Três bairros vão ganhar redutores de velocidade e outros dois entraram na fila de estudo para semáforo. É o pacote que a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Defesa Social apresentou nesta semana para o trânsito de Patrocínio, em entrevista do secretário Roberto Parros à Rádio Difusora 95,3 FM. No mesmo balanço, ele confirmou que o projeto de lei da Guarda Municipal só deve ser encaminhado no ano que vem.

O anúncio chega depois de um ano em que a pasta trocou de nome, ganhou viatura nova e passou a responder por segurança e mobilidade ao mesmo tempo. E chega também depois de uma sequência de acidentes em cruzamentos de bairro que a Folha vem registrando desde agosto.

Semáforo em cruzamento movimentado no trânsito de Patrocínio, com prédios do comércio ao fundo
Semáforo na Avenida Faria Pereira. A secretaria estuda equipamentos parecidos no Morada Nova e no Jardim Sul. Foto de arquivo: Prefeitura de Patrocínio

Onde entram os redutores no trânsito de Patrocínio

Os bairros Congonhas e Padre Eustáquio estão na lista para receber redutores de velocidade. No Padre Pio, parte dos equipamentos já foi instalada. São três bairros residenciais, com ruas onde carro e moto pegam velocidade em trechos retos e curtos, exatamente o padrão que costuma terminar em colisão de cruzamento.

Redutor é a solução mais barata e mais rápida do cardápio de engenharia de tráfego. Não depende de licitação de equipamento eletrônico, não precisa de energia e o efeito aparece no dia seguinte à instalação. Em compensação, resolve velocidade e não resolve preferência: em cruzamento onde o problema é gente furando parada obrigatória, a lombada sozinha não segura.

Semáforos em estudo no Morada Nova e no Jardim Sul

O Morada Nova é o caso mais adiantado. Segundo o secretário, há estudo de engenharia em andamento para redutores eletrônicos e semáforos no bairro. A ligação com o Jardim Sul também está em análise para receber semáforo.

Não é um bairro escolhido ao acaso. Em agosto, uma motociclista ficou ferida em acidente no Morada Nova, e o bairro vinha aparecendo em ocorrências de trânsito com frequência maior que a média. Estudo de engenharia costuma nascer de estatística, não de impressão.

A diferença entre redutor comum e redutor eletrônico é o que ele faz depois. O primeiro obriga a frear. O segundo mede, registra e multa, o que exige homologação do Inmetro, sinalização prévia e o cumprimento das regras do Contran e da Senatran. É mais caro e demora mais para sair do papel, mas é o único que produz dado sobre quem corre e onde.

A Guarda Municipal fica para o ano que vem

O projeto de lei para criar a Guarda Municipal deve ser encaminhado depois que a estruturação da secretaria estiver concluída, o que joga a discussão para 2027. Em julho, ao falar do mesmo assunto, o secretário disse que o município aguardava definições legais em tramitação no Congresso Nacional antes de fechar o desenho da corporação.

Guarda municipal não é polícia. A Constituição atribui a ela a proteção de bens, serviços e instalações do município, e a discussão nacional gira em torno de quanto essa atribuição pode se aproximar do policiamento ostensivo. Enquanto isso não se resolve, cidades do porte de Patrocínio ficam com a estrutura pronta e a lei em espera.

O que já mudou no trânsito de Patrocínio neste ano

A antiga Secretaria de Segurança Pública, Trânsito e Transportes virou SEMDES pela Lei Complementar nº 281, de abril deste ano, na reorganização administrativa da Prefeitura de Patrocínio. Desde então a pasta recebeu uma viatura nova e reforçou a fiscalização da mobilidade urbana.

O videomonitoramento também cresceu: a cidade passou de 130 câmeras em pontos estratégicos, com acesso em tempo real compartilhado com a Polícia Militar e a Polícia Civil. Câmera não evita colisão, mas muda o que sobra depois dela, porque transforma versão em imagem.

A conta que explica a pressa

Patrocínio tem cerca de 80 veículos para cada 100 moradores, uma das proporções mais altas do Alto Paranaíba. A frota cresceu mais rápido que a malha viária, e o resultado aparece nas ruas de bairro, não nas avenidas principais, que já foram tratadas com semáforo e sinalização. É por isso que o gargalo do trânsito de Patrocínio deixou de ser o centro e passou a ser o cruzamento perto de casa.

Em agosto, moradores da Alameda dos Colibris cobraram sinalização depois de um acidente na via. É o mesmo tipo de demanda que os redutores anunciados agora tentam responder, um bairro de cada vez.

A secretaria não divulgou cronograma de instalação nem custo dos equipamentos, e também não informou quando os estudos de engenharia do Morada Nova e do Jardim Sul devem ser concluídos. São os dois números que faltam para saber se o pacote muda mesmo o trânsito de Patrocínio ou fica no anúncio.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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