendeu em flagrante, na noite de terça-feira (27), dois homens que desembarcaram no Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro com 40 frascos de tirzepatida, a substância do Mounjaro, remédio para diabetes tipo 2 que virou febre como caneta para emagrecer. A apreensão de tirzepatida no Galeão foi divulgada pela PF na tarde de quarta (28). Os dois chegaram no mesmo voo comercial, que saiu de Foz do Iguaçu (PR).
Segundo a nota oficial da Polícia Federal, os agentes receberam aviso de que havia produtos sujeitos a controle sanitário na bagagem dos dois passageiros. A abordagem foi feita no setor de restituição de bagagens dos voos domésticos, e os policiais acompanharam a abertura das malas. Como nenhum deles apresentou autorização legal para transportar os frascos, ambos foram presos, e o material foi apreendido. Os dois foram levados à Superintendência da PF no Rio, onde foram indiciados. A corporação não divulgou os nomes nem a idade dos presos.
Tirzepatida no Galeão: prisões se repetem em voos de Foz do Iguaçu
Em 26 de setembro, a PF já tinha prendido no mesmo aeroporto um passageiro com 28 frascos de tirzepatida. Ele vinha de Foz do Iguaçu, com conexão em Porto Alegre, e, segundo a polícia, o remédio tinha sido comprado no Paraguai. Em 1º de outubro foi a vez de uma passageira, também vinda de Foz, presa com 40 frascos escondidos na mala despachada. Nos dois casos, a PF informou que os presos podem responder por importação ilegal de medicamento sem registro no órgão de vigilância sanitária.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Na mesma quarta-feira (28) em que divulgou a prisão dos dois homens, a PF anunciou outro flagrante no Galeão: um passageiro, também saído de Foz do Iguaçu, levava ampolas de emagrecedores e de anabolizantes sem a documentação de importação.

O volume já tinha chamado a atenção da Anvisa. Na primeira quinzena de setembro, a agência fez 19 ações de apreensão no Galeão, em conjunto com a Receita Federal e a PF, e reteve 347 unidades de tirzepatida, 572 de retatrutida e 198 de GHK-Cu, de acordo com o balanço publicado em 22 de setembro. A Anvisa destacou que as abordagens se concentraram em passageiros vindos de Foz do Iguaçu, cidade de fronteira com grande circulação desse tipo de produto. A retatrutida, segundo a agência, ainda está em pesquisa e não tem venda autorizada em nenhum país.
O que a Anvisa diz sobre as canetas sem registro
A tirzepatida tem registro no Brasil com o nome comercial Mounjaro, e desde 2025 só pode ser vendida em farmácia com retenção da receita. A regra foi aprovada pela Anvisa em abril daquele ano e passou a valer em junho para toda a classe dos agonistas de GLP-1, que inclui também semaglutida (Ozempic e Wegovy) e liraglutida.
Já as canetas que circulam fora desse caminho entraram na mira da agência. Em janeiro de 2026, a Resolução 214 proibiu a venda, a importação e o uso da tirzepatida das marcas Synedica e TG e da retatrutida de qualquer marca. Na justificativa, a Anvisa escreveu que, por serem de origem desconhecida, “não há nenhuma garantia sobre o seu conteúdo ou qualidade”. Em outubro, outra resolução, a 4.035, ampliou a lista com produtos vendidos por sites e perfis sem registro. Ao longo do ano, a agência também mandou recolher lotes falsificados do próprio Mounjaro.
Alpha for MenPor que o produto contrabandeado é um risco
A bula do Mounjaro registrado no Brasil manda guardar a caneta na geladeira, entre 2 °C e 8 °C, e só permite que ela fique fora da refrigeração, abaixo de 30 °C, por até 21 dias. Frasco que viaja centenas de quilômetros dentro de mala despachada não tem nenhum controle de temperatura. Sem registro, também não há como saber a dose real, a pureza ou se o líquido é mesmo tirzepatida.
Remédios dessa classe também têm efeitos colaterais que pedem acompanhamento médico, como enjoo, vômito e, em casos raros, pancreatite. Por isso a venda exige receita. O tratamento da obesidade, com remédio ou com cirurgia, passa por consulta médica, tema que voltou à pauta na região com as cirurgias bariátricas em Patos de Minas.
Qual é a pena para quem traz o remédio
O artigo 273 do Código Penal pune quem importa medicamento sem registro na Anvisa. A pena escrita na lei é de 10 a 15 anos, mas o Supremo Tribunal Federal julgou essa punição desproporcional em 2021 (Tema 1003 da repercussão geral) e mandou aplicar, nesse caso, a pena original: reclusão de 1 a 3 anos e multa. A nota da PF sobre os dois presos de terça não diz por qual crime eles foram indiciados.
Trazer mercadoria proibida pela fronteira também pode ser enquadrado como contrabando, como acontece com o cigarro paraguaio, alvo frequente da PRF nas rodovias de Minas, a exemplo dos 105 mil maços apreendidos na BR-262. E quem compra pela internet de fora do país continua sujeito a regras de importação e impostos, como explica a reportagem sobre o fim da taxa das blusinhas.
Como comprar com segurança e onde denunciar
Para quem usa ou pensa em usar a caneta, valem estes cuidados:
- compre só em farmácia ou drogaria, com receita médica, que fica retida no balcão;
- desconfie de anúncio em rede social, aplicativo de mensagem ou site sem endereço, e de preço muito abaixo do praticado nas farmácias;
- confira na embalagem o número de registro e o lote e consulte o produto no site da Anvisa, na área de consultas de medicamentos e de produtos irregulares;
- se suspeitar de produto falso ou irregular, denuncie à Anvisa pela Ouvidoria ou pelo telefone 0800 642 9782, e à vigilância sanitária da sua cidade.
Em Patrocínio (MG), o consumidor que comprou produto irregular, foi enganado por propaganda ou não recebeu o que pagou pode procurar o Procon Municipal de Patrocínio, pelo telefone (34) 3099-2000. Mais notícias de operações policiais estão na seção Policial da Folha.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






