Marcos Pereira e Cleitinho se reúnem em BH, e Republicanos quer governador livre para montar o secretariado
O presidente nacional do partido conversou com o governador eleito na quinta (22), segundo relatos de bastidor, e só Gabriel Azevedo, do MDB, está acertado para a equipe, sem pasta definida.

A conversa entre Marcos Pereira e Cleitinho, em Belo Horizonte, na quinta-feira (22), deixou uma orientação: a cúpula nacional do Republicanos quer que o governador eleito de Minas Gerais monte o secretariado sem a obrigação de acomodar indicações do partido. A diretriz, segundo relatos de interlocutores com trânsito na direção da sigla, partiu do presidente nacional do Republicanos, o deputado federal Marcos Pereira (SP). Nem o partido nem o governador eleito divulgaram uma nota oficial sobre o encontro, e a Folha não conseguiu confirmar o que foi dito na reunião com os participantes.
Quem esteve na reunião e o que estava em jogo
Marcos Pereira aproveitou uma passagem pela capital mineira para falar com Cleitinho e com correligionários. Segundo os mesmos relatos, também participaram o vice-governador eleito, Luís Eduardo Falcão, o presidente do Republicanos em Minas, Euclydes Pettersen, e o deputado estadual eleito Vittorio Medioli, filiado ao PL e integrante da comissão de transição. Entre os assuntos estavam o papel do Republicanos na equipe de transição e na futura administração, que começa em 1º de janeiro.

A visita estava prevista para a semana anterior e foi adiada por um compromisso de última hora do dirigente. O encontro de quinta-feira reaproximou dois nomes que já tiveram atritos públicos. Em agosto, quando o partido ainda discutia se Cleitinho seria o candidato ao governo, Pereira chegou a dizer que o então senador tinha perdido o prazo para se viabilizar, como a imprensa mineira registrou na época. A candidatura acabou saindo, e Cleitinho venceu a disputa no primeiro turno, em 4 de outubro, com 55,4% dos votos válidos, como a Folha mostrou na reportagem sobre a eleição do governador de Minas.
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Na semana seguinte à vitória, colegas de legenda passaram a discutir a possibilidade de um deputado federal eleito pelo Republicanos ser convidado a assumir uma secretaria. O movimento abriria uma vaga na Câmara dos Deputados para Euclydes Pettersen, que não conseguiu se reeleger. Segundo relatos de bastidor, Bruno Farias, eleito para o segundo mandato, foi cogitado para a Saúde, mas sinalizou que não aceitaria. Gilberto Abramo, que conquistou a terceira legislatura, teria sido sondado pessoalmente por Pettersen sobre uma eventual participação no primeiro escalão do Palácio Tiradentes. A Folha não confirmou esses convites junto aos citados.
O único nome acertado até agora para a equipe é o de Gabriel Azevedo, do MDB, que disputou o governo contra Cleitinho. Ele foi incluído na transição e aceitou o convite para integrar o futuro secretariado, segundo comunicado divulgado por ele próprio, mas a pasta que ocupará ainda não foi anunciada. Gabriel também vai opinar sobre os demais secretários, decisão que cabe exclusivamente ao governador eleito.
A transição já tem calendário
A equipe de transição de Cleitinho tem 21 integrantes e é coordenada por Falcão. A agenda de encontros com o governo atual vai de 23 de outubro a 23 de novembro, e temas como Fazenda, dívida estadual e planejamento ficam para novembro. O quadro de contas que a nova gestão herda já foi tema de reportagem da Folha sobre as contas de Minas e o déficit projetado para 2027, e as primeiras interlocuções com o setor produtivo apareceram no Pacto por Minas, proposta entregue pela Fiemg.
A segurança pública é outra frente em aberto. Dias antes, o governo estadual mandou à Assembleia a PEC da segurança, que prevê revisão salarial anual para policiais, texto que o governo seguinte terá de executar. Os dados de votação e de composição da Assembleia podem ser conferidos no portal de resultados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
Alpha for MenO que ainda não está decidido
Dois pontos seguem sem resposta oficial. O primeiro é se a orientação de deixar o governador livre para escolher o secretariado será mantida quando surgirem pedidos concretos de cargos. O segundo é quais pastas o Republicanos vai de fato ocupar, já que o partido tem a cabeça de chapa e a vice, mas a coordenação do governo dependerá de acordos com outras siglas que apoiaram a candidatura. Cleitinho ainda não divulgou a lista de secretários, e a Folha acompanha a transição e atualiza esta reportagem quando houver nomes confirmados.
No segundo turno presidencial, neste domingo (25), o Republicanos também terá peso nas conversas: a vitória de qualquer dos candidatos redefine a relação entre o governo estadual e o federal, tema que a Folha mostrou ao tratar da relação entre Lula e Cleitinho.
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