Flávio a caminho dos EUA, dizem aliados: governo Trump foi avisado, mas não há confirmação oficial
Relatos falam em chegada a Miami ou Dallas e pedido de asilo; a Argentina nega a passagem dele e a PF não achou registro de saída do Brasil.

Atualização 27/10, 15h25: uma fonte do governo americano, sem se identificar, disse à agência Reuters que Flávio está a caminho dos Estados Unidos. Nenhuma autoridade confirmou a viagem oficialmente, e a Casa Branca, a PF e o senador seguem sem se manifestar. Leia a reportagem Flávio nos EUA? Fonte do governo Trump diz que ele está a caminho, mas ninguém confirma.
Flávio a caminho dos EUA: é o que afirmam aliados da família Bolsonaro nesta terça-feira (27), com chegada prevista para as próximas horas em Miami ou Dallas. Eles dizem que o governo do presidente Donald Trump foi avisado da viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Nenhuma autoridade confirmou a saída do Brasil, o próprio senador não se manifestou e a Casa Branca não respondeu, até esta publicação.
A imagem de destaque é uma montagem de duas fotos, uma de Flávio e outra de Trump, e não registra encontro entre os dois. Os créditos estão na legenda.
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Segundo os relatos, o senador deixou o país depois de perder a eleição para Lula e de a Justiça mandar que ele entregasse os passaportes. Interlocutores da família que mantêm contato com os Estados Unidos dizem que ele deve pousar na Flórida ou no Texas nas próximas horas. Uma pessoa próxima de Flávio que vive nos EUA repetiu essa previsão. Reportagens publicadas hoje acrescentam que ele pretende pedir asilo político ao governo americano ao chegar, que viajaria com a mulher e as duas filhas e que o irmão, Eduardo Bolsonaro, que vive nos Estados Unidos, deveria encontrá-lo na Flórida na quarta-feira (28).
Todas essas informações vêm de aliados e de interlocutores sem nome. Nenhuma foi confirmada por Flávio, pela campanha, pela Polícia Federal (PF) ou pelo governo americano. O que um dos aliados afirmou sobre o grau de participação de Washington no planejamento não tem prova nem resposta oficial, e por isso a Folha não o reproduz como fato.
O que está confirmado e o que não está
Está confirmado, em mais de uma fonte, que Flávio não entregou os passaportes no prazo de 24 horas dado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e que a PF cancelou o passaporte comum e o diplomático no sistema. A Folha detalhou o caso na reportagem sobre o prazo vencido dos passaportes.
Não está confirmado que ele tenha deixado o Brasil. A PF não identificou passagem do senador por ponto regular de controle migratório, mas admite que a fronteira terrestre pode ser cruzada sem fiscalização. O governo argentino informou, em nota, que Flávio não entrou na Argentina, que não tem ligação com o jatinho que esteve no aeroporto de Puerto Iguazú e que ele não pediu asilo no país, segundo reportagens. A versão do jato, do piloto e da lista de passageiros está na reportagem Flávio saiu do Brasil?. Pela manhã, o coordenador da campanha, senador Rogério Marinho (PL-RN), disse que Flávio “não saiu”. Aliados disseram, depois, que não conseguiam falar com ele.
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O que muda se a viagem for confirmada
Um pedido de asilo é feito ao país de destino, e a decisão de conceder ou negar é do governo americano. A Folha não encontrou, até agora, manifestação da Casa Branca nem do Departamento de Estado. No Brasil, a ordem de Moraes, que cancelou os passaportes e proibiu a saída do país, continua valendo, e qualquer resposta ao descumprimento caberia ao próprio ministro. O caso corre em sigilo, no inquérito em que Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados por suspeita de lavagem de dinheiro. Investigação não é condenação.
A conversa sobre uma saída do país tem antecedente: antes da eleição, Eduardo Bolsonaro disse que seria favorável a que o irmão deixasse o Brasil se perdesse, como a Folha mostrou em Flávio vai deixar o Brasil?. O senador também tem proximidade com o entorno de Trump, como mostra a reportagem sobre o conselheiro de Trump que divulgou o discurso de Flávio em inglês.
O que acompanhar nas próximas horas
Quatro respostas decidem o caso: se Flávio confirma onde está, se a PF divulga nota sobre a saída, se Moraes toma nova decisão por causa do descumprimento e se o governo americano se manifesta. Um encontro com Eduardo na Flórida, na quarta, seria um sinal público, mas ainda não passa de previsão de aliados. A Folha atualiza esta reportagem quando houver manifestação oficial.
Leia também: Dino manda PF investigar interferência estrangeira na eleição. Mais notícias de política estão na página da editoria.
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