Paulo Figueiredo diz que aliado “moderado” de Flávio repassava seus passos ao STF, mas não dá nome nem prova
Comentarista diz que um aliado com acesso a cortes vazava os passos do senador, mas não revela o nome. A Folha não achou prova nem resposta do STF ou de Flávio até a publicação.

O comentarista Paulo Figueiredo afirmou em seu programa que um aliado “moderado” de Flávio Bolsonaro repassava ao Supremo Tribunal Federal (STF) todos os passos do senador. Figueiredo diz saber quem é, mas não revelou o nome e não apresentou prova, documento ou data. A fala aparece em um trecho do programa que circula nas redes sociais e foi compartilhado com a frase “traidor” no título, uma qualificação de quem editou o vídeo, e não um fato confirmado.
A Folha ouviu o trecho inteiro, de pouco mais de um minuto, e separa abaixo o que foi dito, o que ficou sem resposta e o contexto da saída de Flávio do Brasil, que é o pano de fundo da conversa.
O que Paulo Figueiredo disse
No trecho, Figueiredo começa falando de um momento em que Flávio “precisava sair do país”. Segundo ele, no dia seguinte, os aliados “moderados” do senador, e um deles, “e nós sabemos quem”, estariam reportando ao STF “todos os passos” de Flávio. O comentarista promete que “uma hora” o público vai saber o nome.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Ele acrescenta que se tratava de alguém próximo do senador, com proximidade de “pessoas muito importantes em determinadas cortes”, e que não vai dizer quem. Afirma que, por isso, “todos os passos eram vazados”. Depois, diz “não, Flávio, não sai”, numa referência que o trecho não explica, e passa a comentar um relato da imprensa sobre os aliados “moderados”.

O que ele não disse
Figueiredo não deu o nome do suposto aliado, não disse a qual corte ou ministro as informações teriam chegado, não indicou quando isso teria ocorrido e não mostrou mensagem, registro ou testemunha. Também não explicou como saberia o que foi repassado a um tribunal que trabalha, em vários casos, sob sigilo.
Sem nome, a acusação não pode ser checada nem respondida por quem seria o alvo. Até a publicação desta matéria, a Folha não encontrou manifestação do STF, do ministro Alexandre de Moraes, de Flávio Bolsonaro nem de integrantes da campanha dele sobre a afirmação. O espaço segue aberto.
O contexto: a saída de Flávio do Brasil
A conversa se apoia numa sequência de fatos que a Folha já registrou. Na segunda-feira (26), um dia depois do segundo turno, Flávio disse em vídeo que agentes da Polícia Federal o abordaram e mandaram entregar os passaportes em 24 horas, por ordem de Moraes. O prazo terminou na terça (27) sem a entrega, e a PF cancelou os dois documentos no sistema, como mostra a reportagem Flávio chegou aos EUA?.
Alpha for MenNa quarta-feira (28), o senador desembarcou em Miami com a mulher e as duas filhas, depois de atravessar a fronteira com a Argentina por terra, conforme a Folha publicou em Flávio em Miami. Numa carta divulgada já nos Estados Unidos, ele diz ser alvo de uma “caça às bruxas”, nega ter fugido e promete liderar a oposição de lá, como a Folha detalhou em Carta de Flávio. O presidente Lula (PT) reagiu dizendo que sair do Brasil é “vergonhoso”.
Segundo relatos publicados pela imprensa, na segunda (26), numa reunião com integrantes da campanha em Brasília, Flávio foi aconselhado por aliados a não deixar o país. Esses aliados avaliavam que uma prisão logo depois da eleição prejudicaria a imagem de Lula no exterior e não esperavam medida contra o senador. É sobre esse grupo que Figueiredo faz a insinuação, sem apontar ninguém.
Por que a afirmação pede cautela
Figueiredo é comentarista político, tem um programa na internet e vive nos Estados Unidos. Foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República (PGR) em 2025 no caso da trama golpista de 2022, acusação que ele nega. Ele fala de dentro de um dos lados da disputa, e o que diz sobre bastidores de aliados continua sendo só isso, uma afirmação de bastidor, até que apareça alguma evidência.
Há ainda um ponto simples: acusar alguém de ter vazado informações ao STF sem dizer quem é espalha suspeita sobre todos os “moderados” do entorno de Flávio ao mesmo tempo. A Folha não cita nenhum nome, porque nenhum foi apresentado. O pedido de bloqueio de bens do senador e o inquérito sigiloso citado nesses pedidos, que a Folha já noticiou, mostram que o caso corre sob reserva, o que torna ainda mais difícil conferir qualquer relato sobre quem teria acesso a ele.
O que a Folha não conseguiu confirmar
A Folha não confirmou que exista um aliado que tenha repassado informações ao STF, nem quem seria, nem se houve qualquer contato desse tipo. Também não confirmou o que Flávio e os aliados conversaram na reunião de segunda. A reportagem atualiza esta matéria se o nome for divulgado, se o STF ou o senador responderem, ou se Figueiredo apresentar a prova que diz ter. Informações oficiais sobre o andamento dos casos no Supremo estão no portal do STF.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






