Advogado da Trump Media critica Zanin, compara Lula a Maduro e questiona reconhecimento da eleição
Martin De Luca chamou de manipulação a votação estendida por Zanin e disse que ninguém reconhecerá o resultado. Não houve prova, e os EUA não se manifestaram oficialmente.

O advogado da Trump Media, Martin De Luca, atacou a decisão do ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal (STF), de estender a votação do segundo turno no domingo (25). Numa publicação no X, ele chamou a medida de “manipulação flagrante das eleições”, comparou o presidente Lula (PT) a Nicolás Maduro e escreveu: “Ele sabe que ninguém reconhecerá”. O advogado da Trump Media não apresentou prova de fraude, e a manifestação é uma opinião dele, não uma decisão do governo americano.
Segundo a própria publicação, De Luca perguntou se a comunidade internacional aceitaria como livre e justa uma vitória de Lula nessas condições e lembrou que Zanin foi advogado do petista antes de chegar ao Supremo. Donald Trump Jr., filho do presidente dos Estados Unidos, compartilhou o texto e criticou a cobertura da imprensa americana sobre o episódio.
O que Zanin decidiu e o que o TSE esclareceu
A liminar de Zanin atendeu a um pedido da coligação de Lula, que alegou falta de transporte público em várias cidades. Pelo que a Folha apurou, a ordem estendeu o horário de votação até as 19h. O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) informou que a continuidade valia só para os locais em que a votação ainda não tinha sido encerrada às 17h. Em Minas Gerais, nenhuma urna chegou a reabrir, e em Patrocínio (MG) as seções fecharam no horário normal.
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Quem é Martin De Luca
De Luca representa a Trump Media e a plataforma Rumble no processo que as duas empresas movem nos Estados Unidos contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF. Ele já tinha criticado ordens de Moraes em declarações públicas e, segundo relatos publicados na época, disse ser alvo de investigação da Polícia Federal por enfrentar o ministro. Isso explica o tom da publicação, mas não lhe dá valor oficial: advogado de empresa privada não fala pelo governo de Washington.
O que o resultado e a Justiça Eleitoral dizem
Lula foi reeleito com cerca de 51,8% dos votos válidos, contra 48,2% de Flávio, numa diferença de mais de 4,4 milhões de votos. Quem proclama o resultado é o TSE, e o tribunal publica os dados oficiais da votação. Nenhuma lei brasileira exige reconhecimento de governo estrangeiro para a eleição valer. Até a manhã desta segunda-feira (26), a Casa Branca não tinha se manifestado sobre o resultado, e a Folha acompanha o tema no silêncio de Trump sobre a vitória de Lula.
Também circula um boato de que Eduardo Bolsonaro e o secretário de Estado Marco Rubio estariam articulando um pedido de investigação internacional. A Folha não encontrou registro de reunião, pedido ou investigação.
Alpha for MenPor que a fala do advogado ganhou alcance
A publicação saiu num dia tenso: votação estendida, apuração parada por duas horas e Flávio anunciando que vai pedir a anulação da eleição na Justiça. O Código Eleitoral só prevê nova votação quando a nulidade atinge mais da metade dos votos do país, um cenário distante diante da margem de 4,4 milhões. A fala de De Luca rendeu discussão nas redes, mas não muda o resultado proclamado.
Em Patrocínio, onde Flávio teve 62,69% dos votos, o placar por escola está na apuração da Folha. A matéria é atualizada se Martin De Luca, a Trump Media ou o governo americano voltarem ao assunto.
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