Jornal alemão Welt questiona o Estado de Direito no Brasil em artigo de opinião
O texto de Tobias Käufer é da seção de opinião do jornal e parte da fuga de Flávio Bolsonaro. A Folha conferiu as datas e separa o que é fato do que é avaliação do autor.

O jornal alemão Welt publicou um artigo de opinião que questiona o Estado de Direito no Brasil e afirma que o presidente Lula transformou o Judiciário numa espécie de seguro jurídico para o próprio grupo político. O texto, assinado pelo correspondente Tobias Käufer, saiu na seção Debatte, reservada a opinião, e parte da fuga do senador Flávio Bolsonaro para os Estados Unidos.
A tese é de um autor, e o texto não é apuração do jornal. A Folha leu o artigo, conferiu as datas e os fatos citados e separa abaixo o que está documentado do que é avaliação. Até a publicação desta matéria, neste sábado (31), não havia resposta do Planalto nem do Supremo Tribunal Federal ao texto.
O que o artigo do Welt afirma sobre o Estado de Direito no Brasil
O título original, no site do Welt, é “Bolsonaros Flucht: Ist Brasilien noch ein Rechtsstaat?”, ou “A fuga de Bolsonaro: o Brasil ainda é um Estado de Direito?”. O argumento central é que o Judiciário agiu depressa demais contra o derrotado da eleição. Segundo o texto, pouco depois de Lula ser confirmado vencedor, na noite de 25 de outubro, chegou ao tribunal o pedido da Polícia Federal para recolher o passaporte de Flávio. Para o autor, a Justiça parecia esperar a oportunidade para uma “campanha de vingança”, e alguns juízes teriam enfrentado pedidos de impeachment se Flávio tivesse vencido.
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Käufer também escreve que, ao fim do quarto mandato de Lula, em 2030, o PT terá ocupado a Presidência por 22 dos 28 anos e, com isso, terá tido o direito de nomear ministros do Supremo. Segundo ele, a indicação de um ministro evangélico por Jair Bolsonaro provocou forte reação da imprensa internacional, enquanto a escolha, por Lula, do próprio advogado e de um integrante do governo para a Corte passou sem reação. O artigo não cita os nomes, mas a descrição remete a Cristiano Zanin e a Flávio Dino.
O texto lista ainda outros episódios que, na leitura do autor, minam a confiança nas instituições: a ameaça de um ministro do Supremo à organização Transparência Internacional, a soltura de condenados por corrupção ligados ao poder e o asilo concedido pelo Brasil a Nadine Heredia, ex-primeira-dama do Peru condenada por corrupção. Sobre Lula, o jornal lembra que, dois dias depois da eleição, no aniversário de 81 anos, o presidente comentou a saída de Flávio dizendo, em essência, que quem não deve não teme. Para Käufer, a fala soou como ordem às autoridades. A Folha tratou dessa declaração na matéria sobre Lulinha na Espanha.
O que a Folha conferiu
As datas do caso, segundo o que a imprensa e a Polícia Federal divulgaram, são estas. O inquérito, sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes, apura suspeita de lavagem de dinheiro e evasão de divisas ligada ao advogado Willer Tomaz, amigo de Flávio. Na noite de 25 de outubro, depois que o resultado foi confirmado, a PF pediu medidas cautelares contra o senador e Moraes assinou a decisão. Na segunda-feira (26), Flávio foi intimado a entregar os passaportes em 24 horas, ficou proibido de sair do país e de contatar Tomaz. O prazo terminou na terça (27) sem entrega, e ele desembarcou na região de Miami na quarta-feira (28), com a mulher e as filhas.
Flávio afirma que a ordem se apoiou numa fala do irmão, Eduardo Bolsonaro. A defesa diz que a relação com Tomaz é de amizade entre as famílias. A versão dele está na matéria sobre a live do senador nos Estados Unidos. Lula chamou a saída de “vergonhosa”.
Alpha for MenSobre o jornalista, o artigo fala em suspensão do sigilo de fonte. O que está documentado é que, em 11 de agosto, Moraes autorizou buscas contra um homem apontado pela PF como fonte de um jornalista do Maranhão que escreveu sobre o uso de carros oficiais pela família de Flávio Dino. O STF informou que o pedido partiu da PF e teve parecer favorável da Procuradoria-Geral da República, e entidades de jornalismo manifestaram preocupação. A ameaça à Transparência Internacional não foi confirmada de forma independente pela Folha.
O que o texto diz sobre o próprio Flávio
O artigo não poupa o senador. Käufer escreve que ele não tem o carisma da venezuelana Maria Corina Machado nem o de Javier Milei e que, na campanha, só teve a foto do pai como argumento. Sobre a carta que Flávio divulgou de Miami, diz que ela não ajudou nem o senador nem os apoiadores. Em outro texto de opinião, o mesmo jornal afirmou que a derrota é uma boa notícia para a direita brasileira.
Quem lê o texto como crítica a Lula e ao Supremo precisa levar isso em conta: a crítica existe, mas vem junto com uma avaliação dura da campanha de Flávio.
Outras críticas internacionais ao STF
Não é a primeira vez que a imprensa estrangeira questiona o caso. Na sexta-feira (30), a Folha mostrou que o Wall Street Journal e o Washington Post criticaram o Supremo no caso Flávio. As decisões foram tomadas no inquérito, que segue sob sigilo, e o Supremo não comentou o artigo. Mais notícias do tema estão na página de política.
Um artigo de opinião estrangeiro não altera o andamento do inquérito, mas mostra que o caso chegou ao debate fora do país. A Folha atualiza esta matéria se o STF, o Planalto ou a defesa de Flávio se manifestarem sobre o texto do Welt.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






