Risco-país do Brasil sobe 26% e chega a 151,7 pontos, o maior nível desde junho de 2025
O CDS de 5 anos, termômetro do risco-país, foi de 120,2 pontos na sexta para 151,7 na segunda. Veja o gráfico desde 2025 e o que o Morgan Stanley projeta para as próximas semanas.

O risco-país do Brasil subiu 26% na segunda-feira (26) e chegou a 151,7 pontos, o maior nível desde junho de 2025. Na sexta-feira (23), o indicador estava em 120,2 pontos. O salto veio um dia depois da reeleição de Lula, que o mercado não esperava: as pesquisas mostravam empate técnico e as cotações ainda não embutiam a vitória do presidente.
O que é o risco-país do Brasil e como ele é medido
O termômetro mais usado para o risco-país do Brasil é o CDS de 5 anos, sigla em inglês de Credit Default Swap. É um derivativo que protege o investidor contra um calote na dívida do governo. Quanto mais caro fica esse seguro, maior a desconfiança sobre a capacidade do país de pagar suas dívidas. A conta é feita em pontos-base: 151,7 pontos significam que o seguro custa 1,517% ao ano sobre o valor protegido.
O número não mede a economia por inteiro: resume o que os investidores, principalmente os estrangeiros, acham do risco de emprestar ao país. Por isso reage rápido a eleições, a mudanças na meta fiscal e a decisões do Banco Central. A Folha mostrou o efeito do mesmo movimento nos bancos em Bancos perdem R$ 249 bilhões em valor de mercado.
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Os pontos-chave mostram o tamanho da oscilação. O CDS abriu 2025 perto de 214,4 pontos, o maior valor do ano, e caiu até 125,9 em setembro de 2025. Fechou o ano em 138,3 e chegou a 149,8 em 23 de março de 2026, a máxima do ano até o salto desta segunda. Em outubro, depois do primeiro turno, com o senador Flávio Bolsonaro (PL) saindo na frente, o indicador caiu para 108,8 pontos em 8 de outubro, o menor nível em seis anos.
De lá para cá, o CDS voltou a subir aos poucos, com as dúvidas eleitorais e as pesquisas apertadas, e deu o salto de segunda-feira. Os pontos de 23 e 26 de outubro vêm das cotações do pregão. Os demais vêm da série diária de um agregador internacional, que na última atualização de segunda ainda mostrava 119,3 pontos, antes de incorporar o movimento do dia. Por isso o último trecho da linha, em vermelho, junta duas fontes e deve ser lido como ordem de grandeza.

Por que o mercado reagiu
O mercado esperava a vitória de Flávio e recalibrou as carteiras diante da expectativa de uma política fiscal mais frouxa nos próximos quatro anos. Segundo a cotação divulgada no pregão, o Ibovespa chegou a cair mais de 13% na segunda, com acionamento do circuit breaker, o mecanismo que interrompe as negociações em quedas fortes. O dólar também subiu: a Folha reuniu o que se sabe do cenário em Quarto mandato de Lula começa com dólar a R$ 5,60.
O que pode vir agora
Em relatório, os estrategistas do Morgan Stanley avaliam que o CDS do Brasil pode subir mais 40 pontos e que o dólar pode chegar a R$ 6,00 se as pressões fiscais se intensificarem. O banco diz que o risco fiscal em alta ameaça as ações, a moeda e os títulos da dívida brasileira. O cenário extremo que eles descrevem é a chamada dominância fiscal, situação em que a inflação passa a responder mais à política fiscal do que aos juros, o que reduz a força do Banco Central para segurar os preços.
Alpha for MenOs próprios analistas dizem que esse não é o cenário-base e que não esperam que o mercado passe a precificá-lo no curto prazo. Também lembram que os ativos brasileiros só embutiram esse risco duas vezes nos últimos 20 anos.
O que muda para Patrocínio (MG)
Em Patrocínio (MG), a ponta mais sensível é o câmbio. Com o dólar a R$ 5,60, a saca de 60 kg de café vai de R$ 1.601,95 para R$ 1.797,04 se o preço em dólar não muda, conforme a conta feita em Dólar a R$ 5,60 e a saca de café em Patrocínio. Se o dólar chegar a R$ 6,00, como o Morgan Stanley admite em um cenário de pressão fiscal, o efeito sobre o produtor tende a ser maior. Para quem tem dívida em dólar ou compra insumo importado, o raciocínio é o inverso.
A Folha atualiza esta matéria se o risco-país do Brasil voltar a se mover de forma relevante.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






