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Lula, que passou 580 dias preso, diz a Flávio: “quem não deve não teme”

No aniversário de 81 anos, no Alvorada, o presidente disse que entregou o passaporte quando a Justiça pediu e que Flávio deveria ter feito o mesmo.

Quem não deve não teme: Flávio Bolsonaro e Lula lado a lado, em fotos de discursos
Quem não deve não teme: Flávio Bolsonaro e Lula lado a lado, em fotos de discursos

“Quem não deve não teme.” Foi com esse ditado que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) reagiu nesta terça-feira (27) à saída do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) do Brasil, dois dias depois do segundo turno. Lula falou com a autoridade de quem já esteve do outro lado: passou 580 dias preso na sede da Polícia Federal em Curitiba, entre 2018 e 2019, até o Supremo Tribunal Federal anular as condenações da Lava Jato contra ele.

O presidente discursou para apoiadores no Palácio da Alvorada, em Brasília, na comemoração dos 81 anos dele. Até a publicação desta matéria, Flávio não tinha comentado as declarações.

O que Lula disse sobre Flávio

Lula tratou a viagem do adversário como fuga. “O cidadão que sai escondido do seu país é porque deve alguma coisa ou tem medo de alguma coisa”, afirmou. Logo depois veio o ditado: “Quem não deve não teme”.

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Ele também comparou a situação com a própria história. “Quando pediram meu passaporte, eu entreguei. E ele deveria ter entregado”, disse. Lembrou as derrotas nas eleições presidenciais de 1989, 1994 e 1998 (“Eu já perdi eleição e fiquei no Brasil”) e cobrou respeito ao resultado das urnas: “A gente vota em quem quiser e tem que aceitar o resultado”.

Sobrou para a família Bolsonaro. “O Brasil é a segunda pátria deles, a primeira é a devoção aos Estados Unidos”, declarou Lula, que repetiu que o Brasil “não é quintal de ninguém”.

Quem não deve não teme: Lula durante entrevista no Palácio da Alvorada
Lula durante entrevista no Palácio da Alvorada, em 1º de outubro. Foto: Ricardo Stuckert (CC BY-SA 4.0).

Quem não deve não teme: a frase e os 580 dias de Lula

Ao dizer “quem não deve não teme”, Lula falou de um assunto que conhece de perto. Ele foi condenado pelo então juiz Sergio Moro em 2017, no caso do triplex do Guarujá, e teve a pena confirmada pelo Tribunal Regional Federal da 4ª Região em janeiro de 2018. No mesmo mês, a Justiça Federal em Brasília mandou reter o passaporte dele, que tinha viagem marcada para a Etiópia. Lula entregou o documento à Polícia Federal, e é esse episódio que ele usou agora para cobrar Flávio.

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Em abril de 2018, depois de passar dois dias no Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, em São Bernardo do Campo, ele se entregou à PF. Ficou preso em Curitiba até 8 de novembro de 2019, quando o STF mudou o entendimento sobre prisão depois de condenação em segunda instância. No discurso desta terça, Lula disse que recebeu convites para deixar o país naquela época e preferiu ficar para provar a inocência.

Em 2021, o ministro Edson Fachin anulou as condenações por entender que a 13ª Vara Federal de Curitiba não podia julgar os casos, e o plenário do STF declarou Moro suspeito no processo do triplex. As ações não foram julgadas de novo no mérito. Por isso os apoiadores de Lula falam em inocência, e os críticos lembram que ele nunca foi absolvido.

Onde está Flávio e o que pesa contra ele

Flávio perdeu a eleição presidencial no domingo (25). O ministro Alexandre de Moraes, do STF, tinha determinado que o senador entregasse os passaportes e não deixasse o país, e a Folha mostrou que Flávio não entregou os passaportes. Aliados dizem que ele está nos Estados Unidos, como a Folha contou em Flávio nos EUA. O senador não confirmou publicamente onde está.

Flávio é investigado em dois inquéritos que tramitam no Supremo Tribunal Federal e não foi denunciado nem condenado. A Polícia Federal apontou risco de fuga numa das investigações, sobre lavagem de dinheiro. Nesta terça, deputados do PT e do PSOL também pediram ao Supremo o bloqueio de bens de Flávio, com limite de R$ 6 bilhões. Nenhum desses pedidos foi decidido.

O senador Flávio Bolsonaro discursa no plenário do Senado
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) no plenário do Senado, em foto de arquivo de 2023. Foto: Geraldo Magela/Agência Senado (CC BY 2.0).

O “miliciano” do discurso

Lula voltou a usar contra Flávio uma acusação da campanha. “Se não tivesse democracia, um miliciano não poderia ser candidato à Presidência”, afirmou. O tema já tinha aparecido no último debate, como a Folha mostrou em milícia no debate. Flávio sempre negou ligação com milícias, e nenhuma decisão judicial confirma a acusação feita pelo presidente.

O que vem agora

O mandato de Flávio no Senado termina no fim de janeiro de 2027, porque ele não disputou a reeleição para concorrer à Presidência. As ordens de Moraes continuam valendo, a PF segue com as investigações e a Procuradoria-Geral da República ainda vai se manifestar sobre os pedidos de bloqueio de bens.

Lula, que entregou o passaporte em 2018 e ficou no país até ser preso, agora usa essa história, e o “quem não deve não teme”, como argumento contra o adversário derrotado. A Folha atualiza esta matéria se Flávio responder ou se o STF decidir sobre os pedidos contra ele.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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