O café arábica fechou a segunda-feira cotado a R$ 1.534,23 por saca de 60 quilos no Indicador Cepea/Esalq, queda de 0,80% no dia. No acumulado do mês, o recuo chega a 12,25%.

Para o produtor de Patrocínio, maior produtor de café do país, a conta prática é esta: a saca vale hoje cerca de R$ 214 a menos do que valia no fim de agosto, e a janela de comercialização da safra recorde está aberta bem no meio dessa queda.

O café arábica caiu em quatro dos cinco últimos pregões

A série recente do indicador mostra uma sequência quase ininterrupta de baixa. Em 15 de setembro a saca valia R$ 1.588,43. Caiu para R$ 1.566,48 no dia 16, R$ 1.541,97 no dia 17, teve uma alta isolada de 0,30% no dia 18, chegando a R$ 1.546,58, e voltou a cair na segunda-feira.

Em dólar, o indicador está em US$ 300,42, patamar que ajuda a explicar por que o exportador segue comprando mesmo com a queda em reais.

O robusta acompanha o movimento, em ritmo mais lento: R$ 957,72 na segunda-feira, queda de 0,84% no dia e de 6,30% no mês.

Armazem de cafe da Expocacer em Patrocinio, onde o cafe arabica e recebido e embarcado
Armazém da Expocacer em Patrocínio. Foto: Divulgação/Expocacer

Por que o preço está caindo

A pressão vem da oferta. O Brasil exportou 4,16 milhões de sacas em agosto, recorde para o mês e alta de 31% sobre agosto de 2025, com o café verde respondendo por 3,8 milhões. Volume grande saindo do país, em plena safra recorde, reduz a sensação de escassez que sustentava a cotação.

Some a isso o movimento de traders preparando volume de café arábica brasileiro para certificação nos armazéns da bolsa de Nova York. Estoque certificado é o que o mercado enxerga como disponível de imediato, e a recomposição dele dilui o prêmio que o comprador pagava pela dificuldade de achar café pronto.

A queda que motivou o decreto continua

Em 17 de setembro, a Prefeitura de Patrocínio decretou situação de emergência econômica no setor agropecuário por 180 dias, citando entre os motivos a queda de preço, a alta de custos e a restrição de crédito rural. Naquela data, o indicador do Cepea estava em R$ 1.541,97.

Cinco dias depois, o número é menor. O decreto não segurou o preço, e nem se propõe a isso: ele serve como documento para renegociação de dívida com banco, cooperativa e fornecedor, não como mecanismo de sustentação de cotação.

Conab divulga o 3º levantamento nesta quinta

O próximo número capaz de mexer com o mercado sai na quinta-feira, 24 de setembro, quando a Companhia Nacional de Abastecimento divulga o 3º levantamento da safra brasileira de café de 2026. É o penúltimo boletim do ano, seguido apenas pelo de janeiro de 2027.

Como referência, o 1º levantamento do ano projetou produção nacional de 66,2 milhões de sacas, alta de 17,1% sobre a safra anterior, com Minas Gerais em 32,4 milhões de sacas, avanço de 25,9%. A área plantada nacional foi estimada em 2,3 milhões de hectares, 3,4% maior.

Se a Conab confirmar ou elevar esses números, o efeito tende a ser mais pressão sobre a cotação, porque oferta grande com estoque mundial em recomposição derruba o prêmio de escassez que sustentou o preço nos últimos meses.

O que o produtor do Cerrado faz com isso

A colheita no Cerrado Mineiro está em 99% da área projetada, com 91% da produção já beneficiada, segundo o boletim da Expocacer. Ou seja: o café está no armazém, e a decisão que resta é quando vender.

Parte dos produtores da região vem travando a venda à espera de recuperação. É uma aposta que depende de fatores que não estão sob controle de ninguém aqui: clima nas regiões produtoras, ritmo de certificação de estoque na bolsa de Nova York e câmbio.

Quem precisa de caixa no curto prazo enfrenta o cenário oposto, e é aí que o decreto municipal entra como instrumento de negociação, não de preço.

Vale lembrar que o indicador do Cepea mede o café arábica em bica corrida tipo 6, padrão nacional, e não o preço praticado no balcão de cada cooperativa. As médias regionais do Cerrado Mineiro costumam ficar acima do indicador, porque a região entrega bebida de qualidade superior, e por isso os dois números não devem ser comparados diretamente.

A série completa do indicador, com histórico diário, fica disponível no site do Cepea/Esalq, com atualização a cada pregão.


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Retrato oficial do prefeito de Patrocínio, Gustavo Brasileiro
Gustavo Brasileiro, prefeito de Patrocínio. Foto: Prefeitura de Patrocínio/Divulgação

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