Cartaz de Flávio nos EUA o chama de “procurado” e imita a PF, que já disse que o senador não é foragido
Papel colado no metrô de Nova York no Halloween avisa, em letra miúda, que não é documento oficial; Flávio entrou nos EUA com parole humanitário, e não com visto.

Atualização 02/11, 13h30: o vídeo da ação, gravado pela própria ativista, mostra que o cartaz também convoca brasileiros a curtir e comentar posts contra Trump na véspera das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, nesta terça (3). O vídeo está mais abaixo.
O cartaz de Flávio nos EUA que circula desde o fim de semana traz o brasão da Polícia Federal, a bandeira do Brasil e a palavra “WANTED”, procurado em inglês, em letras vermelhas. Ele foi colado em ruas e estações do metrô de Nova York durante o fim de semana do Halloween, comemorado no sábado (31). Logo abaixo do título, porém, o próprio papel avisa em letras menores: “Relax, this is not an official document”, ou seja, “calma, isto não é um documento oficial”. A PF não emitiu aviso de procurado. Em comunicado de quarta-feira (28), a corporação afirmou que a viagem do senador aos Estados Unidos não configura fuga nem justifica prisão.
Num vídeo gravado durante a ação, uma das ativistas, que não mostra o rosto, cola os cartazes nos azulejos de uma estação. As primeiras informações divulgadas apontam que o grupo é formado por brasileiros que moram na cidade. Os cartazes pedem a deportação do senador e terminam com a hashtag #deportbolsonaro.
Drogaria CentroAqui tem cuidado para todos.
Disk Cerveja do RenatinhoCerveja gelada na sua porta.
Monteiro Casa de CarnesO corte certo para o seu churrasco e o dia a dia.
OnNet TelecomMuito mais opções para viver cada história do seu jeito.
Digital Comunicação VisualFachadas, placas, adesivos e impressão.
Zé do LancheBateu a fome? O Zé resolve.
Rivelini DesentupidoraDesentupimento em Patrocínio e região
Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O que diz o cartaz de Flávio nos EUA
O texto copia o formato dos avisos de procurado usados pela polícia americana. Sob o título “procurado por crimes graves contra a democracia”, aparece uma lista de acusações: tentativa de golpe de Estado, organização criminosa, lavagem de dinheiro, corrupção, desvio de dinheiro público e crimes contra o Estado Democrático de Direito. Um parágrafo diz que o “suspeito” é investigado por um plano para minar as instituições brasileiras com apoio de “atores estrangeiros”, bancado por Donald Trump e aliados.
No pé do cartaz, outra frase afirma que Flávio “escapou do Brasil” e que Trump lhe deu um visto americano. Essa parte não bate com os registros. Dados da alfândega americana (CBP) revelados na quarta (28) mostram que ele entrou na categoria “DT”, de permissão humanitária (parole), válida até 27 de outubro de 2027. O parole não é visto nem asilo. Os detalhes da entrada estão na reportagem sobre Flávio em Miami.
O que a ativista diz no vídeo
A gravação tem cerca de um minuto e meio. A mulher não aparece de rosto: a câmera mostra as mãos dela colando os papéis nas paredes de azulejo do metrô e em postes de rua. Ela fala em português e diz que quer lembrar aos americanos que Bolsonaro “não é um perseguido político” e “precisa ser deportado”. Também acusa Trump de interferir nas eleições brasileiras e termina com “Bolsonaro na cadeia” e um “feliz Halloween”. No vídeo, ela não deixa claro se fala do senador ou do pai dele, Jair Bolsonaro, condenado pelo STF em setembro de 2025 no processo da trama golpista.
A segunda parte do recado vai para os brasileiros. A ativista diz que é “hora de dar o troco” e que o Brasil tem “o maior exército digital popular do mundo”. Ela pede que brasileiros curtam, comentem e compartilhem posts de americanos contra Trump e a favor de candidatos “que respeitam a democracia”. O mesmo apelo aparece em inglês no pé do cartaz, que oferece essa ajuda a candidatos à Câmara e ao Senado que fazem oposição ao presidente americano. Os Estados Unidos votam nesta terça-feira (3) nas eleições de meio de mandato, que renovam a Câmara inteira e um terço do Senado.
Ela não se identifica no vídeo, e não há informação sobre quantas pessoas participaram da ação.
Alpha for Men
Flávio não é foragido
Não existe mandado de prisão contra o senador. No comunicado da semana passada, a PF disse que restrições a documentos de viagem não transformam ninguém em foragido, por si só, e descartou pedir a prisão dele pela viagem.
Flávio é investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF). Um deles, relatado pelo ministro Alexandre de Moraes, apura suspeita de lavagem de dinheiro e também tem como alvo o advogado Willer Tomaz. O outro trata do financiamento do filme “Dark Horse”, sobre a vida de Jair Bolsonaro. Os dois negam irregularidades. Nenhum dos inquéritos conhecidos é sobre golpe de Estado, a acusação que abre a lista do cartaz.
A ordem que ele deixou de cumprir é outra. Na segunda-feira (26), um dia depois do segundo turno, Moraes mandou cancelar os passaportes brasileiros do senador, inclusive o diplomático, e entregar em até 24 horas os de outras nacionalidades. O prazo venceu na terça (27), às 11h, sem a entrega. Naquela noite, Flávio cruzou a fronteira com a Argentina por Foz do Iguaçu com a mulher e as duas filhas. A família seguiu de jato para Guayaquil, no Equador, e pousou em Miami na manhã de quarta (28).
O que dizem Flávio e o governo americano
A Folha não encontrou manifestação do senador ou da assessoria dele sobre os cartazes, nem da PF sobre o uso do brasão. Depois de chegar aos Estados Unidos, Flávio divulgou uma carta em que fala em “caça às bruxas” e diz que vai liderar a oposição de lá. No sábado (31), Trump afirmou que ele pode ficar no país “o tempo que quiser”, como mostrou a reportagem em que o presidente americano diz que a eleição foi uma desgraça. No mesmo dia, o secretário de Estado, Marco Rubio, disse que o governo americano não teve envolvimento direto na saída do senador do Brasil.
No segundo mandato de Trump, o governo americano passou a examinar as redes sociais de quem pede visto ou residência. A checagem de redes sociais em pedidos de visto e residência foi tema da reportagem sobre redes sociais e visto americano.
Protestos dos dois lados
O cartaz de Nova York não foi o único ato contra o senador no fim de semana. No Brasil, estudantes foram às ruas em nove estados no sábado, como contou a reportagem sobre os atos da UNE. Flávio, por sua vez, diz em nota divulgada depois da viagem que é perseguido.
Lula foi reeleito em 25 de outubro com 64.256.232 votos (51,79%), contra 59.826.041 (48,21%) de Flávio. A diferença ficou em cerca de 4,4 milhões de votos.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






