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Novo Código Civil: o que muda em 881 artigos, nas redes sociais e nos contratos

O PL 4/2025, de Pacheco, altera ou revoga 881 artigos, cria 320 e muda a responsabilidade das redes sociais. A comissão do Senado tem até 22 de dezembro.

Rodrigo Pacheco e Davi Alcolumbre, nomes do novo Código Civil no Senado
Rodrigo Pacheco e Davi Alcolumbre, nomes do novo Código Civil no Senado

O novo Código Civil que o Senado analisa mexe em 881 artigos do código atual, cria 320 artigos novos e muda a responsabilidade das redes sociais, segundo a contagem da Folha sobre o texto original do projeto. É o PL 4/2025, apresentado em janeiro de 2025 pelo senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e a comissão que o examina tem até 22 de dezembro de 2026 para concluir o trabalho. Até esta publicação, o Senado não divulgou o relatório nem marcou a votação no Plenário, que depende da pauta definida pelo presidente da Casa, Davi Alcolumbre.

O projeto em números

O texto original tem 274 páginas no avulso do Senado e propõe a atualização do Código Civil de 2002 e de leis relacionadas. Pela contagem da Folha, artigo por artigo, 881 artigos do código atual são alterados ou revogados, e 135 deles saem de vez. Outros 320 são criados, muitos deles num livro inteiro dedicado ao direito civil digital. A mudança atinge contratos, família, propriedade, sucessões e também o Código Penal, o Marco Civil da Internet, a LGPD e o Estatuto da Criança e do Adolescente. Emendas podem alterar esses totais, e o próprio projeto prevê que a lei só entraria em vigor 365 dias depois de publicada.

O novo Código Civil em números: 881 artigos mudam, 135 são revogados e 320 são criados
O projeto em números. Contagem da Folha sobre o texto original do PL 4/2025.

O relógio da comissão no Senado

A comissão temporária foi criada em 23 de setembro de 2025 e instalada no dia seguinte. O relator-geral é o senador Veneziano Vital do Rêgo, e há quatro relatores parciais: Carlos Portinho, para responsabilidade civil, Efraim Filho, para obrigações e contratos, Soraya Thronicke, para família e sucessões, e Tereza Cristina, para coisas. O prazo original previa relatório até 29 de maio e parecer final até 29 de junho. Em 11 de junho, a Presidência do Senado prorrogou o funcionamento da comissão até 22 de dezembro. A última movimentação registrada é de 30 de junho, com o recebimento das emendas 889 a 893. A numeração das emendas chegou a 893, o que dá a medida da disputa em torno do texto.

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Calendário da comissão do Senado que analisa o novo Código Civil
O relógio da comissão: prazo prorrogado até 22 de dezembro de 2026. Fonte: Senado Federal.

Quem decide o ritmo

Três funções pesam na velocidade do projeto. Rodrigo Pacheco é o autor: criou a comissão de juristas quando presidia o Senado, apresentou o PL e presidiu a instalação da comissão temporária. Veneziano é quem escreve o relatório. E Davi Alcolumbre, que preside o Senado, organiza a pauta do Plenário e decide quando um projeto vai a voto. A Folha não encontrou nenhum anúncio oficial de data de votação. O que existe é o prazo da comissão e a virada de legislatura: em 1º de fevereiro de 2027 tomam posse os novos senadores, e a bancada do PL terá 28 das 81 cadeiras, segundo dados do TSE, como mostra a matéria sobre o quarto mandato de Lula. Sobre o presidente do Senado, veja também a matéria sobre o almoço de Alcolumbre com Moraes.

Quem decide o ritmo do novo Código Civil no Senado: Alcolumbre, Pacheco e o relator
Quem manda no projeto. Fonte: Senado Federal.

As críticas e a defesa

A crítica mais dura vem da jurista Judith Martins-Costa, que em entrevista de junho de 2025 defendeu o arquivamento e afirmou que o texto “tem problemas transversais, do primeiro ao último artigo”. Ela disse ainda que o anteprojeto foi elaborado “às pressas, sem estudos prévios ou diagnósticos”. Do outro lado, o relator Veneziano afirma que a proposta “passará pelo crivo da sociedade brasileira”, e Flávio Tartuce, relator-geral da comissão de juristas que escreveu o anteprojeto, vê no livro de direito digital um exemplo para outros países. A comissão de juristas foi presidida pelo ministro Luis Felipe Salomão, do STJ, e entregou o texto em abril de 2024.

Críticas e defesa do novo Código Civil
Críticas e defesa. Declarações do jurista e dos relatores.

Mais poder ao juiz?

