As urnas decidem hoje se a era Lula chega ao fim
São 17 anos de governos do PT. Lula entrou no segundo turno atrás de Flávio, e o último Datafolha deu 51% a 49%. Aos 80 anos, ele chama esta de sua última disputa.

Artigo de opinião da Folha de Patrocínio. O texto reflete a avaliação do jornal e não antecipa o resultado, que só o Tribunal Superior Eleitoral divulga depois das 17h.
Neste domingo (25), as urnas decidem se a era Lula chega ao fim. São 17 anos de governos do PT, somados os dois mandatos de Lula entre 2003 e 2010, os mais de cinco anos de Dilma Rousseff e o terceiro mandato, iniciado em 2023. Nenhum outro grupo político ficou tanto tempo no Palácio do Planalto desde a redemocratização. Aos 80 anos, o próprio presidente já disse que esta é a última eleição dele. Se perder para Flávio Bolsonaro (PL), fecha-se também o ciclo mais longo de um partido no poder desde 1985.
O que os números mostram antes da apuração
Lula entrou no segundo turno atrás. No primeiro turno, em 4 de outubro, Flávio teve 47,03% dos votos válidos e Lula, 45,16%, segundo o TSE. Foi a primeira vez, desde 2002, que o petista terminou uma primeira rodada em segundo lugar numa eleição que disputava. O último Datafolha, feito em 23 e 24 de outubro, deu 51% a 49% para Flávio, empate técnico dentro da margem de erro de 2 pontos. Os números de todos os institutos estão na página de pesquisas do segundo turno.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Pesquisa não é resultado, e a Folha não trata como resultado. Mas o retrato da véspera é de um presidente que precisa virar votos, e não de um favorito administrando vantagem. Em 2022, Lula saiu do primeiro turno na frente e venceu Jair Bolsonaro por 1,8 ponto. Desta vez, a conta começou ao contrário.

Por que a era Lula chega desgastada a este domingo
Na avaliação deste jornal, o desgaste tem causas conhecidas. O governo aumentou gastos sem mostrar como fecharia a conta, e a dívida pública virou assunto de mesa de bar, coisa rara no Brasil. A segurança pública, com o avanço das facções em vários estados, entrou na campanha como ponto fraco do governo federal, que levou boa parte do mandato para apresentar uma proposta própria ao Congresso. Na economia do dia a dia, o eleitor sentiu o preço da comida e o custo do crédito antes de sentir qualquer melhora.
A campanha do segundo turno também cobrou seu preço. Lula desafiou Flávio a abrir os sigilos bancário, fiscal e telefônico no debate da Band, e a disputa virou uma troca de petições no TSE que dominou a última semana, como a Folha mostrou na reportagem sobre os sigilos no TSE. O tema foi escolhido por ele, e no fim ficou difícil dizer quem saiu ganhando.
Há ainda a idade. Lula completa 81 anos na terça-feira (27) e terminaria um novo mandato aos 85. O próprio presidente transformou isso em argumento ao dizer que esta é a sua última disputa, como a Folha registrou na reportagem sobre a última eleição de Lula. Uma despedida anunciada pode emocionar o eleitor fiel, mas também lembra a quem está em dúvida que o projeto não tem sucessor à vista dentro do PT.
Alpha for MenO que está em jogo além do mandato
Lula foi a figura central da política brasileira por mais de três décadas. Disputou sete eleições presidenciais, perdeu três, venceu três e teve uma candidatura barrada, em 2018. Saiu do governo em 2010 com aprovação recorde, foi preso, teve as condenações anuladas pelo Supremo e voltou ao Planalto em 2023. Poucos políticos no mundo têm uma trajetória assim.
Justamente por isso, uma derrota hoje teria peso de fim de ciclo. A direita, que o PT tratou por anos como acidente de percurso, chegaria ao poder pela segunda vez em oito anos, agora com o filho do maior adversário de Lula. E chegaria pelo voto, o que tira do PT o discurso de que o país só escolheu Bolsonaro em 2018 porque Lula estava fora da cédula.
Se Lula vencer, a história também muda de figura: ele faria o quarto mandato pelo voto direto, algo inédito no país, e governaria até 2030 sem poder disputar outra reeleição. Seria a prova de que o petismo ainda tem fôlego para sobreviver à rejeição que acumulou.
Patrocínio já deu o seu recado
Em Patrocínio (MG), o primeiro turno não deixou dúvida. Flávio teve 61,18% dos votos válidos, contra 30,44% de Lula, segundo o TSE. A cidade acompanha o Alto Paranaíba, onde o candidato do PL venceu com folga. O balanço da campanha e as regras de hoje estão na reportagem segundo turno hoje.
A Folha de Patrocínio é um jornal independente e de direita, e não esconde isso do leitor. Mas quem decide é o eleitor. A votação vai até as 17h, horário de Brasília. Depois disso, a contagem pode ser acompanhada na apuração em tempo real da Folha e no site de resultados do TSE. À noite, o país vai saber se a era Lula termina hoje ou ganha mais quatro anos.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.




