Trump e Flávio Bolsonaro: “não vou me envolver” na carta, mas a eleição foi “muito estranha”
Em declaração a jornalistas, o presidente americano disse que os EUA deram permissão para Flávio entrar no país. O TSE proclamou Lula reeleito com 51,79%, e Trump não apresentou provas.

Trump e Flávio Bolsonaro voltaram a se cruzar nesta quarta-feira (28), agora por uma pergunta de jornalistas: o presidente dos Estados Unidos disse que “não vai se envolver” na carta em que o senador se apresentou como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. No mesmo trecho, Trump afirmou que os americanos deram a Flávio permissão para entrar no país e chamou a eleição brasileira de “muito estranha”. Não apresentou provas, e o resultado oficial é de vitória de Lula, com 51,79% dos votos válidos.
A Folha reuniu o que Trump disse, o que a carta de Flávio trazia e o que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já publicou sobre o resultado.
O que Trump disse
As imagens mostram Trump falando a jornalistas numa pista de aeroporto, ao lado de veículos oficiais. Questionado sobre a afirmação de Flávio, ele evitou comentar a carta e disse que não pretende se envolver: “Não vou me envolver nisso”. Disse também saber que os Estados Unidos “demos a ele permissão” para entrar no país e acrescentou que “vamos ver”.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.Sobre a eleição brasileira, a fala foi mais dura: “Foi uma eleição muito estranha, isso é certo”, segundo a imprensa que acompanhou a conversa. Mais cedo no mesmo dia, de acordo com as reportagens, Trump afirmou que conhece Lula e Flávio, que “o pai foi tratado muito mal, na minha opinião”, e que não se envolveu na disputa. A Folha não achou, até a publicação, resposta do governo brasileiro a essas declarações.

O que a carta de Flávio dizia, e o que mudou nela
A carta foi divulgada nesta quarta, já com o senador nos Estados Unidos. Na primeira versão, ele se apresentava como “o verdadeiro presidente eleito do Brasil”. Cerca de uma hora depois, a expressão foi trocada por “líder”, e o brasão que aparecia num dos arquivos, que trazia o nome do país grafado “Brazil”, também foi alterado. A Folha detalhou o documento em Carta de Flávio.
Por isso, a pergunta feita a Trump parte de um trecho que a própria carta já retirou. No texto, Flávio diz ser alvo de “caça às bruxas”, nega ter fugido do país e promete liderar a oposição de fora. Não apresenta prova de irregularidade na eleição, e agradece a Trump e a outros aliados pelo apoio na saída do Brasil.
O que dizem o TSE e os números
O TSE proclamou Lula reeleito no domingo (25), com 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% de Flávio, uma diferença de 4.430.191 votos com todas as seções totalizadas. O resultado completo, seção por seção, está no portal de resultados do TSE. Trump, ao chamar a eleição de “muito estranha”, não indicou o que teria sido estranho nem apontou irregularidade concreta. A manifestação é uma opinião dele, e não uma decisão do governo americano sobre o resultado.
Alpha for MenO que Trump falou nesta quarta repete o tom dos dias anteriores. Em 27 de outubro, a Folha mostrou que ele insinuou fraude, sem provas, e disse que gosta de Lula, e a Casa Branca demorou a reconhecer a reeleição, como a Folha explicou em Silêncio de Trump.
A permissão para entrar nos Estados Unidos
A frase sobre a autorização encaixa num ponto que as reportagens já tinham registrado. Flávio desembarcou em Miami na manhã de quarta, com a mulher e as duas filhas, e os registros da alfândega americana apontam uma permissão temporária de permanência por motivo humanitário, válida até 27 de outubro de 2027, como a Folha publicou em Flávio em Miami. Trump falou em “permissão para entrar”, sem dizer de que tipo, e o governo americano não comentou os registros até a publicação desta matéria.
O que não se sabe
Não se sabe o que Trump quis dizer com “vamos ver”, se haverá algum gesto do governo americano em relação ao resultado, nem se a Casa Branca vai reconhecer formalmente a reeleição de Lula. A Folha também não encontrou nota do Itamaraty ou do Palácio do Planalto sobre a fala. A carta de Flávio, por sua vez, não é um documento oficial: é uma declaração política divulgada pela assessoria do senador, e a vitória de Lula segue valendo enquanto a Justiça Eleitoral não decidir diferente.
A reportagem atualiza esta matéria se o governo americano ou o governo brasileiro se manifestarem.
Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.






