Patrocínio do Corinthians: fim das bets pode custar R$ 480 milhões ao clube
Clube calcula perder ao menos R$ 480 milhões da Esportes da Sorte entre 2027 e 2029, depois de fechar o semestre com déficit de R$ 246 milhões e dívida de R$ 2,8 bilhões.

O patrocínio do Corinthians virou uma das contas mais caras da proibição das bets no futebol. O clube calcula que vai deixar de receber pelo menos R$ 480 milhões da Esportes da Sorte, sua patrocinadora máster, se a medida provisória assinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva na sexta-feira (25) continuar valendo. A estimativa cobre de 2027 a 2029, os anos que faltavam no contrato, e pode subir se entrarem na conta os bônus por desempenho.
A projeção foi divulgada pelo site Meu Timão e reproduzida por outros veículos que acompanham o clube. Até a publicação desta reportagem, o Corinthians não tinha divulgado nota oficial sobre o impacto, e a Esportes da Sorte também não havia se manifestado.
O contrato do patrocínio do Corinthians
O acordo com a Esportes da Sorte foi renovado em fevereiro deste ano e vai até dezembro de 2029. Ele prevê R$ 150 milhões fixos por temporada, valor que pode chegar a cerca de R$ 200 milhões por ano com metas esportivas. É o segundo maior patrocínio máster do futebol brasileiro, atrás apenas do contrato do Flamengo com a Betano, de R$ 268,5 milhões por temporada.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O dinheiro de 2026 também já estava parcialmente comprometido. Segundo o Meu Timão, o clube antecipou as parcelas de outubro, novembro e parte de dezembro, cerca de R$ 20 milhões. Com a medida provisória, as marcas de apostas precisam sair das camisas, placas e redes até 5 de outubro.
O que diz a medida provisória
A MP proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade de apostas de quota fixa em todo o país. Contratar publicidade nova já está vedado, e as peças em circulação podem ficar até 5 de outubro. Sites e aplicativos saem do ar a partir de 6 de outubro. A Folha de Patrocínio detalhou os prazos para o apostador na matéria sobre a proibição das bets.
O texto não trata de forma específica da rescisão dos contratos de patrocínio, segundo levantamento do Meio & Mensagem. Ele fixa apenas o prazo para retirar as marcas. Como toda medida provisória, a regra vale desde a publicação, mas precisa ser aprovada pela Câmara e pelo Senado em até 60 dias, prorrogáveis por mais 60. Se não for votada, perde a validade.
O governo apresentou a proibição como parte de um pacote contra o endividamento das famílias. Os números citados pelo Planalto são 1,3 milhão de pedidos de autoexclusão de apostadores e um custo social estimado em R$ 38,8 bilhões por ano.

As contas do clube
O caixa corintiano já estava no vermelho. O clube fechou o primeiro semestre de 2026 com déficit de R$ 246 milhões, bem acima dos R$ 138 milhões que a diretoria do presidente Osmar Stabile havia projetado, de acordo com o balancete noticiado pela CNN Brasil. Entre os gastos fora do previsto estão R$ 32,5 milhões em premiação pelo título da Copa do Brasil de 2025.
A dívida total ficou em cerca de R$ 2,8 bilhões, aproximadamente R$ 100 milhões a mais que no balanço apresentado em 2025. Sem a Esportes da Sorte, o Corinthians precisa encontrar outra patrocinadora máster num mercado em que as casas de apostas eram as maiores compradoras desse espaço.
Disputa política em ano eleitoral
Lula é corintiano declarado, e isso levou o tema para a campanha. Perfis de oposição nas redes sociais passaram a dizer que o presidente pode ter levado o próprio time à falência por cálculo eleitoral. A afirmação é uma leitura política. O Corinthians não fala em falência, e a perda estimada se refere aos anos de 2027 a 2029.
O problema não é só do Corinthians. Na Série A, 14 dos 20 clubes têm casas de apostas como patrocinadoras. O Palmeiras recebe R$ 100 milhões por ano da Sportingbet, e o São Paulo tem contrato de até R$ 113 milhões anuais com a Superbet. O Flamengo afirmou que a proibição não acaba com o mercado ilegal e pode comprometer investimentos e empregos. O Fluminense lembrou que tem seis meses de estoque de camisas com a marca da patrocinadora.
Em Minas, Atlético, Cruzeiro e América já tinham assinado dias antes um manifesto sobre as bets. Os três clubes reconhecem o dano social das apostas, mas argumentam que proibir empurra o apostador para sites clandestinos. Se a Câmara e o Senado mudarem o texto ou deixarem a MP caducar, o patrocínio do Corinthians e o dos outros clubes podem voltar a valer. Por enquanto, as marcas saem das camisas em 5 de outubro.
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