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Política

Brasil pode virar um México do PRI, diz Marcelo Suano; veja o que Lula falou sobre regular as redes

Cientista político projeta um governo que reprime a oposição se Lula regular as redes. O presidente reeleito prometeu regular as plataformas, mas não explicou como nem quando.

O cientista político Marcelo Suano fala em entrevista sobre o risco de um México do PRI no Brasil
O cientista político Marcelo Suano fala em entrevista sobre o risco de um México do PRI no Brasil

O cientista político Marcelo Suano afirmou, em vídeo publicado na segunda-feira (26), que o Brasil pode virar um “México do PRI”, numa referência ao partido que governou o México por 71 anos. Ele liga a projeção à promessa de Lula de regular as redes sociais, feita no discurso da reeleição, na noite de domingo (25).

É uma projeção, e não um fato. No vídeo, de pouco mais de um minuto, Suano não cita proposta de lei nem documento do governo. A Folha conferiu o que Lula disse de fato no discurso e o que se sabe até agora sobre a regulação das redes.

O que Suano diz no vídeo

Suano começa dizendo que o Brasil não é a Venezuela. Segundo ele, a economia venezuelana dependia de um único produto, o petróleo, e de uma grande empresa estatal, a PDVSA, que funcionava como uma holding. Quando ela quebrou, diz, o povo foi “massacrado”. O Brasil, na avaliação dele, tem uma economia mais dinâmica e outros minerais a explorar.

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Por isso, afirma, o risco brasileiro seria outro: virar um México do PRI. A diferença, na versão dele, é que metade da população seria governada de forma positiva e a outra metade seria reprimida. Suano diz que Lula falou “ontem” que vai regular as redes, que regular é o começo de um controle e que isso levaria o governo a “apagar a oposição”. Tudo isso é opinião dele, e o vídeo não apresenta dado ou documento que sustente a previsão.

Marcelo Suano gesticula ao falar do México do PRI e da regulação das redes
Suano em vídeo publicado em 26 de outubro. Foto: Reprodução

O que Lula disse no discurso

No primeiro discurso depois de confirmada a reeleição, em São Paulo, Lula disse que a eleição exigiu vencer uma intromissão “de fora para dentro” por meio das plataformas digitais e que será preciso regulá-las. Acusou as grandes empresas de tecnologia de tentar direcionar o resultado e de lucrar bilhões sem pagar imposto no país, e defendeu que crime cometido na internet seja tratado como crime no mundo real. A fala também foi registrada em reportagem da Folha sobre o discurso.

Lula não explicou como a regulação funcionaria, quais plataformas seriam alcançadas nem se o governo mandará projeto novo ao Congresso. Nos trechos do discurso divulgados pela imprensa e conferidos pela Folha, ele também não fala em restringir a oposição. No mesmo discurso, disse que vai governar para 215 milhões de brasileiros e que ninguém é obrigado a gostar do presidente eleito.

Onde a regulação das redes parou até aqui

A ideia não nasceu na noite da vitória. O programa de governo que Lula registrou no TSE prometia avançar na regulamentação democrática das redes e das plataformas, com o argumento de conter a desinformação e as campanhas de ódio. O plano de Flávio Bolsonaro (PL) foi no sentido contrário e prometia acabar com qualquer estrutura estatal que funcione como um “Ministério da Verdade”. A comparação viralizou em agosto, como a Folha mostrou no caso do Tesouraço da Censura.

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No Congresso, o Projeto de Lei 2.630, o PL das Fake News, foi aprovado no Senado em 2020, travou na Câmara e acabou engavetado em 2024, sob críticas de deputados da oposição, que o chamavam de PL da Censura, e das próprias plataformas. Sem lei nova, o tema andou pelo Judiciário: em junho de 2025, o Supremo mudou a leitura do artigo 19 do Marco Civil da Internet e ampliou os casos em que as redes respondem por conteúdo de usuários mesmo sem ordem judicial.

O que foi o PRI mexicano

O Partido Revolucionário Institucional governou o México sem interrupção de 1929 a 2000, segundo o Wilson Center, centro de pesquisa dos Estados Unidos que o descreve como o único partido hegemônico do país até o início deste século. O partido foi fundado em 1929 por Plutarco Elías Calles, mudou de nome na década de 1930 e adotou o nome atual nos anos 1940. O domínio terminou em 2000, quando Vicente Fox, do PAN, venceu a eleição presidencial.

É essa a imagem que Suano usa. A comparação com o Brasil é dele. Nada no discurso de Lula citado acima trata de partido único ou de limitar a atuação de opositores.

O que se sabe e o que não se sabe

Sabe-se que Lula prometeu regular as plataformas digitais, que o tema já constava do programa dele e que o Congresso já barrou uma tentativa em 2024. Não se sabe qual será o texto, quando ele chegaria ao Congresso nem que regras traria. A Folha não encontrou, até a publicação desta matéria, manifestação do governo sobre a fala de Suano, e o espaço segue aberto. Sobre a outra declaração do mesmo analista no mesmo dia, a Folha também publicou o que ele disse sobre as urnas.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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