Bolsonaro pede médico e enfermeira em casa a Moraes, que autorizou o retorno do grupo de oração
A defesa pediu ao STF o cadastro de dois profissionais de saúde. Moraes autorizou o grupo de oração de 13 pessoas, e um homem foi detido por desacato a PM na porta da casa.

Bolsonaro pede médico e enfermeira em casa a Moraes. A defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) protocolou nesta segunda-feira (26) um pedido ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), para cadastrar e autorizar o ingresso de dois profissionais de saúde, um médico e uma enfermeira, na residência onde ele cumpre prisão domiciliar, em Brasília. A defesa não informou o motivo específico nem disse se há algum novo problema de saúde, segundo o documento a que a imprensa teve acesso. Até o início da tarde, não havia decisão de Moraes sobre o pedido.
O requerimento foi feito dentro do processo de execução penal da condenação de 27 anos e 3 meses de prisão imposta a Bolsonaro, em setembro de 2025, na ação sobre a tentativa de golpe de Estado. O pedido chega um dia depois do segundo turno das eleições presidenciais.
O que Moraes decidiu sobre o grupo de oração
No sábado (24), Moraes autorizou a retomada das reuniões do grupo de oração na casa de Bolsonaro, no Jardim Botânico. A defesa tinha pedido a retomada na sexta-feira (23), exclusivamente para orações e com observância das condições de segurança. O grupo tem 13 pessoas indicadas pelos advogados e se reúne às quartas-feiras, às 19h.
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Corpo e Alma MotelSeu momento, com toda a discrição.As visitas ao ex-presidente tinham sido suspensas depois do descumprimento de condições da prisão domiciliar. Na decisão, o ministro registrou que o período de suspensão já havia terminado. Moraes determinou que todas as visitas observem as medidas de segurança e as determinações legais e judiciais fixadas antes. O texto da decisão, segundo os relatos, não detalha qual condição havia sido descumprida. Em outra decisão, de 12 de outubro, o ministro liberou visitas do senador Flávio Bolsonaro, com veto ao uso eleitoral.

O que está em vigor na prisão domiciliar
Moraes concedeu a prisão domiciliar humanitária a Bolsonaro em 24 de março de 2026, a pedido da defesa, que alegou agravamento da saúde. Ele estava internado no Hospital DF Star, em Brasília, desde o dia 13 daquele mês com broncopneumonia bacteriana, e a medida passou a valer com a alta. O ministro citou a idade, de 71 anos, e a fragilidade imunológica de idosos, e registrou que o 19º Batalhão da Polícia Militar, a chamada Papudinha, onde ele cumpria pena, tem condições de oferecer atendimento médico. O prazo inicial era de 90 dias, depois dos quais o benefício deveria ser reanalisado, e a prisão domiciliar segue em vigor.
As condições impostas na decisão original incluem o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de usar celular e de acessar redes sociais, inclusive por meio de terceiros, e de gravar vídeos para a internet. Também ficaram proibidos acampamentos, manifestações e aglomerações em um raio de 1 quilômetro da casa, no condomínio Solar de Brasília, e policiais militares passaram a fazer a segurança do imóvel. Nos 90 dias iniciais, as visitas ficaram restritas a filhos, médicos e advogados. A fonte dessas regras é a decisão do ministro, divulgada na ocasião pela Agência Brasil.
O que se sabe sobre a saúde do ex-presidente
Segundo o boletim médico divulgado na sexta-feira (23), Bolsonaro permanece clinicamente estável, mas apresenta problemas de equilíbrio e sonolência durante o dia, provocados por efeitos colaterais de medicamentos. Na semana passada, ele fez uma sessão de fisioterapia com exercícios de fortalecimento muscular, mobilidade e alongamento. Um relatório da Polícia Militar do Distrito Federal enviado a Moraes em 15 de outubro registrou, entre os dias 8 e 14, visitas de familiares, de advogados e de dois médicos à casa. O relatório não informa os motivos dos atendimentos. Outro pedido da defesa, para uma visita específica, já havia sido tema de matéria da Folha sobre uma visita negada.
Alpha for MenHomem é detido na porta da casa
Na noite de domingo (25), um homem foi detido nas imediações da casa de Bolsonaro depois de discutir com um policial militar que faz a segurança do local. A Polícia Militar do Distrito Federal informou que não houve tentativa de invasão e que o caso foi registrado como desacato ao policial. O homem foi levado à 30ª Delegacia de Polícia, em São Sebastião. Sua identidade não foi divulgada, e não há informação oficial sobre o que ele disse ao policial. A Folha não tem confirmação sobre a situação do detido depois do registro.
O que vem agora: Moraes é o relator da execução penal e decide sobre o cadastro dos profissionais de saúde. O pedido e as decisões acima constam no processo do STF, e esta reportagem será atualizada quando houver decisão. Aqui entram só fatos de documentos e decisões e as informações oficiais da Polícia Militar, sem juízo sobre as partes.
Sobre o futuro das penas dos condenados do 8 de janeiro, a Folha explicou em indulto a Bolsonaro o que depende de Lula e o que depende do Congresso.
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