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Efeito China: preço de carro usado cai até 15,7% em um ano, mais que a Fipe

Venda de usados recuou 4% em outubro, mas acumula alta de 3,7% no ano. Entre os seminovos, o ágio sobre a tabela quase sumiu: caiu de 67% para 2%.

Ilustração de SUV elétrico carregando diante da bandeira da China, sobre a queda no preço de carro usado
Ilustração de SUV elétrico carregando diante da bandeira da China, sobre a queda no preço de carro usado

O preço de carro usado caiu em média 10,2% em 12 meses entre os 25 modelos mais procurados do país, segundo levantamento da plataforma Auto Avaliar, que mede o valor efetivamente pago nas lojas. No mesmo período, a tabela Fipe recuou cerca de 4%. A maior queda foi a do Jeep Compass, de 15,7%. Consultores do setor ligam parte da queda à chegada dos carros chineses, sobretudo elétricos e híbridos, e às promoções de zero quilômetro.

Ilustração sobre o preço de carro usado e a chegada dos elétricos chineses
Ilustração gerada por IA (Gemini). Não é foto de um carro ou loja real.

Quanto caiu o preço de carro usado, modelo a modelo

A Auto Avaliar, usada por mais de 27 mil lojistas e cerca de 6 mil concessionárias, analisou perto de 30 mil combinações de modelo, versão, ano e estado, com carros de 2019 a 2025. Depois do Compass, as maiores quedas foram as do Jeep Renegade (13,8%) e do Chevrolet Tracker (13,5%). Ford Ranger e Toyota Corolla Cross perderam 11,8% cada um. O VW Nivus caiu 11,2%, o Fiat Pulse 10,5% e a Toyota Hilux 10,3%.

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Entre os compactos, o preço de carro usado caiu menos. Chevrolet Onix e Honda Civic recuaram 10,1%, o Toyota Yaris 7,9%, o Fiat Argo 7,2%, o Hyundai HB20 7% e o Renault Kwid 6,8%. Os SUVs médios, que concorrem diretamente com os chineses na faixa de preço, estão entre os que mais perderam valor.

Por que a Fipe ficou para trás

A diferença entre os 10,2% e os cerca de 4% da Fipe está no método. “O nosso banco de dados mostra o quanto o lojista pagou pelo carro e por quanto ele fechou a venda”, explica J.R. Caporal, presidente da Auto Avaliar. A Fipe usa preços médios pesquisados no mercado e demora mais a captar a mudança. “Na Fipe, a gente olha para um retrovisor”, resume José Éverton Fernandes, presidente da Fenauto, a federação dos revendedores de veículos.

O sinal mais claro da virada no preço de carro usado é o fim do ágio. Em agosto de 2025, cerca de um em cada três modelos mais procurados era vendido acima da tabela. Um ano depois, só 0,8% das transações tinha ágio. Entre os seminovos com menos de dois anos, o índice caiu de mais de 67% para 2%.

O peso dos carros chineses

Para Cássio Pagliarini, da Bright Consulting, a pressão sobre os usados tem relação direta com a entrada das marcas chinesas, que oferecem eletrificação, tecnologia embarcada e garantia em faixas de preço antes ocupadas por seminovos a combustão. Pesam também as promoções das montadoras tradicionais e a inadimplência, que deixou os bancos mais rigorosos na hora de liberar crédito.

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A consultora Tereza Fernandez não vê crise no setor, mas faz um alerta para quem tem muito carro parado: “Lojas que têm estoques muito grandes podem enfrentar problemas mais sérios com a desvalorização.” O carro usado fica, em média, 18 dias em estoque. Modelos como o VW Polo giram em 3 dias, e Virtus e T-Cross em 5.

A disputa chega a Patrocínio (MG). No balanço da Sala Mineira do Empreendedor, a Prefeitura incluiu uma concessionária BYD entre os novos negócios previstos para a cidade, ainda sem endereço nem data de inauguração. Ao mesmo tempo, o governo federal sobe o imposto dos carros elétricos montados com kits importados, de 14% para 35%, em janeiro de 2027.

As vendas de usados não despencaram

O que caiu foi o preço. A procura segue alta no acumulado do ano. Pelos dados da Fenauto, foram vendidos 1.606.314 veículos usados em outubro, contando motos e pesados, 4% a menos que os 1.673.017 de setembro. No acumulado do ano, porém, são 15.811.819 unidades, 3,7% acima do mesmo período de 2025. Os automóveis somaram 997.008 negócios no mês, e os seminovos de até três anos, 314.686. O Volkswagen Gol foi o usado mais vendido, com 62.635 unidades.

A federação atribui o recuo de outubro às eleições e às promoções de carros novos e mantém a previsão de fechar 2026 com crescimento.

O que muda para quem compra ou vende

Com o preço de carro usado em queda, a Fipe deixou de ser um teto para quem vai trocar de carro e passou a ser só uma referência. Vale pesquisar o preço de negociação em mais de uma loja antes de fechar. Quem vende deve esperar receber menos que a tabela, principalmente em SUVs médios. Também convém conferir a documentação, como o CRLV de 2026 em Minas, antes de assinar.

Problemas na compra, como defeito escondido, cobrança diferente da combinada ou propaganda enganosa, podem ser levados ao Procon Municipal de Patrocínio.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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