Flávio diz que a Globo desistiu de entrevista sem cortes e promete falar a outros veículos
Em nota no X, Flávio diz que aceitou entrevista exclusiva com a condição de ir ao ar na íntegra. A Globo não se manifestou, e a Folha mostra o que se sabe e o que falta.

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) disse que aceitou dar uma entrevista sem cortes à TV Globo, exclusiva, com a condição de que fosse ao ar na íntegra e sem temas proibidos, e que a emissora desistiu. A versão está numa “Nota ao Brasil” publicada no X no domingo (1º), às 20h28. Até a manhã desta terça-feira (3), a Folha não encontrou nenhuma resposta oficial da Globo, e por isso o que existe até agora é só a versão do senador.
O que Flávio disse na nota
No texto, o senador afirma que foi procurado por vários veículos durante a semana, entre eles a Globo, que o convidou para uma entrevista exclusiva. Ele diz que topou com uma única exigência, a de que o material fosse exibido inteiro. Segundo ele, a emissora preferiu não seguir adiante. Flávio escreve ainda que, “pelo que tudo indica”, o Fantástico do mesmo domingo exibiria uma reportagem sobre ele sem direito de resposta. Isso é uma previsão feita por ele antes do programa, e não um fato que a nota comprove.
A nota promete que, nos próximos dias, ele vai falar com veículos brasileiros e estrangeiros “sem cortes, sem filtro”. Não cita nenhum outro veículo, nem data ou horário. O texto também critica o ministro Alexandre de Moraes, diz que uma decisão judicial com medidas cautelares saiu sete minutos depois do anúncio do resultado da eleição e que a Polícia Federal o intimou cerca de 12 horas depois, na rua, quando saía da casa do pai, Jair Bolsonaro. Flávio chama isso de perseguição política. A Folha não localizou, nesses pontos, manifestação da PF ou do ministro.
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O que a Globo respondeu
Por enquanto, nada. As reportagens publicadas sobre a nota dizem que a emissora foi procurada e não havia dado retorno. Isso não significa que o senador esteja certo nem errado: entrevistas desse tipo costumam ter regras combinadas entre as duas partes, como duração, estrutura e edição, e a divergência sobre elas pode ter sido o motivo da desistência, se a desistência existiu. Sem a versão da Globo, a Folha só pode dizer que o convite e a recusa são relatados por um dos lados. Se a emissora se manifestar, esta reportagem será atualizada.
A viagem aos Estados Unidos
A nota chega com Flávio em Miami. Ele desembarcou na Flórida em 28 de outubro, com a mulher e as duas filhas, depois de deixar o Brasil por via terrestre rumo à Argentina e embarcar em avião particular, com escala no Equador. A viagem aconteceu depois de Moraes determinar a entrega dos passaportes e impor medidas cautelares. Dias antes, em vídeo, o senador havia dito que não pretendia sair do país.
O roteiro foi mostrado pelo Fantástico, que citou um voo saindo de Brasília às 5h05 de terça-feira (27). O advogado Frederick Wassef disse que nenhuma informação sobre a saída é oficial e negou que tenha sido uma fuga. A própria PF afirmou, em comunicado de 28 de outubro, que a viagem não configura fuga nem justifica prisão, como a Folha mostrou em cartaz de Flávio nos EUA que o chama de “procurado”. Já Donald Trump disse que ele pode ficar no país “o tempo que quiser”, como a Folha registrou em Trump diz que a eleição foi uma desgraça.
Alpha for MenO que se sabe sobre o resultado da eleição
Em publicações que repetem a nota, o episódio aparece resumido como uma promessa de falar sobre “eleições roubadas”. Essa expressão não está no texto do senador que a Folha leu, e nenhuma autoridade eleitoral apontou fraude. Com 100% das seções apuradas, Lula teve 64.256.232 votos (51,79% dos válidos), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio, uma diferença de cerca de 4,43 milhões. O presidente do Tribunal Superior Eleitoral, Kassio Nunes Marques, telefonou aos dois candidatos para confirmar o resultado. Os números oficiais estão no painel de resultados do TSE.
Flávio disse que não reconhece o resultado e que pediria a anulação da eleição. As reportagens consultadas registram que ele e aliados falam em fraude sem apresentar provas. O ponto de maior atrito foi a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo, que estendeu a votação até as 19h no domingo do segundo turno. A Folha reuniu o que cada ministro disse e decidiu em Dino e Zanin: o que o STF disse e decidiu sobre a eleição. No plano externo, até 31 de outubro o governo americano não tinha parabenizado Lula em público, como a Folha mostrou em Rubio e Mauro Vieira se falam no G20.
O que ainda não se sabe
Ainda não há resposta para quatro perguntas. A Globo confirma o convite e explica por que não foi adiante? Quais veículos vão receber o senador, e quando as entrevistas vão ao ar? O Fantástico ouviu a defesa dele antes da reportagem sobre a viagem, como a nota contesta? A Folha não conseguiu verificar esse ponto. E a Justiça vai tomar novas decisões sobre as medidas cautelares enquanto ele estiver fora do país?
O que muda com uma entrevista sem cortes
Uma entrevista sem edição mostra o que a pessoa disse, mas não prova que o que ela disse é verdade. Quando as conversas saírem, a Folha confere o que for novo, como a acusação de fraude e a de perseguição, contra documentos, números e a resposta de quem for citado.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






