Deltan e o sistema: Dallagnol diz que Flávio perdeu para ele e cita R$ 463 bilhões
Em vídeo, o senador eleito defende contestar a eleição, mas o valor de R$ 463 bilhões veio sem fonte e o registro dele no TSE também segue em julgamento.

Deltan e o sistema: foi assim que o senador eleito Deltan Dallagnol (Novo-PR) explicou a derrota de Flávio Bolsonaro (PL) quando disse, em vídeo publicado nesta segunda-feira (26), que Flávio “não perdeu para as urnas, ele perdeu para o sistema”. Dallagnol afirma que o governo Lula usou R$ 463 bilhões em medidas e programas para comprar apoio, que circularam notícias falsas contra Flávio e que a Justiça Eleitoral tratou as duas campanhas de forma desigual. Ele defende contestar o resultado na Justiça. A Folha não encontrou, até esta publicação, decisão de tribunal nem apuração oficial que sustente essas acusações, e o valor de R$ 463 bilhões não veio acompanhado de metodologia.
O que Dallagnol disse no vídeo
Segundo o próprio vídeo, esta é a primeira manifestação do senador eleito sobre o resultado, e ele afirma ter pensado antes de falar. Dallagnol compara a eleição a uma luta de boxe em que um lutador desrespeita as regras e o árbitro deixa os golpes passarem, e pergunta: “A vitória do trapaceiro deve ser reconhecida?”. Ele diz que é “mais do que legítimo contestar o resultado das eleições” e que a contestação está prevista na lei eleitoral, e antecipa que vão chamar a iniciativa de golpismo. Promete apresentar dados e evidências.
O senador eleito aponta três fatores. O primeiro é o uso de dinheiro público para ganhar votos na reta final, o que ele soma em R$ 463 bilhões e inclui mudanças no Imposto de Renda, renegociação de dívidas, medidas para microempreendedores, Minha Casa, Minha Vida, Pé-de-Meia, Bolsa Família, Gás do Povo e o preço dos combustíveis. Ele diz que não é contra os programas e critica o momento dos anúncios, como a antecipação do Bolsa Família às vésperas do segundo turno. O segundo é a circulação de conteúdos que ligavam uma vitória de Flávio ao fim de programas sociais, e ele afirma que a Justiça Eleitoral mandou retirar alguns deles. O terceiro é o que chama de abuso de poder judicial, com decisões que, na sua leitura, pesaram de forma diferente para cada lado.
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Alguns dos temas do vídeo já passaram pela Folha. Os pedidos de informação do deputado Nikolas Ferreira sobre combustíveis, MEIs, tarifa zero e as mensagens do INSS sobre prova de vida estão na matéria sobre os pedidos de Nikolas ao governo Lula, e os requerimentos, vale dizer, são perguntas e não conclusões. A decisão do ministro Cristiano Zanin que estendeu a votação até as 19h, que Dallagnol critica, foi pedida pelos dois lados, como detalham os pedidos de prorrogação da votação. O senador eleito diz que ela saiu depois do horário previsto de encerramento e que causou fechamento seletivo de urnas, e a Folha não confirmou esse horário nem o fechamento seletivo.
Sobre a legitimidade do voto, a Justiça Eleitoral informa que o teste de integridade do segundo turno comparou 389 votos em papel com os das urnas e não achou divergência, e não há fraude comprovada. Com 99,99% das seções apuradas, Lula teve 51,79% dos votos válidos e Flávio, 48,21%, uma diferença de 4,4 milhões de votos, como mostra a matéria sobre o quarto mandato de Lula. A Folha também explicou o que a lei exige para um pedido de anulação ter chance, na matéria sobre o pedido de Flávio para anular a eleição.

A situação do próprio Dallagnol no TSE
O contexto importa para quem ouve o vídeo. Dallagnol foi eleito no primeiro turno, em 4 de outubro, com 2.904.594 votos (25,14%), a segunda vaga do Paraná no Senado, segundo dados divulgados pela Justiça Eleitoral. Mas o registro da candidatura dele segue contestado no Tribunal Superior Eleitoral. Em setembro, o TRE-PR deferiu o registro. No dia 3 de outubro, o relator no TSE, ministro Floriano de Azevedo Marques, determinou o indeferimento, e no dia seguinte o presidente do tribunal, Kassio Nunes Marques, derrubou a decisão e liberou a candidatura. O julgamento do mérito, marcado para 8 de outubro, foi adiado a pedido da defesa, e a Folha não encontrou nova data. O caso lembra a cassação do mandato de deputado federal dele, em 2023.
Isso não invalida o que ele diz. É só o contexto: ele defende a contestação de um resultado enquanto o registro dele também está contestado. Se o registro for indeferido, os votos dele podem ser anulados. O papel de Deltan na campanha, aliás, já foi tema da Folha na matéria sobre o sigilo de Lula e a fala de Deltan.
Alpha for MenO que vem agora
Quem decide se há base para anular uma eleição presidencial é a Justiça Eleitoral, em ação própria e com prova, e uma declaração em vídeo não é decisão nem prova. Flávio Bolsonaro disse que vai pedir a cassação da chapa de Lula, e Dallagnol promete apresentar dados. Se as ações forem protocoladas, a Folha mostra o que cada uma alega, o que o tribunal responde e quais provas foram juntadas. O resultado oficial, seção por seção, está no portal de resultados do TSE, e a apuração geral, na página de apuração em tempo real da Folha.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






