Venezuela e Brasil no FMI: vizinho deve crescer 5% em 2026, mais que o dobro dos 2,2% brasileiros, mas tem só 38% da economia de 2013
Projeção de outubro do Fundo cortou o Brasil de 2,4% para 2,2% e prevê 1,9% em 2027; na região, Paraguai e Peru também crescem mais, e a Bolívia encolhe 3%.

Venezuela e Brasil aparecem em ritmos bem diferentes nas projeções do FMI para 2026. O Fundo Monetário Internacional estima que a economia venezuelana cresça 5,0% no ano que vem, enquanto o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro deve avançar 2,2%, menos da metade. Os números estão na edição de outubro do relatório Perspectivas da Economia Mundial, divulgada na segunda-feira, 12 de outubro.
Para o Brasil, foi um corte. Em julho, o FMI esperava 2,4% para 2026. Agora, além dos 2,2% do ano que vem, o Fundo prevê uma desaceleração maior em 2027, para 1,9%, por causa dos juros altos por mais tempo e da contenção dos gastos públicos.
Venezuela e Brasil: o que o FMI projeta
A Venezuela vem de dois anos de expansão forte na conta do FMI: 8,9% em 2024 e 9,0% em 2025. Para 2026 a estimativa cai para 5,0% e, em 2027, volta a subir, para 7,0%. O relatório cita a Venezuela entre os países que aumentaram a produção de petróleo neste ano, ao lado de Brasil, Cazaquistão e Estados Unidos.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.O Brasil cresceu 3,4% em 2024, deve fechar 2025 com 2,3% e, pela projeção, perde fôlego nos dois anos seguintes. A estimativa do Fundo ainda é mais otimista que a do próprio governo e a do mercado. O Boletim Macrofiscal do Ministério da Fazenda, de setembro, baixou a previsão de 2,3% para 2,0%. O Boletim Focus, que reúne as apostas de instituições financeiras ouvidas pelo Banco Central, aponta 1,85% para 2026 e 1,40% para 2027.

Por que a Venezuela cresce mais rápido
Parte da diferença se explica pelo ponto de partida. Entre 2014 e 2020, a economia venezuelana encolheu ano após ano, com quedas de 17% em 2016, 21,4% em 2018, 29% em 2019 e 33,2% em 2020, segundo a série do próprio FMI. Somadas, essas perdas reduziram o PIB do país a cerca de um quarto do que era em 2013.
Pelo cálculo da Folha com os dados do Fundo, mesmo com a alta prevista para 2026, a economia venezuelana chegará ao fim do ano com pouco mais de um terço, cerca de 38%, do tamanho que tinha em 2013. Quando a base é pequena, qualquer recuperação aparece como um percentual alto. O Brasil, que não passou por um colapso desse tamanho, cresce sobre uma economia muito maior.
Mesmo assim, entre os países da região, o Brasil fica na parte de baixo da tabela. Para 2026, o FMI projeta 4,5% para o Paraguai, 3,0% para o Peru, 2,2% para a Colômbia (empatada com o Brasil), 2,1% para a Argentina, 1,5% para o México e 0,6% para o Chile. A Bolívia deve encolher 3,0%.
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O que pesa no PIB brasileiro
O FMI liga a desaceleração do Brasil às condições monetárias apertadas, com a taxa básica de juros alta por um período prolongado, e ao esforço de contenção fiscal. O Banco Central tem mantido os juros elevados para segurar a inflação, como mostrou a reportagem sobre a ata do Copom. Em agosto, o próprio Fundo calculou que a dívida pública do Brasil chegaria a 96,5% do PIB.
O cenário ficou mais tenso depois da eleição. Na primeira semana após a reeleição de Lula (PT), a Bolsa acumulou queda de 18,12% e o dólar subiu 9%, com o mercado cobrando o nome do novo ministro da Fazenda e um plano para as contas públicas, como contou a matéria sobre a economia do amor. A forma de medir o PIB também está em discussão no IBGE, que estuda uma nova conta para 2028.
No mundo, o FMI manteve a projeção de crescimento em cerca de 3,1% para 2026, com recuperação para 3,4% em 2027. O Fundo também prevê que o Brasil volte a ser a oitava maior economia do planeta em 2027, pela medida em dólares. Os números completos, país a país, estão no painel de dados do FMI.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.




