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Educação

Escola em Parintins, onde Lula teve 82,75%, fica sem café da manhã e alunos protestam

A merenda do CETI Deputado Gláucio Gonçalves cabe ao governo do Amazonas, hoje com Roberto Cidade (União Brasil); o sindicato diz que os terceirizados pararam por salário atrasado.

Placa do CETI Deputado Gláucio Gonçalves, escola em Parintins da rede estadual do Amazonas
Placa do CETI Deputado Gláucio Gonçalves, escola em Parintins da rede estadual do Amazonas

Parintins (AM), a cidade do boi-bumbá no meio do Rio Amazonas, deu 44.647 votos a Lula (PT) no segundo turno de domingo (25), ou 82,75% dos válidos, segundo o TSE. Flávio Bolsonaro (PL) teve 9.305, ou 17,25%. Um dia depois da eleição, na segunda-feira (26), estudantes de uma escola em Parintins ocuparam o saguão para cobrar comida: o café da manhã não foi servido, o almoço saiu improvisado e as aulas terminaram mais cedo.

A escola é o Centro Educacional de Tempo Integral (CETI) Deputado Gláucio Gonçalves, da rede estadual. Quem responde por ela é a Secretaria de Estado de Educação e Desporto Escolar (Seduc-AM), ou seja, o governo do Amazonas, e não o governo federal nem a prefeitura. Desde maio, o estado é governado por Roberto Cidade (União Brasil), eleito de forma indireta pela Assembleia Legislativa depois da renúncia de Wilson Lima (União Brasil) e do vice. O mandato dele termina em janeiro de 2027.

O que aconteceu na escola em Parintins

O protesto foi na tarde de segunda, dentro do prédio. Os alunos ergueram cartazes no saguão e falaram aos colegas sobre a falta de comida. Numa escola de tempo integral, o estudante passa o dia inteiro ali e faz as refeições na própria unidade.

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Representantes do grêmio estudantil disseram que a situação pode piorar nos próximos dias. Um deles afirmou que faltam recursos até para imprimir provas. Segundo os estudantes, a empresa terceirizada que fornece a alimentação estaria sem receber do estado, o que teria levado os trabalhadores a parar. A Folha não publica o nome dos alunos: boa parte dos estudantes da escola é adolescente.

Cartazes erguidos por alunos no saguão da escola em Parintins durante o protesto por comida
Cartazes erguidos no saguão do CETI Deputado Gláucio Gonçalves, em Parintins, na segunda-feira (26). Imagem: Reprodução

O que dizem o sindicato, a prefeitura e o governo

O Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado do Amazonas (Sinteam) informou que os terceirizados de Parintins pararam porque estão com salários atrasados. O sindicato pediu à Seduc-AM que regularize os pagamentos e mantenha o funcionamento em tempo integral.

A Prefeitura de Parintins divulgou nota nesta quarta-feira (28) para lembrar que a escola pertence à rede estadual e é administrada pela Seduc. Por isso, diz a nota, a merenda do CETI é responsabilidade do governo do Amazonas, e não do município. A prefeitura afirma que a alimentação nas escolas municipais segue normal, com acompanhamento de nutricionista, e que o prefeito Mateus Assayag conversa com a Seduc para encontrar uma solução.

O governador Roberto Cidade, procurado pela imprensa local, respondeu que “o Governo do Amazonas está tomando as devidas providências”. Até a publicação desta reportagem, a Folha não encontrou nota pública da Seduc-AM sobre o caso nem sobre os pagamentos à empresa, que também não se manifestou. Segundo relatos de estudantes, as aulas voltaram ao horário normal na terça-feira (27), e houve reuniões para tentar resolver o problema. A secretaria não confirmou essa informação.

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Cobrança na Assembleia

Nesta quarta (28), a deputada estadual Mayra Dias (PSD) levou o caso à tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (Aleam). Ela apresentou requerimento em que pede explicações à Seduc, a volta da merenda em até 48 horas e um cronograma para quitar valores atrasados.

Segundo o levantamento apresentado pela deputada, o contrato do estado com a empresa BMS é estimado em R$ 45,48 milhões, e o último pagamento registrado no Portal da Transparência foi de R$ 433 mil em agosto, referente a serviços de abril. De maio a outubro, segundo ela, não aparece nenhum pagamento. Os números são da deputada, e a Seduc não os comentou publicamente.

Quem paga a merenda de escola estadual

O dinheiro federal da merenda chega pelo Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE), previsto na Lei 11.947/2009. O Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) repassa a estados e municípios um valor por aluno e por dia letivo. Para o ensino médio em tempo integral, a resolução do FNDE de fevereiro de 2026 fixa R$ 2,93 por estudante. Pela lei, pelo menos 45% desse repasse tem de ir para alimentos comprados da agricultura familiar.

O contrato com a terceirizada e o pagamento da empresa ficam com a rede que administra a escola, que no caso do CETI de Parintins é a Seduc-AM. Do lado federal, o governo Lula estuda mexer nos pisos de saúde e educação no ajuste fiscal.

Como Parintins votou

Parintins tem 73.032 eleitores, e 55.177 foram às urnas no segundo turno, segundo o portal de resultados do TSE. A vitória de Lula na cidade ficou bem acima da média do Amazonas, onde ele teve 54,02% contra 45,98% de Flávio, e da nacional, de 51,79% a 48,21%. O município aparece também entre as cidades do interior amazonense com urnas em que Flávio não teve nenhum voto.

Na disputa estadual, a cidade deu 86,32% a Omar Aziz (PSD), eleito governador com 61,42% dos votos do estado contra Maria do Carmo Seffair (PL). Roberto Cidade, que governa hoje e responde pela escola, tentou a reeleição e ficou em terceiro no primeiro turno, com 21,91%. Omar assume em janeiro e passa a responder pela rede estadual, CETI de Parintins incluído.

Em Patrocínio (MG), o placar foi o inverso: Flávio teve 62,69% dos votos válidos, e Lula, 37,31%, como a Folha mostrou na cobertura do segundo turno em Minas Gerais. A Folha também conferiu a conta do deputado Nikolas Ferreira sobre os votos de Lula, que circulou nas redes depois da eleição.

A Folha vai atualizar esta reportagem se a Seduc-AM ou a empresa divulgarem posição sobre o pagamento e sobre a volta da merenda nessa escola em Parintins. Outras reportagens de educação estão em Educação.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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