Major da PM de SP é acusado pelo MP de filmar tenente no banho no alojamento da Casa Militar
O caso é de outubro de 2024, no Palácio dos Bandeirantes. Na PM, o oficial levou só uma repreensão leve; a defesa fala em brincadeira e em motivação política.

Um major da PM de SP responde na Justiça Militar à acusação de ter filmado uma tenente, sua subordinada, enquanto ela tomava banho no alojamento feminino da Casa Militar, dentro do Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista. O oficial é Leonardo Casabona, que era capitão na época. A denúncia foi apresentada em 26 de maio pela 4ª Promotoria de Justiça Militar e veio a público nesta semana. O nome da tenente não foi divulgado.
Segundo a acusação, o caso aconteceu por volta das 23h de 9 de outubro de 2024. A promotora Giovana Ortolano Guerreiro escreveu que o oficial agiu “de forma clandestina e sem consentimento da vítima”. A defesa diz que tudo não passou de um mal-entendido e de uma brincadeira de mau gosto.
O que diz a denúncia contra o major da PM de SP
Pelo relato que está no processo, a tenente percebeu um celular apontado para ela por baixo da porta do boxe. Saiu enrolada em uma toalha e encontrou o então capitão no corredor, com o aparelho na mão. Ao ser questionado sobre o que estava fazendo, ele teria respondido: “Nada, eu iria só zoar”. Mensagens trocadas depois, anexadas aos autos, mostram o oficial pedindo desculpas e dizendo que não tinha feito nada e que só queria brincar.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O Ministério Público enquadrou o caso no artigo 216-B do Código Penal, que trata do registro não autorizado da intimidade sexual. O crime foi criado em 2018 e prevê detenção de seis meses a um ano, além de multa, para quem filma, fotografa ou registra, sem autorização, cena de nudez ou de ato íntimo de outra pessoa. O processo corre em segredo de Justiça e será julgado por um Conselho Especial de Sentença, formado por quatro coronéis e um juiz auditor da Justiça Militar de São Paulo. O major não foi condenado.

Como o caso chegou ao governador
A tenente contou o que aconteceu à capitã Iara Maria, mulher de Guilherme Derrite, então secretário da Segurança Pública de São Paulo. Iara avisou o marido, que levou o caso ao governador Tarcísio de Freitas. Em 14 de outubro de 2024, cinco dias depois do episódio, a tenente formalizou a denúncia na Corregedoria da PM.
Tarcísio mandou afastar o oficial da Casa Militar. Ele foi transferido para o 21º Batalhão da PM, na Baixada Santista, e passou a ser alvo de uma sindicância. Na época, a Casa Militar era chefiada pelo coronel Henguel Ricardo Pereira, hoje secretário-adjunto da Segurança Pública, que não foi avisado diretamente pela subordinada.
A punição disciplinar foi uma repreensão
Na esfera administrativa, o resultado foi leve. Um boletim reservado do Comando de Policiamento do Interior 6, de 18 de maio de 2026, registrou repreensão ao oficial por perturbar a tranquilidade do alojamento feminino ao golpear um biombo, sob o pretexto de uma “interação lúdica”. O documento classifica a medida como “sanção disciplinar leve” e não menciona a suspeita de gravação. Oito dias depois, o Ministério Público apresentou a denúncia criminal.
Alpha for MenEm audiência no dia 8 de outubro deste ano, Casabona sustentou a versão de mal-entendido. Procurado pela imprensa, não quis se manifestar. A advogada da tenente, Gabriela Manssur, também não respondeu aos pedidos de entrevista. A Polícia Militar não tinha se manifestado publicamente sobre o processo até a publicação desta reportagem.
O caso no meio da disputa por dossiês na segurança de SP
A defesa do major levanta a suspeita de motivação política na acusação. O processo veio à tona no momento em que o nome do coronel Henguel é cotado para comandar a Secretaria da Segurança Pública no próximo mandato de Tarcísio. Henguel disse conhecer dossiês que, segundo ele, foram produzidos para prejudicá-lo, e questionou o papel de Derrite no encaminhamento da denúncia. Derrite, eleito senador em outubro, não quis comentar.
Segundo os relatos sobre a crise, Tarcísio avisou a cúpula da segurança que vai afastar todos os envolvidos se a troca de dossiês não parar. O governador atribui os documentos a oficiais da PM insatisfeitos. A disputa ocorre enquanto ele já admite disputar a Presidência, como mostrou a reportagem sobre Tarcísio candidato em 2030.
Crimes contra a intimidade e onde denunciar
Gravar alguém nu ou em situação íntima sem autorização é crime mesmo que as imagens não sejam divulgadas. Se forem compartilhadas, a pena é maior, pelo artigo 218-C do Código Penal, que prevê de um a cinco anos de reclusão. A Folha publicou nesta semana outros casos de crime sexual, como os da a importunação sexual em Patrocínio e do parque aquático em Caldas Novas. A vítima pode procurar qualquer delegacia, a Polícia Militar pelo 190 ou a Central de Atendimento à Mulher, pelo 180, que funciona 24 horas.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






