Advogada e filho de 6 anos são encontrados mortos em Cotia; ex-namorado é o principal suspeito, segundo a PM
Os corpos estavam numa casa no Jardim Caiapia. O suspeito não se apresentou à polícia, e a Secretaria da Segurança Pública ainda não divulgou nota.

Uma advogada de 29 anos e o filho dela, de 6, foram encontrados mortos em Cotia, na Grande São Paulo, na noite desta terça-feira (3). Os dois corpos estavam numa residência no bairro Jardim Caiapia. Segundo informações da Polícia Militar divulgadas no início da noite, o principal suspeito é um ex-namorado da advogada, que não foi localizado.
Ainda de acordo com as primeiras informações, uma advogada que representa o suspeito foi a uma delegacia da região para comunicar o caso, mas o homem não se apresentou às autoridades. Até a publicação desta reportagem, a Secretaria da Segurança Pública de São Paulo não tinha divulgado nota, e a causa das mortes não havia sido informada. A Folha não publica o nome do suspeito porque não há confirmação oficial da Polícia Civil sobre a autoria.
O que se sabe sobre os mortos em Cotia
As informações iniciais sobre o local divergem. Os primeiros relatos falavam em um apartamento, e a versão atribuída à PM indica uma casa no Jardim Caiapia, que seria do ex-namorado. Também não está claro qual era a relação atual entre os dois. A investigação deve ficar com a Polícia Civil, que vai ouvir testemunhas, pedir os laudos do Instituto Médico Legal e tentar localizar o suspeito.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Se a investigação confirmar que a mulher foi morta pelo ex-companheiro por razões de gênero, o crime é tratado pela lei como feminicídio, que tem pena prevista de 20 a 40 anos de prisão desde a mudança no Código Penal em 2024. A morte da criança também depende da perícia para ter as circunstâncias esclarecidas.
A lei que criou o feminicídio como crime autônomo, em outubro de 2024, também prevê aumento de um terço até a metade da pena quando o crime é cometido na presença de filhos ou de pais da vítima, ou contra mulher que é mãe de criança. A mesma lei endureceu as regras para progressão de regime e proíbe que o condenado assuma cargo público durante o cumprimento da pena. Essas regras só se aplicam se a Justiça entender, ao fim do processo, que houve feminicídio.
Cotia fica a cerca de 30 quilômetros do centro de São Paulo, na região oeste da Grande São Paulo, e tem pouco mais de 270 mil moradores, segundo o Censo de 2022 do IBGE. A apuração das mortes cabe à Polícia Civil de São Paulo, com o apoio da perícia técnica.

Alpha for MenCasos recentes de violência contra mulheres
O caso de Cotia se soma a uma sequência de crimes contra mulheres que a Folha acompanhou nos últimos dias em Minas Gerais e em São Paulo. Em João Pinheiro, um homem foi preso suspeito de estrangular a ex-companheira até ela desmaiar. Na região, a polícia investigou a morte da jovem de Perdizes Priscila Lacerda, e o suspeito de matá-la foi encontrado morto dias depois em Rifaina. Em outro caso, um homem é suspeito de arrancar os dentes da ex com um alicate.
Como pedir ajuda
Mulheres em situação de violência podem ligar para o 180, a Central de Atendimento à Mulher, que funciona 24 horas, é gratuita e também atende pelo WhatsApp no (61) 9610-0180. Em emergência, o número é o 190, da Polícia Militar. A página do Ligue 180 explica como fazer a denúncia, que pode ser anônima.
A Lei Maria da Penha garante medidas protetivas de urgência, como o afastamento do agressor e a proibição de contato, que podem ser pedidas na delegacia, inclusive na Delegacia de Defesa da Mulher, ou direto ao juiz. Quem presenciar uma agressão também pode denunciar.
A Folha vai atualizar esta reportagem quando a Polícia Civil ou a Secretaria da Segurança Pública divulgarem informações oficiais.
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