Charge: as outorgas das bets ficaram na banca do governo
Governo proibiu as apostas online e não devolve os R$ 30 milhões pagos por cada empresa; na charge, Lula vira crupiê e o tigrinho fica sem nada.

O tigrinho perdeu de novo, e desta vez nem foi na roleta. Na charge de hoje, o presidente Lula aparece de viseira verde, colete e gravata-borboleta, como crupiê de cassino, puxando com um rodo os sacos de dinheiro das outorgas das bets para o lado dele da mesa. Do outro lado, o tigrinho chora. A piada vem de uma notícia de sexta-feira (25): o governo proibiu as apostas online no Brasil, mas avisou que não devolve os R$ 30 milhões que cada empresa pagou para funcionar legalmente no país.
No balão, o crupiê resume a regra da casa: “Aposta está proibida. Mas o que entrou aqui não sai mais!”. O tigrinho, que virou apelido de um dos jogos de cassino online mais populares entre os brasileiros, responde com a frase que dá o tom da charge: “E eu achando que o golpe era o tigrinho…”.

O que o governo disse sobre as outorgas das bets
O anúncio foi feito pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, em Brasília, no mesmo dia em que a Medida Provisória nº 1.394 entrou em vigor. Segundo ele, a outorga foi o pagamento por uma autorização “que tem por natureza precária”, e por isso não haverá devolução. Na prática, o dinheiro das outorgas das bets fica com a União, mesmo que as empresas não possam mais operar.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Cada autorização custou R$ 30 milhões e valia por cinco anos. Desde que o mercado foi regulamentado, as outorgas das bets renderam aos cofres públicos cerca de R$ 2,5 bilhões, segundo o Poder360. Durigan também disse que o dinheiro que as famílias gastavam em apostas não vai sumir da economia e deve ir para outros setores, o que compensaria parte da receita que o governo deixa de arrecadar com o setor.
As empresas ainda podem contestar a decisão. Quem pagou por cinco anos de autorização e teve o negócio fechado depois de pouco mais de um ano tende a procurar a Justiça, e a própria MP ainda precisa passar pelo Congresso.
Os prazos da proibição
A MP que proíbe as apostas de quota fixa e os cassinos online vale desde 25 de setembro. Os apostadores têm até 5 de outubro para sacar o saldo que ainda está nas plataformas, e a publicidade das casas de apostas também precisa sair do ar até essa data. A partir de 6 de outubro, os sites ficam bloqueados. O Congresso tem até 120 dias para aprovar a medida, ou ela perde a validade.
A Folha já explicou os detalhes da medida na matéria Proibição das bets: MP tira sites do ar em 6 de outubro. A reação da oposição está em Lula e as bets: Nikolas Ferreira diz que presidente criou o problema.
E quem tem dinheiro parado na bet?
Essa é a parte que interessa a quem mora em Patrocínio e ainda tem saldo em alguma plataforma. O prazo para sacar termina em 5 de outubro. Quem pedir o saque e não receber, tiver o valor retido sem explicação ou encontrar cobrança que não reconhece pode procurar o Procon Municipal de Patrocínio, que atende reclamações de consumidores contra empresas que prestam serviço na cidade, inclusive pela internet. Vale guardar prints do saldo, do pedido de saque e das conversas com o atendimento da empresa antes que o site saia do ar.
Em 2025, os brasileiros perderam R$ 62,5 bilhões em apostas, de acordo com os números citados pelo governo. Em Patrocínio, o assunto já tinha chegado à Câmara Municipal, que votou um projeto sobre a publicidade de bets na cidade, como a Folha mostrou em Publicidade de bets: Câmara de Patrocínio vota projeto e não divulga o resultado.
Uma charge especial
Esta charge é de opinião e usa o humor para comentar uma notícia nacional. Ela fica fora da série diária da Charge da Folha, a de Seu Tonico e Dona Cida, que fala só de notícias boas de Patrocínio e não desenha pessoas reais. Aqui o alvo é uma decisão de governo, e o desenho exagera de propósito, como toda charge política.
O fato por trás da piada é real e está no rodapé da imagem: o governo proibiu o setor e ficou com as outorgas das bets já pagas. O resto (a viseira, o rodo e o tigrinho em lágrimas) é caricatura.
A criação e os textos são de Eric Fernando, redator-chefe da Folha. A ilustração foi feita com inteligência artificial, a partir do roteiro da charge, e os balões, a data e a assinatura foram colocados depois pela própria Folha.
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