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Mestre de torra de Patrocínio é convidado para o Cup of Excellence

Mattheus Narcizo vai padronizar a torra das amostras do Torra COE, que abre no dia 12 em Varginha, para que nenhum lote entre na prova com vantagem.

Profissional carregando torrador de tambor com graos de cafe, trabalho do mestre de torra
Profissional carregando torrador de tambor com graos de cafe, trabalho do mestre de torra

Patrocínio é o município que mais produz café no Brasil, mas quem sai da cidade para julgar café numa competição nacional é raro. Mattheus Narcizo, mestre de torra formado na praça, foi convidado para o Torra COE, a etapa de torrefação do Cup of Excellence, que começa no dia 12 em Varginha, no Sul de Minas.

O trabalho dele na competição é operar a máquina, não provar e dar nota. Mattheus vai atuar ao lado de outro profissional na etapa que antecede a prova dos jurados, com a missão de deixar todos os lotes no mesmo ponto de torra, para que nenhum café entre na mesa com vantagem ou desvantagem por causa do processo.

O que faz um mestre de torra numa competição

A torra é o ponto do processo em que um café bom pode ser estragado e um café mediano pode parecer melhor do que é. Numa competição em que a diferença entre o primeiro e o quinto colocado às vezes cabe em meio ponto, o trabalho do mestre de torra é apagar a própria assinatura: entregar cada amostra no perfil combinado, sem interferência pessoal.

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Mattheus resume a exigência técnica da função como uma soma de áreas distintas. Segundo ele, a atividade envolve conhecimentos de química, física, matemática e geografia, além da experiência prática acumulada no dia a dia da torrefadora. Grão de altitude diferente, variedade diferente e processo diferente respondem de outro jeito ao mesmo calor.

Mestre de torra abastecendo maquina de torrefacao de cafe com funil metalico
O trabalho do mestre de torra num torrador de tambor, etapa que define o perfil sensorial do grão. Foto ilustrativa: Jameswasswa/Wikimedia Commons (CC BY-SA 4.0)

Como o concurso funciona

O Torra COE está dividido em três etapas, e a de Varginha abre a disputa. Nessa primeira fase, os participantes são avaliados e ranqueados em âmbito nacional. Quem passa segue para a etapa internacional, em que os lotes brasileiros são comparados com os de outros países produtores.

O Cup of Excellence é o programa que seleciona e leiloa lotes de qualidade excepcional, e existe no Brasil desde o fim dos anos 1990. A competição costuma ser o caminho pelo qual um café de fazenda pequena chega a comprador estrangeiro pagando várias vezes o valor do mercado comum. Varginha concentra a estrutura de provas do país e recebe todo ano as etapas nacionais.

A trajetória do mestre de torra de Patrocínio

Mattheus entrou no setor cafeeiro em 2012. No ano seguinte descobriu a torrefação, que virou especialidade. Desde então passou a estudar classificação, variedades, altitude e técnica de torra, a base do trabalho que hoje o levou ao convite.

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A folha de competições é longa. Desde 2021 ele chegou seis vezes à final do Torrefação do Ano. Em 2023 foi campeão nacional, disputou a competição mundial e ainda recebeu, em São Paulo, o reconhecimento de melhor café torrado para espresso. É esse currículo que sustenta o convite para uma função em que a competição precisa confiar em quem opera a máquina.

Volume de saca e reputação são coisas diferentes

A cidade lidera a produção nacional de café. Segundo o IBGE, foram 64.225 toneladas colhidas em 2024, o maior volume entre todos os municípios brasileiros. Patrocínio também é a sede da Expocacer, a Cooperativa dos Cafeicultores do Cerrado, fundada em 1993, que reúne produtores da região e acompanha semanalmente o andamento da colheita.

O Cerrado Mineiro aparece com facilidade nas estatísticas de volume e com muito menos frequência nas competições de qualidade sensorial, historicamente dominadas pelo Sul de Minas e pela Mogiana paulista. Um mestre de torra da cidade sentado na estrutura técnica do Cup of Excellence é um tipo de presença que o volume de sacas sozinho não compra.

A colheita da safra atual na região já passou dos 90% no fim de agosto, e o mercado vem de um mês instável, com o preço do arábica em queda depois de agosto em alta. Reconhecimento técnico não altera cotação, mas ajuda a sustentar o café da região no segmento de especiais, que é onde a margem do produtor resiste melhor à oscilação de bolsa. Outras notícias da produção regional estão na editoria de Cidade.

A etapa de Varginha começa no dia 12 de setembro. Informações sobre o programa e o calendário das competições ficam no site da Associação Brasileira de Cafés Especiais, que organiza as fases brasileiras.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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