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Nikolas Ferreira diz que chance de anular a eleição é “praticamente nula” e pede: “Não façam isso”

Em vídeo de 2min35 no Instagram, o deputado pede que apoiadores de Flávio não vão às ruas. A Folha conferiu as três "primeiras vezes" que ele cita, e uma delas está errada.

Nikolas Ferreira discursa na tribuna da Câmara, antes do vídeo em que pediu que apoiadores não fossem às ruas
Nikolas Ferreira discursa na tribuna da Câmara, antes do vídeo em que pediu que apoiadores não fossem às ruas

“Conhecendo o nosso país, a chance de anular essa eleição é praticamente nula.” Quem disse foi o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), num vídeo de 2 minutos e 35 segundos publicado nesta segunda-feira (26) no Instagram, um dia depois de Lula (PT) ser reeleito com 51,79% dos votos válidos. Em seguida ele pediu aos apoiadores de Flávio Bolsonaro (PL) que não vão às ruas: “Não façam isso”.

O pedido contrasta com o tom de outras falas do próprio deputado nas últimas horas e com a posição de Flávio, que anunciou que vai pedir a anulação do segundo turno. A Folha assistiu ao vídeo inteiro, transcreveu a fala e conferiu os três fatos que Nikolas chama de “primeiras vezes”.

O que Nikolas Ferreira disse, ponto a ponto

O vídeo tem quatro partes, que ele numera. No primeiro ponto, afirma que “a quantidade de perguntas sem respostas gera insegurança e indignação” e lista o que considera inédito na eleição: uma virada, o resultado em Minas Gerais, a derrota de quem liderou o primeiro turno e a prorrogação da votação. Conclui que são “muitas primeiras vezes para a gente simplesmente ignorar e fingir que nada há fora do normal”.

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No segundo, vem o trecho que mais circulou: “A prudência agora, com as vidas que estão em jogo, deve falar mais alto que qualquer ímpeto do nosso coração. Já vimos muitas pessoas pagarem um alto preço de irem pra rua no calor da emoção. Não façam isso.” Nikolas Ferreira não cita o 8 de janeiro de 2023 em nenhum momento do vídeo. A ligação com os ataques às sedes dos Três Poderes é leitura de quem repetiu a fala nas redes, e não palavra do deputado.

Os dois últimos pontos são religiosos. Ele diz que sua primeira reação foi de raiva e vontade de “devolver tudo na mesma moeda”, mas que “o Senhor” lhe mostrou outra coisa. Afirma que quem comemora a vitória de Lula vive “euforia de uma noite”, e não alegria verdadeira, cita o Salmo 119 e encerra dizendo que não confia “em juízes poderosos, políticos poderosos, nem em instituições que têm poder”. O deputado não apresenta, no vídeo, prova de irregularidade que justifique anular o resultado.

As “primeiras vezes”, conferidas

A primeira afirmação é que quem perdeu em Minas venceu a eleição. Os números dizem o contrário. Lula foi o mais votado em Minas Gerais no segundo turno, com 50,43% dos votos válidos, contra 49,57% de Flávio, como a Folha mostrou em Virada de Lula. No primeiro turno, Flávio tinha vencido no estado, por 48,24% a 43,33%. Por isso a regra contada em quem vence em Minas vence o Brasil se manteve: em todas as dez eleições presidenciais diretas desde 1989, quem venceu no estado também levou a Presidência.

A segunda afirmação, de que quem ganha o primeiro turno perde o segundo, procede. Flávio terminou o primeiro turno na frente, por 1,87 ponto, e perdeu. Nas eleições presidenciais com segundo turno entre 1989 e 2022, o primeiro colocado do primeiro turno também ganhou o segundo.

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Nikolas Ferreira no vídeo em que diz que a chance de anular a eleição é praticamente nula
Nikolas Ferreira no vídeo publicado no Instagram em 26 de outubro. Reprodução/vídeo de Nikolas Ferreira. Foto do destaque: Pablo Valadares/Câmara dos Deputados (CC BY 3.0)

A terceira é que a votação foi prorrogada pela primeira vez na história e “pelo ex-advogado do candidato”. Cristiano Zanin, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), de fato foi advogado de Lula em processos da Lava Jato antes de chegar à corte. A decisão dele, tomada numa reclamação apresentada pela coligação de Lula, estendeu a votação até as 19h, como a Folha detalhou em Dino e Zanin. A Folha não encontrou registro que permita afirmar que é a primeira vez que isso acontece em eleição presidencial. O presidente do TSE, Kassio Nunes Marques, disse que “não houve nenhuma alteração advinda da decisão judicial” no resultado.

O que o vídeo afirma sem apresentar prova

Na terceira parte, Nikolas Ferreira diz ter visto imagens de presídios comemorando e de tiros para o alto no Complexo da Penha, no Rio, que teriam atingido uma criança. O deputado não indica de onde vêm as imagens, e a Folha não conseguiu verificar nenhum desses dois episódios. Fica registrado como afirmação dele, sem confirmação.

O pedido contra a posição de Flávio

O recado a quem quer protestar vai na direção oposta ao discurso de Flávio, que anunciou que vai pedir a anulação da eleição, como a Folha mostrou em Flávio vai pedir a anulação da eleição. O próprio Nikolas Ferreira já tinha escrito no X que “Lula não é meu presidente”, como a Folha contou em Nikolas diz que “Lula não é meu presidente”, e a conta dele sobre a votação de Lula foi checada em Nikolas e os votos de Lula.

Na prática, o vídeo separa duas coisas: manter a dúvida sobre o processo e descartar a rua como caminho. A anulação depende da Justiça Eleitoral, e o Código Eleitoral só prevê nova votação quando a nulidade atinge mais da metade dos votos do país, como a Folha explicou em Prorrogação abre caminho para pedido de anulação. A diferença entre Lula e Flávio foi de 4.430.191 votos, com 100% das seções totalizadas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

A fala completa está no Instagram do deputado, e os números oficiais podem ser conferidos no painel de resultados do TSE e na página de apuração em tempo real da Folha.

Este texto foi redigido com apoio de inteligência artificial, a partir da pauta, das fontes e das regras do editor-chefe. Saiba mais em Como usamos inteligência artificial.

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