O ponto central da crítica de Martins-Costa é o uso de conceitos vagos e cláusulas gerais, que, nas palavras dela, “deixa muito para o juiz decidir sem fornecer critérios”. Para os críticos, isso gera decisões imprevisíveis e insegurança, inclusive para investidores. O texto traz, em alguns artigos, limites escritos. No artigo 478, por exemplo, a revisão de um contrato por fato imprevisível se limita ao necessário e deve respeitar a boa-fé e a alocação de riscos que as partes combinaram.

Conceitos vagos e o papel do juiz no novo Código Civil
O argumento dos críticos sobre o papel do juiz e o que o texto prevê.

Contratos: o que o texto prevê

Nos contratos, três dispositivos concentram o debate. Os artigos 317 e 478 permitem ao juiz corrigir a obrigação, ou rever ou resolver o contrato continuado, quando um evento imprevisível gerar onerosidade excessiva e exceder os riscos normais. O parágrafo 4º do artigo 478 afasta a revisão para a mera impossibilidade econômica de pagar, quando decorre de fato da esfera pessoal do devedor. Já o artigo 157, sobre lesão, permite à parte lesada pedir a revisão do negócio direto na Justiça e dispensa a prova de que a outra parte agiu com dolo de aproveitamento. Os críticos veem risco à previsibilidade dos negócios, e os defensores apontam as salvaguardas do próprio texto.

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O que muda na revisão de contratos no novo Código Civil
Revisão de contratos nos arts. 157, 317 e 478 do projeto.

Redes sociais: o que o texto diz

O livro de direito civil digital cria deveres para as plataformas de grande alcance, definidas como serviços de hospedagem e difusão de informações com mais de 10 milhões de usuários mensais no Brasil, como redes sociais, buscadores e mensageiros (artigo 2.027-H). A lei não cita nomes. Facebook, Instagram, WhatsApp, YouTube, TikTok, X e Telegram são exemplos de serviços que, pelo número de usuários, poderiam se enquadrar. A mudança de maior impacto é a revogação do artigo 19 do Marco Civil da Internet, pelo artigo 4º e pelo artigo 20 do projeto. Hoje a plataforma só responde por conteúdo de terceiros se descumprir ordem judicial específica. O projeto troca essa regra por hipóteses próprias: a plataforma pode ser responsabilizada por danos de conteúdo de terceiros distribuído por meio de publicidade dela, ou por descumprimento sistemático dos deveres do Código (artigo 2.027-Z).

Entre os deveres estão a avaliação anual de riscos sistêmicos, que inclui os efeitos em processos eleitorais e no discurso cívico, e a auditoria anual independente, paga pela empresa (artigos 2.027-X e 2.027-Y). A moderação deve respeitar a não discriminação, a liberdade de expressão e a pluralidade de ideias, e os termos de uso precisam ser acessíveis (artigos 2.027-V e 2.027-W). O texto veda interfaces que manipulem o usuário, exige verificação de idade para barrar conteúdo impróprio a crianças e proíbe publicidade em serviços destinados a elas. Qualquer pessoa poderá pedir a exclusão de dados que lesem direitos de personalidade e a desindexação de links inadequados. A defensora pública Fernanda Rodrigues Fernandes, ouvida pelo Senado, destaca que o livro reafirma fundamentos como a privacidade e a liberdade de expressão. É nesse ponto que o debate se organiza: de um lado, mais responsabilidade para as empresas, de outro, o risco de que a pressão por remoção de conteúdo restrinja o que as pessoas podem publicar.

Regras para redes sociais e plataformas no novo Código Civil, com logos de Facebook, Instagram, WhatsApp, YouTube, TikTok, X e Telegram
As regras para redes e plataformas no livro de direito digital. Logos: marcas dos respectivos serviços.

Linha do tempo: o caminho do projeto no Senado

A linha do tempo abaixo reúne as datas oficiais, da comissão de juristas ao fim do prazo da comissão do Senado.

Linha do tempo do novo Código Civil, do anteprojeto ao fim do prazo da comissão
Linha do tempo do projeto, com datas da tramitação oficial.

O que falta acontecer

O que falta acontecer para o novo Código Civil
O que falta: relatório, votação, Câmara e sanção.

Faltam o relatório do relator-geral, a votação na comissão e no Plenário, a análise da Câmara dos Deputados e a sanção presidencial. A discussão ocorre em meio a outros debates sobre as redes, como o que a Folha mostrou na matéria sobre a promessa de Lula de regular as redes sociais. A Folha acompanha a tramitação e atualiza esta matéria quando o Senado divulgar o relatório ou marcar a votação. A página oficial do projeto pode ser conferida na tramitação do PL 4/2025 no Senado Federal.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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