Rony Gabriel e o Fantástico: o que é fato no vídeo contra o perfil de Janones
O deputado acusa a Globo de omitir medida protetiva, acordo da rachadinha e um livro. A Folha conferiu: os fatos existem, mas não dá para saber o que o programa mostrou.

Rony Gabriel e o Fantástico viraram assunto nesta segunda-feira (2): num vídeo, o deputado federal eleito pelo Podemos do Rio Grande do Sul acusa a Globo de ter feito um perfil elogioso do deputado André Janones, no domingo (1º), e de omitir a medida protetiva da ex-mulher dele, o acordo da “rachadinha” e um livro em que, segundo reportagens, Janones teria admitido o uso de notícias falsas. A Folha conferiu cada ponto com documentos e reportagens. A maior parte dos fatos citados existe, mas a Folha não conseguiu verificar o que o programa deixou de mostrar, e dois trechos do vídeo ficaram fora da versão que a Folha publicou nas redes.
O que o Fantástico exibiu no domingo
O programa levou ao ar uma reportagem sobre os bastidores do “Exército do Lula”, o canal de WhatsApp que Janones criou para mobilizar apoiadores na campanha. A equipe acompanhou a rotina do deputado, e a chamada falava em 10 milhões de brasileiros reunidos em três semanas. Em entrevista exibida na reportagem, segundo a imprensa, Janones descartou assumir um ministério e disse que quer chegar a 13 milhões de participantes até a posse do presidente. A Folha já havia comentado a escolha da pauta em texto de opinião, antes de o programa ir ao ar.
Rony Gabriel afirma no vídeo que a reportagem teve quase dez minutos e que “omitiu” os pontos que ele lista a seguir. A Folha não localizou a íntegra da reportagem nem uma resposta da Globo ou de Janones ao vídeo, e por isso não pode confirmar se o programa citou ou não esses assuntos. O que dá para checar é cada fato apontado por ele.
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A medida protetiva da ex-mulher de Janones
É fato que existe uma medida protetiva. A prefeita de Ituiutaba (MG), Leandra Guedes, ex-companheira de Janones, obteve do Tribunal de Justiça de Minas Gerais, em abril de 2025, uma decisão que proíbe o deputado de se aproximar dela e de familiares a menos de 300 metros. Segundo as reportagens, ela relatou ter sido ameaçada de ter fotos íntimas divulgadas e acusou Janones de interferir na administração municipal. Janones nega e fala em armação. O processo corre em segredo de Justiça, e uma medida protetiva não é condenação criminal. A Folha detalhou o caso na reportagem sobre o convite da campanha de Flávio Bolsonaro a Leandra Guedes para o debate da Globo.
A “rachadinha” e o acordo com o Supremo
Também é fato que houve um acordo. O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, homologou em março de 2025 um acordo de não persecução penal entre Janones e a Procuradoria-Geral da República no inquérito 4949, sobre a “rachadinha” no gabinete dele. Pelo texto divulgado pelo próprio STF, Janones aceitou devolver R$ 157,8 mil à Câmara, pagar multa e não cometer outro crime durante o cumprimento. Reportagens da época citaram valores diferentes, como R$ 131,5 mil, e a Folha usa o número do Supremo.
Esse tipo de acordo exige que o investigado reconheça a culpa, e o Supremo registra que Janones admitiu a prática. Mas não é uma condenação em julgamento. Já a frase de que a rachadinha “bancou até clínica de estética” vem de reportagens sobre a investigação da Polícia Federal, que apontaram despesas de mais de R$ 3 mil em clínicas de estética pagas com o cartão de um assessor, entre outros gastos pessoais. Janones disse, na época, que usou o cartão de um auxiliar para despesas pessoais em 2019 e 2020.
O livro e as notícias falsas
Em 2023, reportagens sobre o livro “Janonismo Cultural” afirmaram que ele admitia ter divulgado mentiras para “desestabilizar” Jair Bolsonaro na campanha de 2022, entre elas a de que Fernando Collor seria ministro num novo governo do então presidente. Janones contestou a manchete de um dos jornais e disse que a matéria não citava nenhuma página do livro nem uma fala entre aspas em que ele afirmasse ter usado notícias falsas. Deputados bolsonaristas levaram o caso ao STF, e a Folha não encontrou o andamento atual desse pedido. Ou seja: a admissão existe na leitura de parte da imprensa, e o próprio Janones a contesta.
Alpha for MenO que ficou fora do vídeo da Folha
Para publicar o trecho nas redes, a Folha cortou do vídeo dois pedaços que não conseguiu sustentar: uma comparação com outro caso criminal e uma insinuação sobre o caso Banco Master. O restante vai como o deputado gravou, e as afirmações são dele.
Por que isso importa agora
O Exército do Lula ganhou peso de assunto público depois da vitória de Lula em 25 de outubro. O presidente disse que vai falar pelo canal do Janones, e a campanha adversária pediu ao TSE a suspensão de canais do tipo. A Folha atualiza esta matéria se a Globo ou Janones responderem às críticas.
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